segunda-feira, maio 29, 2006

Bispo de Vila Real preocupado com falta de clero na Diocese

A diocese de Vila Real é conduzida há 15 anos por D. Joaquim Gonçalves, um bispo natural de Fafe que se rendeu aos encantos da natureza transmontana e às suas gentes. Em entrevista ao Diário do Minho, o prelado faz a radiografia da diocese e revela o que fez e o que planeia fazer no futuro.

Diário do MinhoComo caracteriza o clero da diocese?
D. Joaquim Gonçalves — O clero mais idoso é um grupo significativo, pois temos ainda 17 párocos com mais de 75 anos. A maior parte dos párocos têm entre 50 e 75 anos. Abaixo dos 50 anos, temos cerca de 40 sacerdotes. Os padres mais velhos são um clero zeloso da prática sacramental, não tendo muita facilidade no trabalho com os jovens nem com a pastoral criada pelo Concílio Vaticano II. O clero mais novo tem consciência da necessidade de intensificar a pastoral juvenil, a pastoral familiar e o acompanhamento dos emigrantes. Mas os padres mais novos, apesar de generosos, são mais frágeis, porque não conseguem vislumbrar resultados rápidos na sua acção e tendem a desanimar.
Nestes 15 anos, como Bispo de Vila Real, ordenei 31 sacerdotes, recebi quatro vindos de fora e quatro abandonaram o sacerdócio. Ordenaram-se três bispos em Vila Real e um no Brasil. Apesar dos problemas da desertificação e da baixa de natalidade, temos 35 alunos no Seminário Menor (do 7.º ao 12.º ano), 17 no Seminário Maior e um em estágio pastoral.

Há muitos padres a abandonar o sacerdócio?
A diocese teve sempre um grande número de jovens padres que abandonaram o sacerdócio. Seremos a diocese com um maior índice de abandono do sacerdócio no país. Percentualmente, Vila Real deve atingir os 25 por cento de padres que abandonaram a sua missão. O povo já não se escandaliza com situações desse género, infelizmente porque já está “vacinado”. Depois das convulsões do 25 de Abril conheceu-se uma certa estabilidade. Nos últimos dois anos, quatro padres abandonaram o sacerdócio. Dois deles tinham sido ordenados em 1998, um em 1999 e outro em 2002. Tratavam-se de jovens que tinham iniciado o seu sacerdócio com muito entusiasmo mas não resistiram ao turbilhão de ideias, sentimentos e desafios, acabando por se afastar. O povo, mercê do hábito, não ficou admirado, mas, para os padres mais jovens, seus colegas, foi um choque.

Os leigos têm-se empenhado nas comunidades?
Hoje, os praticantes não chegam a 50 por cento em cada comunidade. Nas cidades, a prática dominical desceu aos 30 por cento. No entanto, os leigos quando convidados pelo pároco para tarefas nas comunidades são generosos e gostam de colaborar na administração paroquial e na liturgia.

Vai mexer na estrutura da diocese?
A diocese tem 264 paróquias, algumas das quais muito pequenas (uma delas não deve ter mais de 60 pessoas) e em zonas isoladas. Por isso, hoje, algumas delas não têm nenhuma razão de existir, mas também não será necessário extingui-las canonicamente, até porque isso não resolverá nada. Estamos a tentar implantar um sistema que passa pela criação de unidades pastorais. Na prática isso já existe dado que cada padre tem quatro ou cinco paróquias a seu encargo. Este é o rumo que será seguido, porque não há hipótese de ser outro. Por outro lado, apesar do turbilhão de ideias e ideais gerados pela globalização há pilares eclesiais que nunca mudam: a família, o sacerdócio, a missa ao domingo, os sacramentos. Não é uma mensagem de defesa mas de futuro e de estabilidade que os cristãos precisam de ouvir hoje dos seus pastores. Esta é a linha da minha pastoral para o futuro, aliada à necessidade de ajudar as pessoas a rezar. Gostava também de conseguir estabelecer na diocese uma comunidade religiosa contemplativa, que é uma lacuna.
Fonte: Eclesia
  • Como resolver a falta de clero? A solução está nas unidades pastorais, na ordenação de diáconos permanentes, na instituição de leigos como "ministros da assembleia" na ausência de presbiteros?
  • O que leva os padres a abandonar o sacerdócio nos primeiros anos? O seminário não os prepara para o "turbilhão de ideias, sentimentos e desafios"? - pergunta deixada pela CA.

sábado, maio 27, 2006

Jesus Cristo e a Igreja

Nos últimos meses são muitas as perguntas àcerca de Jesus Cristo e da Igreja, motivadas pelo livro "O Código Da Vinci". Esta série de artigos, elaborada por uma equipe de professores de História e de Teologia da Universidade de Navarra, aborda as questões mais frequentes:

Adenda: Clica na pergunta e poderás encontrar a resposta de um especialista.

terça-feira, maio 23, 2006

O Código da Vinci - Boicotar ou elucidar?

