quarta-feira, março 31, 2010

Jovem foi condenado a cumprir 90 horas de trabalho comunitário por extorsão

Jovem exigiu 500 euros a padre para viajar até Londres
O indivíduo denunciado pelo cónego Ferreira dos Santos por extorsão exigiu, durante meses, centenas de euros para poder fazer uma viagem até Londres e obras em casa. Através de 49 mensagens escritas, ameaçou denunciar uma suposta relação amorosa.

Em participação à PSP, em Outubro de 2008, o clérigo contou que, desde há cerca de 10 anos, vinha ajudando S. O., por ser um jovem que vivia sem retaguarda familiar e com muitas dificuldades financeiras, tendo então um filho de sete anos. O homem, que então tinha 26 anos (hoje 28), tinha uma companheira grávida de alguns meses, na altura.

De acordo com documentos consultados pelo JN, o responsável pela Igreja da Lapa, no Porto, explicou à Polícia que, entre várias solicitações, o indivíduo chegou a pedir-lhe, em Abril de 2008, 500 euros para pagar um bilhete para viajar até Londres, Inglaterra, cidade onde dizia querer trabalhar, em prol dos seus filhos.

O padre garantiu que lhe deu a verba mas desconfiou que, à semelhança de outros casos, não seria aplicada na viagem. Apesar disso, acompanhou-o até ao autocarro, mas certificou-se no dia seguinte que o jovem, afinal, saíra logo na primeira paragem.

Por considerar que estava a ser enganado, com invenção de "todo o tipo de dificuldades e problemas", decidiu deixar de ajudá-lo. Só que S. O. continuou a pedir dinheiro. Aludiu à necessidade de dinheiro para obras.

Através de mensagens escritas que ficaram guardadas no telemóvel do cónego, percebe-se um ultimato de revelação pública de uma suposta relação amorosa e abusos sexuais, caso os pedidos não fossem satisfeitos.

As ameaças chegaram à entrega, na igreja da Lapa, a 11 de Outubro de 2008, de uma fotografia, tirada por telemóvel, de António Ferreira dos Santos em trajes menores na casa de banho da sua casa, acompanhada de uma carta.

Perante este quadro, o padre apresentou queixa. A PSP levou então o padre a aceitar uma reunião com o indivíduo, com hora marcada. A 15 de Outubro, os polícias surpreenderam S. O. no encontro e levaram-no para interrogatório.

Na esquadra, acabou por confessar ter sido o autor da carta ameaçadora e chegou mesmo a autorizar uma busca na sua casa, na freguesia de Campanhã, onde foram apreendidas mais cinco fotografias do padre sem roupa - tiradas "à socapa", disse. Também havia uma foto de uma cama.

As circunstâncias em que foram recolhidas as imagens não ficaram esclarecidas, mas do seu teor e das declarações posteriores de S. O., não resultaram indícios suficientes para determinar a abertura de um inquérito-crime por supostos abusos sexuais.

Às autoridades, o indivíduo acabou por dizer-se "arrependido" da sua conduta. E o padre concordou que o caso não avançasse para julgamento. Em vez disso, o DIAP do Ministério Público do Porto propôs uma suspensão provisória do processo, pelo prazo de um ano, sob condição de efectuar 90 horas de trabalho comunitário.

S. O. aceitou e cumpriu aquele período de colaboração gratuita na Associação do Porto de Paralisia Cerebral, junto à sua zona de residência, perto do Bairro do Cerco do Porto.

Fonte: NUNO MIGUEL MAIA in JN


Em qual das noticias devemos acreditar na do Correio da manhã ou do JN?
Será que podemos manchar o nome de uma pessoa e permanecer impunes?
E se investigassemos os senhores jornalistas, todos sairiam incolmes?

