sexta-feira, janeiro 11, 2008

A obrigação de ir à Eucaristia para fazer a Profissão de Fé viola a liberdade dos jovens?

Sozinhos,da facto, ninguém consegue fazer nada!
É difícil, sim, e ingrato, porque os sacerdotes não conseguem assim cumprir verdadeiramente bem a sua função!
Mas deixe-me relatar aqui uma coisa! Sou catequista há 13 anos e o ano passado, assim com está a acontecer este ano, todos os Sábados antes da catequese o discurso do Sr.Padre era o mesmo: "É necessário vir à Eucaristia." TODOS OS SÁBADOS sem excepção!
Lá mais para o meio do ano acrescentou: "É necessário vir à Eucaristia e quem não o fizer, não faz a Comunhão." E o discurso manteve-se até o fim.
No entanto, os miúdos pouco ou nada lhe ligavam! Temos missa vespertina numa capela da aldeia e alguns diziam que iam lá e outros diziam que iam a outra comunidade. Mas o pároco manteve-se firme e realmente ao Domingo poucas crianças encontrava na Eucaristia!
E os que fariam a Profissão de Fé não a fizeram mesmo.
Não será preciso dizer que foi uma pequena revolução aqui neste meio pequeno. Então fez o seguinte: a partir daquele momento os meninos para fazerem a Comunhão Solene teriam de ir à missa e fariam a Comunhão em Outubro!
Uma menina foi fazer, não sei como, a comunhão a outra paróquia, dos restantes, apenas três a fizeram, numa cerimónia simples, mas muito bonita.
Eu sei que por uns, pagaram os outros, mas naquele momento se o pároco fosse para a força, eu iria com ele... Afinal, que andamos nós, párocos, catequistas, a fazer este tempo todo? E sabe uma coisa? Se for ver quem desses meninos vai à missa actualmente, pode muito bem esconder as mãos e se precisar de alguma, uma basta e sobram-lhe dedos!
É difícil, sim...... E onde ficam os pais no meio disto tudo?
A aquecer as costas aos meninos que ao Domingo é o único dia que podem dormir mais um bocadinho e a Eucaristia é às 11:30....11:30!!! Imagine se fosse mais cedo!!!!

Ana Patrícia in blog Asas da Montanha
A Igreja deverá ser mais exigente ou mais tolerante?

11 comentários:

  1. a Igreja deverá é ganhar juizinho que, se nem aos adultos uma seca de celebração cativa e motiva... quanto mais a crianças que melhor aproveitariam o tempo a jogar à bola...

    o que é a "missinha" se tantas vezes nem o celebrante sabe o que está a fazer e para quem?

    Quando é que os padres vão perceber que, além de formação cuidada e contínua é preciso dedicação, amor, e consciência clara do que faz, porque se faz e para quem se faz? que quem celebra não é o alto funcionário de um culto, que tantas vezes toca já o ridículo...

    Quando é que finalmente iremos viver a sério o que significamos tanto nos rituais?

    Quando é que iremos perceber que não é preciso amarrar uma criança a um banco de igreja, e se olharmos nos olhos dela iremos aprender tantas coisas... uma delas é a simplicidade da vida que os adultos teimam em complicar, e ainda querem obrigar os que ainda são crianças a tornarem-se apáticos como eles...

    S.

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  2. Talvez os pais que, assumiram o compromisso de educar os filhos no dia do baptismo, possa fazer mais alguma coisa. Não acham?... afinal eles também são Igreja.

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  3. O meu ponto de vista é simples.
    Nenhuma criança deve ir contrariada.

    Os pais, ao não irem à missa, não dão o exemplo aos filhos e tira toda a "seriedade" ao processo. Estes têm todos os motivos para se recusarem a ir.

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  4. Ana Patrícia12 janeiro, 2008

    Eu foi muitas vezes à missa contrariada quando era criança...E ainda bem que me obrigaram a ir.Certamente hoje não teria a Força de Deus comigo!Ainda bem que me obrigaram...E se de cada vez que eu fazia birra para comer (que não foram poucas)os meus pais não me dessem, de facto, comida??? Aprendemos sim, e muito com as crianças, mas "nem só de pão vive o Homem".