Achei interessante esta tomada de posição do Bispo de Macau, que transcrevo:
A igreja católica deve «chamar a atenção» do público que o livro e o filme «O Código Da Vinci» são baseados numa novela e evitar dizer às pessoas para não verem o filme, considerou o bispo de Macau.
«É inútil dizer que não se pode ver o filme. O livro está traduzido em 44 línguas e o filme está em exibição em todo o mundo», afirmou D. José Lai em declarações à imprensa de Macau após uma exibição especial do filme.
O bispo de Macau considera também que o papel da igreja é o de «chamar a atenção dos católicos e do público em geral para o facto de que o filme é baseado numa novela, numa ficção que é uma teoria herética».
Para o líder da igreja católica de Macau, o filme é apenas isso mesmo, «um filme» e «não tem valor histórico, não é a verdade».
As declarações do bispo de Macau ganham importância tanto mais que o filme está a ser exibido no Centro Diocesano de Macau, explorado pela igreja católica local.
Num comunicado emitido pelo centro é sublinhando que a instituição se encontrava no «dilema» de «boicote ou exibição do filme», tendo sido tomada a decisão de passar a película nas salas de cinema porque «o debate com criticas pode fortalecer a (nossa) fé».
«Toda a crise se pode tornar numa boa oportunidade para crescer e amadurecer, para adquirir mais consciência, responsabilidade e maior conhecimento religioso por parte dos cristãos», razão porque é considerada uma «acção negativa o boicote do filme».

As surpressas das sondagens: é mais insidioso "O Código" do que os escandalos?

Las informaciones sobre escándalos de abusos sexuales cometidos por sacerdotes en Estados Unidos no han provocado el abandono de la Iglesia, el descenso en la asistencia a misa ni de los donativos de los fieles a sus parroquias. Esos son, en síntesis, los resultados de un estudio coordinado por Mark M. Gray, de la Universidad de Georgetown, del que se hace eco The New York Times (18 de mayo). "La fe de las personas fue más grande que los acontecimientos", subraya Gray. "Desde luego, hubo mucho descontendo, pero la gente siguió siendo católica".
Así pues, la exhibición casi permanente en primera página -desde el año 2002- de episodios (reales o supuestos) en los que los sacerdotes católicos aparecían como los ogros no ha conseguido arracar la fe ni la confianza de los fieles en la Iglesia. La cifra de adultos americanos que se identifican a sí mismos como católicos permanece firme en el 23 por ciento; los que afirman que van a misa al menos una vez por semana se mantienen estables en el 33 por ciento. También siguen en los mismos niveles las donaciones de los fieles a sus parroquias (aunque han descendido algo las aportaciones a colectas nacionales).
Por contraste, algunas encuestas presentan datos soprendentes sobre cómo la gente se cree la historia de "El Código Da Vinci" (Cristo casado con María Magdalena, que tiene hijos, que esa descendencia llega hasta hoy y que la Iglesia sigue ocultando esta verdad...).
¿Conseguirá el libro y la película lo que no han conseguido los escándalos?
Para Johnson (Daily Telegraph, 18 de mayo), esa credulonería demuestra que estamos ante un nuevo arrianismo. Lo que está en juego aquí es la creencia en la divinidad de Cristo, una tentación siempre presente en la historia y que explica -al margen del ingrediente de aventura- el éxito de la novela.
La impresión es que resulta mucho más insidiosa para la fe esa duda en la divinidad de Cristo que el escándalo provocado por las debilidades y los crímenes humanos. De ahí que "invertir en formación" (que es el núcleo de la "respuesta católica" al desafío de "El Código") se confirme como la actitud más convincente.
Fonte: http://www.laiglesiaenlaprensa.com/

segunda-feira, maio 22, 2006

PORQUE SÓ ESTIVERAM 7.000 PESSOAS na MARÇA CONTRA A FOME?