segunda-feira, março 29, 2010

Sacerdotes pedófilos: um pânico moral

Por que motivo se volta a falar de sacerdotes pedófilos, com acusações que remontam à Alemanha, a pessoas próximas do Papa, e talvez mesmo ao próprio Papa?
A sociologia tem alguma coisa a dizer sobre isto, ou deve deixar o assunto exclusivamente ao cuidado dos jornalistas?
Parece-me que a sociologia tem muito a dizer, e que não deve calar-se por receio de desagradar a algumas pessoas. Do ponto de vista do sociólogo, a actual discussão sobre os sacerdotes pedófilos constitui um exemplo típico de «pânico moral». O conceito surgiu nos anos 70 do século XX, para explicar a «hiperconstrução social» de que alguns problemas são objecto; mais precisamente, os pânicos morais foram definidos como problemas socialmente construídos, caracterizados por uma sistemática amplificação dos dados reais, quer a nível mediático, quer nas discussões políticas. Os pânicos morais têm ainda duas outras características:
  • em primeiro lugar, problemas sociais que existem desde há várias décadas são reconstruídos, nas narrativas mediáticas e políticas, como problemas «novos», ou como problemas que foram objecto de um alegado crescimento, dramático e recente;
  • em segundo lugar, a sua incidência é exagerada por estatísticas folclóricas que, embora não confirmadas por estudos académicos, são repetidas pelos meios de comunicação, podendo inspirar persistentes campanhas mediáticas.

Por seu turno, Philip Jenkins sublinhou o papel dos «empresários morais», pessoas cujos interesses nem sempre são óbvios, na criação e na gestão destes pânicos. Os pânicos morais não fazem bem a ninguém; distorcem a percepção dos problemas, comprometendo a eficácia das medidas destinadas a resolvê-los. A uma análise mal feita não pode nunca deixar de se seguir uma intervenção mal feita.

Sejamos claros: na origem dos pânicos morais estão condições objectivas e perigos reais; os problemas não são inventados, as suas dimensões estatísticas é que são exageradas.

Numa série de interessantes estudos, Philip Jenkins mostrou que a questão dos sacerdotes pedófilos é talvez o exemplo mais típico de pânico moral; com efeito, estão aqui presentes os dois elementos característicos desta situação: um dado real de partida, e um exagero deste dado por obra de ambíguos «empresários morais».

  1. Comecemos pelo dado real de partida. Há sacerdotes pedófilos. Alguns casos, repugnantes e perturbadores, foram alvo de condenações peremptórias, e os próprios acusados nunca se declararam inocentes. Estes casos – passados nos Estados Unidos, na Irlanda, na Austrália – explicam as severas palavras proferidas pelo Papa, bem como o pedido de perdão que dirigiu às vítimas. Mesmo que se tratasse apenas de dois casos – ou de um só –, seriam sempre demais; contudo, a partir do momento em que não basta pedir perdão – por muito nobre e oportuna que tal atitude seja –, sendo preciso evitar que os casos se repitam, não é indiferente saber se foram dois, ou duzentos, ou vinte mil. Como também não é irrelevante saber se os casos são mais ou menos numerosos entre os sacerdotes e os religiosos católicos do que entre outras categorias de pessoas. Os sociólogos são muitas vezes acusados de trabalhar com a frieza dos números, esquecendo que, por detrás dos números, se encontram pessoas; acontece porém que, embora insuficientes, os números são necessários, porque são o fundamento de uma análise adequada.
  2. Para se compreender como é que, a partir de um dado tragicamente real, se passou a um estado de pânico moral, é pois necessário perguntar quantos são os sacerdotes pedófilos. Os dados mais amplos sobre esta matéria foram recolhidos nos Estados Unidos onde, em 2004, a Conferência Episcopal encomendou um estudo independente ao John Jay College de Justiça Criminal da Universidade de Nova Iorque, que não é uma universidade católica e que é unanimemente reconhecida como a mais autorizada instituição académica americana em criminologia. De acordo com este estudo, entre 1950 e 2002, 4392 sacerdotes americanos (num total de 109.000) foram acusados de manter relações sexuais com menores; destes, pouco mais de uma centena foram condenados pelos tribunais civis. O reduzido número de condenações por parte do Estado deriva de vários factores. Em alguns casos, as vítimas – efectivas ou presumidas – acusaram sacerdotes que já tinham morrido, ou cujos alegados crimes já tinham prescrito; noutros casos, a acusação e a condenação canónica não corresponde à violação de nenhuma lei civil, como acontece, por exemplo, em diversos estados americanos em que o sacerdote tenha tido relações com uma – ou mesmo com um – menor com mais de dezasseis anos que tenha consentido no acto. Mas também houve muitos casos clamorosos de sacerdotes inocentes que foram acusados, casos que se multiplicaram na década de 1990, quando alguns escritórios de advogados perceberam que podiam arrancar indemnizações milionárias na base de simples suspeitas. Os apelos à «tolerância zero» justificam-se, mas também não deve haver tolerância relativamente à calúnia de sacerdotes inocentes. Acrescento que, relativamente aos Estados Unidos, os números não mudariam de forma significativa se lhes juntássemos o período de 2002 a 2010, porque o estudo do John Jay College já fazia notar o «notável declínio» do número de casos observado no ano 2000. As novas investigações foram muito poucas, e as condenações pouquíssimas, devido às rigorosas medidas introduzidas, quer pelos bispos americanos, quer pela Santa Sé.

