quinta-feira, maio 27, 2010

O filme: "Deuses e homens" premiado em Cannes

Um filme sobre monjes martirizados em África ganha o segundo prémio de Cannes.

«De Deuses e Homens», um filme do director francês Xavier Beauvois, é uma história real de oito monges cistercienses que foram feitos refens e assassinados por fundamentalistas islâmicos em 1996. Apesar de serem convivados a regressarem a França, o grupo recusou e optou por permanecer na conflictiva região das montanhas da Argélia, sabendo que correriam o risco de ser martirizados.

O filme foi galardoado no passado domingo com o «Grand Prix», que é o segundo mais alto galardão do festival.


É SURPREENDENTE: O EVANGELHO ESTÁ NA MODA NA MECA DO CIMEMA: Hollywood, e o cinema em geral, aposta agora em producçõess de inspiração cristã depois de comprovar o seu grande êxito. A industria do cinema americano está surpreendida pelo grande acolhimento que os novos filmes de temática cristã têm tido. PORQUE SERÁ?

  • A Paixão de Cristo (2004) - arrecadou 612 milhões de dolares;
  • As crónicas de Narnia: o leão, a bruxa e o armário (2005);
  • O exorcismo de Emily Rose (2005);
  • Abandonados: mundo em guerra (2005);
  • Lutero (2005);
  • Natal(2006);
  • Guadalupe (2006);
  • Prova de fogo (2008);
  • Bella (2008)

«Letters to God» = Cartas a Deus (2010) O filme, baseado em factos reais, (o filho de outro director, Patrick Doughtie, morreu por causa do cancro em 2005) mostra a história de uma criança de 8 anos que padece de uma enfermidade e cujas paixões, por esta ordem, são Deus e o futebol. Pelado, com pano de pirata na cabeça, escreve inocentemente a partir do coração uma série de cartas a Deuss que vão transformando as vidas de quem o rodeia, incluido o carteiro.

quarta-feira, maio 26, 2010

CARTA SEM RESPOSTA: Um missionário escreve ao New York Times para relatar histórias que não são notícia

O sacerdote salesiano Martín Lasarte, que está há mais de 20 anos em Angola, relata enternecedoras histórias de sacerdotes que entregam as suas vidas até limites inimagináveis, mas...«não são notícia».


O missionário salesiano uruguaio Martín Lasarte, um missionário que vive há mais de 20 anos em Angola, define-se a si mesmo numa carta enviada ao The New York Times como «um simples sacerdote católico» que se sente «feliz e orgulhoso» da sua vocação.

O diário norte-americano, que liderou a campanha contra a Igreja e o Papa por causa dos casos de pedofilia cometidos por alguns clérigos, ainda não respondeu.

Nela Lasarte explica o trabalho silencioso a favor dos mais desfavorecidos que a maioria dos sacerdotes da Igreja católica fazem nestas paragens, mas que, no entanto, «não é notícia».

A carta
«Causa-me uma grande dor que pessoas que deveriam ser sinais do amor de Deus tenham sido um punhal na vida de inocentes. Não existem
palavras que justifique tais actos. Não há duvida que a Igreja só pode estar do lado dos débeis, dos mais indefesos. Portanto todas as medidas que venham a ser tomadas para a protecção, prevenção da dignidade das crianças serão sempre uma prioridade absoluta», afirma o missionário na sua carta.

Não é notícia...transportar crianças através de campos minados
No entanto, acrescenta o missionário, «é curiosa a excassez de notícias e o desinteresse pelos milhares e milhares de sacerdotes que se consomem pelos milhões de crianças, pelos adolescentes e os mais desfavorecidos nos quatro cantos do mundo».

«Penso que ao vosso meio de informação não lhes interesse que eu próprio tenha trans-portado através de caminhos minados em 2002 muitas crianças desnutridas desde Cangumbe a Lwena (Angola) pois nem o governo se dispunha a fazê-lo e as ONG não estavam autorizadas; que eu próprio tivesse tido que enterrar dezenas de crianças falecidas entre os deslocados de guerra e retornados; que tenha salvado a vida a milhares de pessoas em Moxico por intermédio do único posto médico em 90.000 kilómetros quadrados, assim como através da destribuição de alimentos e sementes; que tivessemos dado a oportunidade a mais 110.000 crianças receberem de educação nestes 10 anos...», sublinha.