Quando li-a sobre a Marcha contra a Fome que aconteceu neste domingo, pensei: Caramba! eu também podia estar ali. Mais ainda!... eu queria estar ali. Mas ontem de manhã (a Manif era às 10h) tinha três missas para celebrar. Ainda tentei, dias antes, substituto, mas devido à falta de padres, não o consegui. Brotou espontaneamente em mim um salmo de lamentação. Ainda assim, dei rédeas soltas ao sonho e pensei alto: e se eu tivesse sensibilizado o povo para nos juntarmos àquela Manif. Conseguiria? Iriam acusar-me ao bispo de não querer saber dos meus paroquianos? De por em causa o direito e o dever da missa dominical? Será que iam entender que o que eu queria era ajudá-los a descobrir e celebrar ‘outra’ Eucaristia? Talvez mais transformadora, mais libertadora, e que, simplesmente quis, por um domingo só, sair do templo? E que celebrávamos depois, ao voltar, ou lá mesmo, ao terminar este dever de cidadania universal?E se tivesse ido? E se tivéssemos ido?
Mas, na loucura de um cristão que não desiste de ainda ter utopias, dei-me ao luxo de pensar ainda mais alto: e se os nossos bispos tivessem feito uma convocação geral de todo o povo que vai à missa dominical (já não digo de todos os católicos) mobilizando-os a todos para, suponhamos, três celebrações multitudinárias (entenda-se missa dominical), na região norte, centro e sul do país, ou mesmo em cada diocese, para onde fossem convidados todos os padres e todos as comunidades! Poderia ser nos estádios, ou em amplas praças. E celebraríamos em comunhão universal com esta causa tão nobre e tão urgente. Com uma liturgia, bem preparada, que sublinhasse a Eucaristia como verdadeira comunhão, partilha, fraternidade. E depois? Bom!...
Depois, juntarem-se a todos os que, de ONGs a anónimos se mobilizaram para as manifestações ‘Pobreza Zero’.Os organizadores esperavam pelo menos a adesão de 20 mil pessoas. É ridículo que apenas 7 mil pessoas abracem (físicamente) uma causa que deveria ser de todos nós. Ao mesmo tempo centenas de milhares de cristãos celebravam a habitual Eucaristia dominical. Quem sabe fria, quem sabe rotineira, seca, desencarnada, sem vínculo com a vida…
E nem vou comparar com uma outra mobilização com motivo de uma outra causa, a da bandeira nacional (provavelmente para captar imagens para um anúncio) numa bonita iniciativa que aconteceu no dia anterior (sábado) no Estádio Nacional mas, convenhamos, bem menos nobre que esta outra de que vos falo.
No entanto exaltam-se os ânimos e as (in)consciências quando o tema é o preservativo e, agora, a cadeira nos protocolos. Por um lado morre-se de fome, por outro discute-se acaloradamente o látex e os protocolos. E as verdadeiras causas e urgências humanitárias continuam a aguardar voz e vez em intermináveis filas.Na sociedade e na Igreja, para utopias zero, pobrezas cem.

sábado, maio 13, 2006

A fé das velinhas!

Sexta feira... noite do dia 12 de Maio…Junto da porta principal da Igreja Matriz da cidade um grupo grande de gente, de todas as idades, de vela na mão, aguarda a saída da procissão de velas! Tarda a procissão a sair… alguém espreita dentro da Igreja! Reza-se o terço! As pessoas do lado de fora ficam em estado de choque… então não há procissão de velas este ano?! Os padres tiram-nos a fé… este padre velho… já devia ter ido embora! Alguns vão-se embora… outros ficam mais algum tempo! Se tivessem entrado na Igreja teriam descoberto que o pároco havia sido internado no hospital há alguns dias e aquele terço estava a ser rezado pelas suas melhoras! “Haja paciência para tão pouca inteligência”!
Fonte: www.tocarlos.blogspot.com

sexta-feira, maio 12, 2006

Os padres "contra-atacam"

Padres futebolistas preparam Champions Clerum. E descobriram novos valores para «atacar» o primeiro lugar
Depois do quarto lugar na Champions Clerum, os padres portugueses que representaram Portugal na Croácia continuam a encontrar-se para jogar futebol “e a descobrir novas vedetas para enriquecer a selecção” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. José Miguel, capitão da selecção e director do «Diário do Minho». Nesta semana, a diocese de Leiria acolheu estes padres futebolistas oriundas de várias dioceses (Braga, Porto, Leiria, Aveiro, Vila Real e Portalegre).
O objectivo deste encontro era um torneio interdiocesano – não chegou a realizar-se devido à falta de equipas completas – e decidir se “iremos ao próximo campeonato do mundo, a realizar na Bósnia”. Os padres da diocese de Braga ficaram encarregues de tratar das burocracias. Com este treino “descobrimos que podemos melhorar a qualidade da equipa” – realçou o capitão. E adianta: “no próximo ano é para tentar ganhar”. O «quartel general» da selecção será em Famalicão. Para o próximo ano – 7 de Maio de 2007 - ficou também agendado um torneio de carácter diocesano. Os resultados alcançados na Croácia renovaram o «bichinho» da bola a alguns padres e muitos apareceram com o objectivo de serem seleccionados. “Alguns deles têm qualidade para entrarem na selecção” – relatou.
Fonte: Ecclesia