    Beijinho sereno

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  5. Ana Patrícia... tens que me desculpar... mas até gostava que me desses um... só te pedia um momento bom que te tivesse ficado na memória desses dias em que foste "obrigada" a ir à eucaristia...

    e, olha... se chamas "Força de Deus" ao resultado de uma situação em que viveste assim contrariada, tivesses lá a idade que tivesses! eh pá!... isso nem me parece nada que tenha a ver com um Deus (que é PAI, e jamais nos deixará "morrer à fome") que nos respeita TANTO, que jamais nos quereria ver obrigados, por alguma espécie de imposição, em relação a alguma manifestação de relacionamento com Ele!... Desculpa... mas não me fales assim tão mal d'Ele... Ele quer tudo menos obrigações! Quer-te tão livre, que nem sequer te obriga a amá-l'O, quer que O ames e manifestes isso gratuitamente, sem te impôr nada!

    Quando falei que aprendemos muito com as crianças, e que é preciso olhá-las nos olhos, é porque certamente, para falarmos com elas teremos que "descer" dos nossos degraus, ficarmos da "altura" delas, reaprender a ver o mundo com os olhos delas, para que se possa "caminhar" com elas.

    Eu sei do que falo...! Vivi a mesma experiência que tu vives, e sei que é possível ver uma criança atenta a quem fala para ela, na linguagem dela, e sem ser preciso amarrá-la a um banco de igreja.
    É POSSÍVEL!...

    Agora... desculpa a franqueza... mas não me parece nada que as igrejas se encham com gente contrariada...

    S.

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  6. Ana Patrícia13 janeiro, 2008

    Sabe, na vida temos muitas vezes momentos "maus" , que têm de existir forçosamente para que os bons se sucedam!Não preciso talvez de lhe lembrar a agonia de Jesus antes e durante a crucifixão e da posterior alegria da ressurreição!E é óbvio que nessa altura eu não tinha consciência dessa Força, que é Deus, mas tenho-a hoje!Certamente que Deus nos deixa livres, porém imagine a felicidade dEle ao saber que realmente estamos no Seu caminho,que o estamos a amar verdadeiramente. E quando se ama, gosta-se de estar com a pessoa amada, não é? A Eucaristia é precisamente a celebração de encontro íntimo com Ele.
    Para que não fique com más impressões,saiba que tenho plena consciência de que a Igreja propõe e não impõe!É fácil dizer isto a um adulto,ele compreenderá o sentido da afirmação, mas se deixarmos a escolha ao critério da criança, o que acha que ela optará,inconscientemente,por fazer se não gostar mesmo de ir à missa? De qualquer modo, e apesar dos esforços, não conseguimos levar tantas crianças quanto desejamos à Eucaristia.É pena...

    E lembro-me, sim, de pelo menos um bom momento quando ia à Eucaristia!Havia uma senhora,e ainda hoje ela me fala nisso, que insistia em dar-me alguma coisa doce no fim da missa!!Porquê? Não sei...Talvez Deus se tenha servido das mãos daquela senhora para me mostrar que ir à missa podia ser algo doce... :)

    Beijinho sereno :):)

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  7. que bom... ana patrícia... é mesmo bom, quando se ama, estar com a pessoa amada... é tão bom, concordo plenamente contigo... É ISSO! É MESMO ISSO QUE EU SINTO!

    Vê que o bom momento que te lembras, de uma Eucaristia, foi "fora" do "esquema" dela, quando alguém desceu dos seus "degraus" de adulto, olhou para ti, e quis oferecer-te um doce... que só se oferecem às crianças... É ISSO! É MESMO ISSO QUE EU SINTO!
    Isto que falaste dá mesmo o que pensar!!!

    É! E quando deixamos de ver um número de crianças... e começamos a ver nelas, uma a uma, pessoas com um jeito de pensar e viver muito especial... tenho a certeza que poderemos fazer com elas uma caminhada muito bonita na descoberta de Deus.