«Não é do vosso interesse -acrescenta- que, em conjunto com outros sacerdotes, tenhamos socorrido cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois da sua rendição, porque não chegavam os alimentos do Governo e da ONU».

A seguir o salesiano relata uma série de acções realizadas por intermédio de outros companheiros, muitas vezes arriscando a própria vida, mas que não recebem nenhuma atenção dos meios de Comunicação.

80 anos e confortando os desesperados... Também não
«Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, durante noite percorre a cidade de Luanda curando crianças da rua, levando-as para uma casa abrigo, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como ol padre Stefano, tenha casas para crianças que foram golpeadas, maltratadas e até violadas. Tão pouco é noticia que Frei Maiato com os seus 80 anos passe de casa em casa confortando os enfermos e os desesperados».

60.000 sacerdotes que deixam tudo...não importa
«Não é noticia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes, religiosos tenham deixado a sua terra, a sua família para servir os seus irmãos em leproserias, hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiras ou orfãos de pais que faleceram com sida, em escolas para os mais pobres, em centros de formação professional, em centros que prestam cuidados a seropositivos… ou sobretudo em paróquias e missões dapara motivar as pessoas a viver e amar».

Assassinados... também não
«Não é notícia -diz- que o meu amigo, o padre Marcos Aurélio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola, transportou-os de Kalulo a Dondo e ao
regressar à sua missão tenha sido fuzilado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco catequistas, por terem ido ajudar em áreas rurais mais recónditas tenham falecido num acidente de viação; que dezenas de missionários en Angola tenham falecido por falta de socorro sanitário, por causa de uma simples malária; que outros tenham saltado pelo ar, por causa de uma mina, apenas por foram visitar os seus paroquianos. No cemitério de Kalulo estão as sepulturas dos primeiros sacerdotes que cheram à região... Todos tinham menos de 40 anos».

Mais à frente afirma que para certos meios «não é notícia acompanhar a vida dum sacerdote "normal" no seu dia a dia, nas suas dificuldades e alegrias consumindo sem ruido a sua vida a favor da comunidade que serve».

«A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa Noticia, essa notícia que sem ruido começou na noite de Páscoa. Faz mais ruido uma árvore que cai do que um bosque que cresce», sublinha.

Nem herói nem neurótico...simplesmente um homem
«Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes -acrescenta-. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um simples homem, que com a sua humanidade procura seguir Jesus e servir os seus irmãos. Existem misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e b
ondad como em cada criatura…».

«Insistir de forma obsesionada e persecutória num tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdocio católico com as quais me sinto ofendido», afirma.

E conclui: «Só lhe peço amigo periodista, que procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso torna-lo-á nobre na sua profissão».
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terça-feira, maio 25, 2010

Bento XVI - Surpreendente

Já muito se disse e escreveu sobre o Papa Bento XVI, a pretexto da sua recente visita a Portugal. Apesar disso, não resisti a tecer, também, algumas considerações sobre este tão importante evento, que veio mudar, radicalmente, o pensar de muitos (católicos e não católicos).

Ao abrirmos os jornais e televisões encontramos os mais variados títulos: “Viagem a Portugal mudou a imagem de Bento XVI”, “Viagem do Papa foi uma surpresa”, “Este Papa e o comum preconceito”, “O Papa que não sorria”, “Bento XVI deixa herança a Fátima” (Expresso); “A mudança de Bento XVI”, “Uma visita que moveu milhões” (Sol); “0 Papa que cantou nos Jerónimos” (Sábado); “Ratzinger chegou a Portugal e partiu Papa” (Televisões), etc.
Estes títulos reflectem o pensar de muitos a respeito do actual Papa, eleito com 78 anos de idade, um dos mais eminentes teólogos, que sucedeu a João Paulo II, que ascendeu a chefe da Igreja Católica aos 58 anos, mais extrovertido e que cativava mais com a sua presença, do que com a palavra.
  • O Papa João Paulo II, vindo dum país comunista, desportista, operário fabril e actor de teatro, quando foi eleito Papa, despertou, facilmente, a simpatia de todos;
  • Bento XVI, académico, teólogo, músico, foi recebido, pela maioria, com antipatia e preconceitos, rotulado de “conservador”, “duro”, “introvertido”, “antipático”, etc.