segunda-feira, maio 08, 2006

SURPREENDENTE: Bento XVI condena «carreirismo» na Igreja

Bento XVI defendeu este Domingo que não se pode ser sacerdote visando "fazer carreira” ou “ocupar um alto cargo na Igreja", apelando a uma vida de serviço aos outros, à imagem de Jesus Cristo.
Durante a homilia da celebração eucarística, na Basílica de São Pedro, em que ordenou 15 novos sacerdotes da Diocese de Roma, o Papa criticou "o homem que, pelo sacerdócio, quer ser importante", repudiando que se possa ter como objectivo, na vida sacerdotal, "a exaltação pessoal e não o servir humildemente Jesus Cristo".
No Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Bento XVI disse que o sacerdote deve “existir para os outros, para Cristo, e assim através dele e com Ele existir para os homens". Para o Papa, “o único acesso legítimo ao ministério pastoral é a cruz. Essa é a porta”.
Pouco depois, por ocasião da recitação do Regina Caeli, na Praça de São Pedro, Bento XVI destacou que a missão dos sacerdotes na Igreja é “insubstituível”, não escondendo a sua confiança no futuro, “mesmo se em algumas religiões se verifica falta de padres”.
Não se deve duvidar que Cristo continua a chamar rapazes, jovens e adultos a deixarem tudo para se dedicarem à pregação do Evangelho e ao Mistério Pastoral", disse.
Lembrando a sua mensagem para esta jornada de oração, Bento XVI considerou que "a vocação cristã implica renovar sempre a amizade pessoal com Jesus".
"A Igreja vive desta amizade, alimentada pela Palavra e os Sacramentos, realidades santas confiadas de maneira particular ao ministério dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos, consagrados pelo sacramento da Ordem", explicou.
O Papa assinalou também a relevância da educação familiar para o nascimento de vocações sacerdotais e consagradas. "Não nos esqueçamos que o matrimónio cristão é também uma forma de vocação à santidade e que o exemplo dos Pais Santos é a primeira condição que favorece o nascer da vocação sacerdotal e religiosa", frisou..
Fonte: Eclesia
O que achas? Na Igreja em Portugal há ou não carreirismo?
Como se chega a Bispo? E a cargos de responsabilidade?
Porque é que alguns se mantem lá tantos anos?

Portugal lidera “ranking” de divórcios A cada 33 segundos um casamento é desfeito na União Europeia

Portugal é o país com maior número de divórcios da União Europeia, onde a cada 33 segundos um casamento é desfeito, segundo um estudo do Instituto de Política Familiar (IPF).
Contas feitas, são quase um milhão de rupturas matrimoniais por ano. De acordo com o Diário de Notícias, que cita o estudo do IPF, "Portugal surge como o grande campeão, tendo registado, de 1995 a 2004, o maior aumento na taxa de divórcios (89 por cento)". Seguem-se a Itália (62 por cento) e a Espanha (59 por cento).
O estudo IPF vai ser apresentado amanhã no Parlamento Europeu, por ocasião do “Dia da Europa”. O presidente do IPF, Eduardo Hertfelder, classificou a situação de "alarmante" e diz que para se ter a percepção da "importância dos números, é necessário assinalar que, em apenas 15 anos (de 1990 a 2004), registaram-se na Europa dos 15 mais de 10 milhões de divórcios". Em 2004 registaram-se 955.600 divórcios - um aumento de quase 50 por cento em relação a 1980 (637 mil divórcios).
Para Eduardo Hertfelder, "a agravar a situação está o facto de a diferença entre matrimónio e divórcios ter diminuído para metade nos últimos anos, de maneira que, por cada dois casamentos que se realizam na União Europeia, um termina em divórcio".
O Instituto de Política Familiar é um organismo internacional sedeado em Madrid, que tem por missão a defesa e promoção da instituição familiar.
Fonte: Lusa