    O estudo do John Jay College afirma, como muitas vezes se lê, que 4% dos sacerdotes americanos são «pedófilos»? Nem pensar. De acordo com o referido estudo, 78,2% das acusaçõesque já ultrapassaram a puberdade. Ter relações sexuais com uma rapariga de dezassete anos não é certamente um acto de virtude, muito menos para um sacerdote; mas também não é um acto de pedofilia. Assim, os sacerdotes acusados de pedofilia efectiva nos Estados Unidos foram 958 em cinquenta e dois anos, ou seja, dezoito por ano; as condenações foram 54, ou seja, pouco mais de uma por ano, referem-se a menores
  3. O número de condenações penais de sacerdotes e religiosos noutros países é semelhante ao dos Estados Unidos, ainda que não exista, relativamente a nenhum país, um estudo completo como o do John Jay College. Na Irlanda, são frequentemente citados relatórios governamentais, que definem como «endémica» a presença de abusos nos colégios e orfanatos (masculinos) geridos por algumas dioceses e ordens religiosas, e não há dúvida de que houve casos de gravíssimos abusos sexuais de menores neste país. Uma análise sistemática destes relatórios permite contudo perceber que muitas das acusações dizem respeito à utilização de meios correctivos excessivos ou violentos. O chamado Relatório Ryan, de 2009, que recorre a uma linguagem muito dura no que diz respeito à Igreja Católica, assinala, em 25.000 alunos de colégios, reformatórios e orfanatos, no período analisado, 253 acusações de abusos sexuais por parte de rapazes e 128 por parte de raparigas (e nem todas são atribuídas a sacerdotes, religiosos ou religiosas), de natureza e gravidade diversas, raramente referidas a crianças pré-púberes e que ainda mais raramente conduziram a condenações.
  4. As polémicas das últimas semanas, relativas à Alemanha e à Áustria, expõem uma característica típica dos pânicos morais: apresentar como «novos» factos ocorridos há muitos anos ou, como em alguns casos, conhecidos parcialmente há mais trinta anos. O facto de eventos ocorridos em 1980 terem chegado à primeira página dos jornais apresentados como se tivessem acontecido ontem – e com particular insistência no que diz respeito à Bavária, a área geográfica de onde o Papa é originário –, e de deles resultarem violentas polémicas, com ataques concentrados, que todos os dias anunciam, em estilo gritante, novas «descobertas», mostra claramente que o pânico moral é promovido por «empresários morais» de forma organizada e sistemática. O caso que – de acordo com os títulos de alguns jornais – «envolve o Papa» é um caso de manual; refere-se a um episódio de abusos que teve lugar na Arquidiocese de Munique da Baviera e Freising, da qual era Arcebispo o actual Pontífice, e que remonta a 1980. O caso veio à luz em 1985 e foi julgado por um tribunal alemão em 1986, estabelecendo, entre outras coisas, que a decisão de instalar o sacerdote em questão na diocese não tinha sido tomada pelo Cardeal Ratzinger, nem era sequer do seu conhecimento, circunstância que não é propriamente de estranhar numa diocese grande, com uma burocracia complexa. A verdadeira questão deve ser, pois: o que leva um jornal alemão a decidir recuperar o caso, e trazê-lo à primeira página vinte e quatro anos depois?