Os jornais chegaram a titular “ A marca Bento XVI vende menos que João Paulo II”!

No fim do dia 14 de Maio, os meios de comunicação social já afirmavam que a “Viagem a Portugal mudou a imagem do Papa”, pois, não só as pessoas passaram a ter uma ideia diferente de Bento XVI, como ele próprio também mudou fruto da calorosa recepção, que os portugueses lhe fizeram!
Podemos afirmar que a maioria dos portugueses (aqueles que o acompanharam, presencialmente, e todos os outros que o seguiram na televisão) ficou satisfeita, honrada e agradecida pela vinda de Bento XVI (muitos países não têm essa honra), embora alguns (os do costume) não perdessem a oportunidade para a criticar, pois fez perder “milhões” com as “tolerâncias de ponto” e se gastou muito dinheiro com a “recepção”, num tempo de “crise” económica e com tanta gente a passar fome!
A ironia está em que todos esses “críticos” ficaram “satisfeitos” por não ir trabalhar, dando mostras que não estão nada preocupados com a tão propalada “crise”! O Evangelista João relatou, já há dois mil anos, a “critica” feita por um certo Judas ao gesto amistoso de Maria de Betânea quando brindou Jesus de Nazaré com um perfume caro (João 12, 4-8)!
Bem fez o Presidente da República ao agradecer, na despedida, a visita do Papa a Portugal: “A Vossa presença, a Vossa palavra e o Vosso exemplo trouxeram esperança aos corações agradecidos dos Portugueses...Portugal despede-se de Vós revigorado pela mensagem de esperança e confiança que nos deixais”.
Podemos dizer que as várias intervenções do Papa Bento XVI, ao longo dos quatro dias, “tocaram”, indelevelmente, todos os homens de “boa vontade” e não só os “fiéis católicos”, que acorreram, fervorosamente, a ouvi-lo. Mesmo antes de aterrar no aeroporto de Figo Maduro, já havia respondido, dum modo concludente, a todos aqueles que exigiam dele uma declaração sobre a “Pedofilia na Igreja”: “A maior perseguição não vem dos inimigos de fora, mas nasce nos pecados da própria Igreja”. Em Fátima, a propósito do celibato, lembrou aos “consagrados”: “Somos livres para ser santos, livres para ser pobres, castos e obedientes”.
No primeiro dia da visita, 11 de Maio, no Terreiro do Paço, o Santo Padre elogiou o espírito missionário dos portugueses, no seguimento da recomendação de Jesus: “Ide fazer discípulos de todas as nações”. A propósito dos ataques à Igreja “santa e pecadora” recordou que “é nos Santos que a Igreja reconhece os seus traços característicos...e que a prioridade pastoral hoje é fazer de cada mulher e homem cristão uma presença irradiante da perspectiva evangélica no meio do mundo, na família, na cultura, na economia e na política”.
Aos homens da cultura, Bento XVI recomendou um equilíbrio entre a tradição e o presente inovador, com uma busca constante da verdade e da beleza “Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de Beleza”.
Nos seus discursos falou também do diálogo com o mundo e da “aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo”.
No Porto, àqueles que o acusavam de conservador ou ditador, o Santo Padre lembrou que “nada impomos, mas propomos”, reconhecendo que “nos últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos”.
O Papa Bento XVI terminou a sua visita a Portugal com o desejo de um “renovado impulso espiritual e apostólico” e que a sua bênção “seja portadora de esperança, de paz e de coragem”!

Cón. Fernando Marques

sexta-feira, maio 14, 2010

"Nada impomos, sempre propomos" Bento XVI

Uma mulher passa as lojas da Praceta de Santo António em revista – à cata de uma “lembrancinha” em conta. “Está a ser melhor do que na televisão”, comenta, com o rosto virado para trás. Segue-a o marido, costas dobradas, boné enterrado na cabeça, não vá ela abrir os cordões à bolsa em tempo de crise: “Dizem que ele é trombudo, afinal, ri-se o tempo todo!”
in Publico

Vê-se um Papa feliz, sorridente, sereno.

