terça-feira, março 29, 2011

Um êxito:: Les Prêtres: Spirit Dei - 800.000 cópias vendidas







Afinal as pessoas lá no fundo tem algum apreço pela Igreja. Um disco para angariação de fundos para uma instituição bateu todos os recordes em França em 2010!!!

quinta-feira, março 24, 2011

OS MEDOS DA IGREJA

É, provavelmente, o medo o que mais paralisa os cristãos no seguimento fiel de Jesus Cristo. Na igreja actual há pecado e fragilidade, mas há sobretudo o medo de correr riscos. Começamos o terceiro milénio sem audácia para renovar criativamente a fé cristã. Não é difícil assinalar alguns destes medos.

Temos medo ao novo, como se «conservar o passado» garantisse automaticamente a fidelidade ao evangelho. É verdade que o Concílio Vaticano II afirmou de forma contundente que na Igreja deve haver uma «constante reforma», pois, «como instituição humana dela necessita permanentemente». No entanto, não é menos verdade que o que move a Igreja nestes tempos não é tanto um espírito de renovação, mas antes um instinto de conservação.

Temos medo de assumir as tensões e conflitos que traz consigo o procurar a fidelidade ao evangelho.

  • Calamo-nos quando devíamos falar;
  • inibimo-nos quando devíamos intervir.
  • Proíbe-se o debate de questões importantes para evitar posicionamentos que podem inquietar;
  • preferimos a adesão rotineira, que não traz problemas nem indispõe a hierarquia.

Temos medo da investigação teológica criativa. Medo de rever ritos e linguagens litúrgicas, que não favorecem hoje a celebração viva da fé. Medo de falar dos «direitos humanos» dentro da Igreja. Medo de reconhecer praticamente à mulher um lugar mais de acordo com o espírito de Jesus.

Temos medo de antepor a misericórdia acima de tudo, esquecendo que a Igreja não recebeu o «ministério do juízo e da condenação», mas sim o «ministério da reconciliação». Há medo de acolher os pecadores como Jesus fazia. Dificilmente se dirá hoje da Igreja que é «amiga de pecadores», como se dizia do seu Mestre.


Segundo o relato evangélico do passado Domingo, os discípulos caem por terra «muito assustados» ao ouvir uma voz que lhes diz: «Este é o meu Filho muito amado ... Escutai-. Mete medo escutar apenas Jesus. É o próprio Jesus que se aproxima, toca-lhes e diz-lhes: «Levantai-vos e não tenhais medo». Só o contacto vivo com Jesus nos podia libertar de tanto medo.

terça-feira, março 22, 2011

ESCUTAR JESUS NA SOCIEDADE ACTUAL

Há já alguns anos que era a religião que oferecia, à maioria das pessoas, critérios para interpretar a vida e princípios para a orientar com sentido de responsabilidade. Hoje, pelo contrário, são bastantes os que prescindem de Deus para enfrentar sós a sua vida, os seus desejos, medos e expectativas.

Não é tarefa fácil. Provavelmente, nunca foi tão difícil e problemático um indivíduo parar para pensar, reflectir e tomar decisões sobre si mesmo e sobre o importante da sua vida. Vivemos mergulhados numa «cultura da intranscendência» que liga as pessoas ao «aqui» e «agora», fazendo com que vivam só para o imediato, sem abertura alguma ao mistério último da vida. Movemo-nos numa «cultura do divertimento» que arranca as pessoas de si mesmo e as faz viver esquecidas das grandes questões que carregam no seu coração.

O homem de nossos dias aprendeu muitas coisas, está informado de quanto acontece no mundo que o rodeia, mas não sabe o caminho para se conhecer a si mesmo e construir a sua liberdade. Muitos subscreveriam a obscura descrição que o director de La Croix, G. Hourdin, fazia há alguns anos: «O homem está a tornar-se incapaz de querer, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar o seu modo de vida. Está a converter-se em robot disciplinado que trabalha para ganhar o dinheiro que depois usufruirá numas férias colectivas. Lê as revistas da moda, vê as emissões de televisão que todos vêem. Aprende assim o que é, o que quer e como deve pensar e viver».

Temos necessidade, mais do que nunca, de parar, de fazer silêncio, de escutar mais a Deus revelado em Jesus. Essa escuta interior ajuda a viver na verdade, a saborear a vida nas suas raízes, a não a desbaratar de qualquer maneira, a não passar superficialmente diante do essencial. Escutando Deus encarnado em Jesus, descobrimos a nossa pequenez e pobreza, mas também a nossa grandeza de seres amados infinitamente por ele.

Cada um é livre para escutar Deus ou para lhe virar as costas.

Mas, em qualquer caso, há algo que todos devemos recordar, ainda que seja escandaloso e contra cultural: viver sem um sentido último é viver de maneira «insensata»; agir sem escutar a voz interior da consciência é ser um «inconsciente»

domingo, março 20, 2011

PERDIDOS NA ABUNDÂNCIA

Uma das caractesticas das sociedades avançadas é o excesso, o desmesurado, a profusão de ofertas, a multiplicação de possibilidades. Oferece-se-nos tudo, podemos experimentar tudo. Não é fácil viver assim. Atraídos por mil reclamos, podemos acabar atordoados e sem capacidade para cuidar e alimentar o que é essencial.


Os centros comerciais e os supermercados expõem um sortido incrível de produtos. Os restaurantes apresentam cartas e menus com toda a classe de combinações. Podemos seleccionar um número cada vez mais alargado de cadeias de televisão. As agências propõem-nos todo o tipo de viagens e de experiências. A Internet abre caminho a um número ilimitado de imagens, impressões e contactos.

Por outro lado, jamais a informação foi tão invasora. Esmaga-nos com dados, estatísticas e previsões. As notícias sucedem-se com rapidez, impedindo-nos a reflexão sossegada e a meditação. Encharcada de informação, a nossa consciência toma-se receptiva de tudo e de nada. É cada vez mais fácil cair na indiferença e na passividade.


Todo este clima tem as suas consequências.

Há um grande número de pessoas que dá mais atenção às necessidades artificiais, descurando-se o essencial. Vive-se para o exterior, inclinados para as novidades exteriores, ignorando-se todo o mundo interior. O excesso de informação e a hiper-solicitação do consumismo dissolvem a força das convicções. São muitos os que vivem entretidos no anedótico, sem projecto nem ideal algum. Pouco a pouco, as pessoas tomam-se mais frágeis e inconsistentes. Tudo é problema, inclusivamente as coisas mais elementares: dormir, ir para férias, engordar, envelhecer.


As vezes, de forma vaga e difusa, outras de forma mais clara e precisa, são bastantes os que sentem decepção e desencanto ao experimentar que este estilo de vida despersonaliza, esvazia interiormente e incapacita para viver duma maneira sã. Esta insatisfação é um chamamento a reagir. Não basta andar entretido, funcionar sem alma e viver só de pão. Precisamos de alguma mais... será que já nos demos conta?