    Agradeço a tua partilha, Ana Patrícia, sinto que tentas dar o melhor de ti... mas às vezes precisamos mesmo de nos questionar se estaremos a fazer "esforços" no sentido certo... se estaremos a fazer pontaria para a baliza certa!
    É bem verdade, como tu mesma disseste de algum modo, é tudo só e sempre uma questão de Amor, e onde estará ele verdadeiramente centrado... e não será tanto questão de métodos, técnicas e números...

    Abraço para ti
    S.

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  8. Sou Mãe de uma criança de 10 anos que desde os 5 anos começou a frequentar a catequese ao sábado na paróquia de Santiago Maior ( sé) em Beja. Naquela altura tanto eu como o Pai não frequentávamos a igreja. Quando o nosso filho começou a preparação para a primeira comunhão achámos por bem começar a acompanhá-lo a missa dominical,hábito que primeiro se estranha mas que depois se entranha. Não era crismada e hoje sou. Não rezava e hoje não consigo viver sem a oração porque é para mim um alimento vital. Este ano sou catequista ou melhor aprendiz de catequista pois estou acompanhada por uma catequista "veterana", digo isto porque tem largos anos de experiência. O grupo de crianças é muito dinâmico, são fantásticos. Todos eles vão á missa acompanhados pelos pais e o que me deixa mais feliz no meio disto tudo é olhar para eles e notar que não foram "empurrados" nem para a catequese nem para a missa. É evidente que o pároco que esta á frente da paróquia também tem influência neste resultado mas o "nosso" pároco que se chama Roque e que foi professor de religião e moral durante muitos anos é simplesmente extraordinário.
    Só para terminar: Geralmente são os pais que encaminham os filhos para conhecer melhor este Deus maravilhoso que habita no coração de cada um de nós mas que as vezes temos dificuldade em encontrá-lo, no meu caso foi ao contrário.

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  9. "Eu foi muitas vezes à missa contrariada quando era criança...E ainda bem que me obrigaram a ir.(...)E se de cada vez que eu fazia birra para comer (que não foram poucas)os meus pais não me dessem, de facto, comida???"

    Cara Ana P,

    Uma criança sobrevive sem ir à missa. Se não comer o mais certo é ir parar ao hospital ou ao cemitério.
    Um exemplo mais adequado seria em relação ao facto de muitas crianças irem contrariadas para a escola. Mas se não forem à escola ficam burrinhas e têm uma maior probabilidade de não se integrarem na sociedade. Mas para uma pessoa se integrar não necessita necessariamente de ir à missa, a menos que viva numa comunidade de intolerantes.

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  10. Ana Patrícia14 janeiro, 2008

    Caríssimo rj,
    se a criança anda na catequese é porque está a assumir, ainda que inconscientemente ( e até uma certa idade apenas) ou então estarão os pais a assumir por ela, a inserção na comunidade cristã!Como deve saber, o ponto de união desta comunidade é a Eucaristia!E claro, como você diz e muito bem em relação à escola, se não vai à Eucaristia acaba por se desintegrar da comunidade cristã...

    E mais uma vez digo, apesar de cada um se alimentar como bem entende "nem só de pão vive o homem."

    Abraço sereno

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  11. Sofia Costa16 janeiro, 2008

    A Igreja tem uma proposta só adere quem quer, quem não quer não adere, o que não implica falta de fé.

    A Igreja é uma instituição tem as suas regras, só se pode pertencer quem se rege pelas suas regras (certas ou erradas). A opção é sempre nossa, eu tb acho q há muitas coisas q precisam ser purificadas no seio da Igreja. Isto não me faz desistir, mas persistir.

    Tb sou catequista, do grupo da profissão de fé, tenho pena que muitas das crianças lá estejam obrigadas pelos pais...

    A catequese tem normas a cumprir como tem a escola ou outra instituição, se não queremos cumprir, porque lá estamos?

    Não se deve atacar a Igreja deve ser isto ou aquilo, a Igreja é o que é, se não gostamos, porque tentamos deseperadamente fazer parate dela, quer seja no Baptismo, na Profissão de Fé, no Crisma, no Matrimónio ou no dia da nossa Morte?

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