Os jovens com o Papa



os jacobinos de ontem transformam-se nos ecuménicos de hoje

Gostei de ter estado no CCB para o encontro "cultural" com Bento XVI. Não apenas pelo Papa, um dos mais importantes pensadores vivos que sempre li com prazer e proveito. Mas sobretudo para testemunhar a quantidade de "intelectuais" que, apesar de passarem 364 dias a usar a Igreja como saco de pancada, reservaram o 365º para aplaudirem o Papa de pé. Não cito nomes, até porque não tenho espaço. Mas como explicar esta esquizofrenia?

Uma amiga, que assistia abismada ao mesmo cenário, optou pela poesia: ‘Vaidade, tudo é vaidade.’ Não sei se será, embora câmaras de televisão normalmente façam milagres. Creio que o problema é mais fundo e Bento XVI tem-se ocupado dele com pena cirúrgica: a ditadura presente da nossa condição reside na incapacidade absoluta para defendermos valores fundamentais. Tudo é moda, o que significa que os mesmos jacobinos de ontem se transformam nos ecuménicos de hoje antes de regressarem ao jacobinismo de amanhã.

No relativismo larvar em que chafurdam as nossas sociedades, estou com os profetas: prefiro gente fria ou quente a estas versões mornas.
João pereira Coutinho no Correio da Manhã

quarta-feira, maio 12, 2010

Uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo

Senhor Presidente da República,
Ilustres Autoridades da Nação,
Venerados Irmãos no Episcopado,
Senhoras e Senhores!

Só agora me foi possível aceder aos amáveis convites do Senhor Presidente e dos meus Irmãos Bispos para visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século da proclamação da República. Ao pisar o seu solo pela primeira vez desde que a Providência divina me chamou à Sé de Pedro, sinto-me honrado e agradecido pela presença deferente e acolhedora de todos vós.

Agradeço-lhe, Senhor Presidente, as suas cordiais expressões de boasvindas, dando voz aos sentimentos e esperanças do bom povo português. Para todos, independentemente da sua fé e religião, vai a minha saudação amiga, com um pensamento particular para quantos não podem vir ao meu encontro. Venho como peregrino de Nossa Senhora de Fátima, investido pelo Alto na missão de confirmar os meus irmãos que avançam na sua peregrinação a caminho do Céu.


Logo aos alvores da nacionalidade, o povo português voltou-se para o Sucessor de Pedro esperando na sua arbitragem para ver reconhecida a própria existência como Nação; mais tarde, um meu Predecessor havia de honrar Portugal, na pessoa do seu Rei, com o título de fidelíssimo (cf. Pio II, Bula Dum tuam, 25/I/1460), por altos e continuados serviços à causa do Evangelho.
Que depois, há 93 anos, o Céu se abrisse precisamente sobre Portugal – como uma janela de esperança que Deus abre quando o homem lhe fecha a porta – para reatar, no seio da família humana, os laços da solidariedade fraterna assente no mútuo reconhecimento de um só e mesmo Pai, trata-se de um amoroso desígnio de Deus; não dependeu do Papa nem de qualquer outra autoridade eclesial: «Não foi a Igreja que impôs Fátima – diria o Cardeal Manuel Cerejeira, de veneranda memória –, mas Fátima que se impôs à Igreja».
Veio do Céu a Virgem Maria para nos recordar verdades do Evangelho que são para a humanidade, fria de amor e desesperada de salvação, fonte de esperança. Naturalmente esta esperança tem como dimensão primária e radical, não a relação horizontal, mas a vertical e transcendente. A relação com Deus é constitutiva do ser humano: foi criado e ordenado para Deus, procura a verdade na sua estrutura cognitiva, tende ao bem na esfera volitiva, é atraído pela beleza na dimensão estética. A consciência é cristã na medida em que se abre à plenitude da vida e da sabedoria, que temos em Jesus Cristo. A visita, que agora inicio sob o signo da esperança, pretende ser uma proposta de sabedoria e de missão.
De uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade. Situada na história, a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza nem privatiza a essencial consideração do sentido humano da vida. Não se trata de um confronto ético entre um sistema laico e um sistema religioso, mas de uma questão de sentido à qual se entrega a própria liberdade. O que divide é o valor dado à problemática do sentido e a sua implicação na vida pública. A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre Igreja e Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e 2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rápida mudança. Os sofrimentos causados pelas mutações foram enfrentados geralmente com coragem.
Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade, inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio.

Uma multidão acolhe Bento XVI