  5. Uma pergunta desagradável – porque o simples facto de a colocar parece uma atitude defensiva, e também não consola as vítimas –, mas importante, é a de saber se um sacerdote católico corre, pelo facto de o ser, mais riscos de vir a ser pedófilo ou de abusar sexualmente de menores do que a maioria da população, duas situações que, como se viu, não são idênticas, porque abusar de uma rapariga de dezasseis anos não é ser pedófilo. É fundamental responder a esta pergunta, para descobrir as causas do fenómeno, e portanto para poder evitá-lo. De acordo com os estudos de Philip Jenkins, comparando a Igreja Católica dos Estados Unidos com as principais denominações protestantes, a presença de pedófilos é, dependendo das denominações, duas a dez vezes superior entre os pastores protestantes. A questão é relevante, porque mostra que o problema não é o celibato, dado que, na sua maioria, os pastores protestantes são casados. No mesmo período em que uma centena de sacerdotes católicos eram condenados por abusos sexuais de menores, o número de professores de educação física e de treinadores de equipas desportivas jovens, também quase todos casados, considerados culpados do mesmo delito nos tribunais americanos atingia os seis mil. Os exemplos podem multiplicar-se, e não só nos Estados Unidos. E o principal dado a ter em conta, de acordo com os relatórios periódicos do governo americano, é o de que dois terços dos abusos sexuais a menores não são feitos por estranhos, ou por educadores – incluindo os sacerdotes católicos e os pastores protestantes –, mas por membros da família: padrastos, tios, primos, irmãos e pelos próprios pais. E existem dados semelhantes relativamente a muitos outros países.
  6. E há um dado ainda mais significativo, mesmo que politicamente incorrecto: 80% dos pedófilos são homossexuais, são homens que abusam de outros homens. E – voltando a citar Philip Jenkins – 90% dos sacerdotes católicos condenados por abusos sexuais de menores e pedofilia são homossexuais. Se a Igreja Católica tem efectivamente um problema, não é o do celibato, mas o de uma certa tolerância da homossexualidade nos seminários, que teve particular incidência nos anos 70, a época em que foi ordenada a grande maioria dos sacerdotes que foram posteriormente condenados por abusos. Um problema que Bento XVI está a corrigir com todo o vigor. De forma mais geral, o regresso à moral, à disciplina ascética, à meditação sobre a verdadeira e grandiosa natureza do sacerdócio, são os melhores antídotos contra a verdadeira tragédia que é a pedofilia; e o Ano Sacerdotal também deve ter esse objectivo.
  7. Relativamente a 2006 – altura em a BBC emitiu o documentário de Colm O’Gorman, deputado irlandês e activista homossexual – e a 2007 – altura em que Santoro apresentou a respectiva versão italiana em Annozero –, não há, na realidade, grandes novidades, à excepção de uma crescente severidade e vigilância por parte da Igreja. Os casos dolorosos dos quais se tem falado nas últimas semanas não são todos inventados, mas sucederam há vinte ou trinta anos.

Ou talvez haja uma novidade.

Como se explica esta recuperação, em 2010, de casos antigos e muitos deles já conhecidos, ao ritmo de um por dia, atacando de forma sempre mais directa o Papa, um ataque aliás paradoxal, tendo em consideração a enorme severidade, primeiro do Cardeal Ratzinger, e depois de Bento XVI, relativamente a este tema?

Os «empresários morais» que organizam o pânico têm objectivos específicos, objectivos esses que se vão tornando cada vez mais claros, e que não são a protecção das crianças.

A leitura de certos artigos permite compreender que – na véspera de escolhas políticas, jurídicas e mesmo eleitorais que, um pouco por toda a Europa e pelo mundo, põem em questão a administração da pílula RU486, a eutanásia, o reconhecimento das uniões homossexuais, temas em que a voz da Igreja e do Papa é quase a única que se ergue a defender a vida e a família – poderosos grupos de pressão se esforçam por desqualificar preventivamente esta voz com a acusação mais infamante, que é também, hoje em dia, a mais fácil de fazer: a acusação de favorecer ou tolerar a pedofilia.

Estes grupos de pressão mais ou menos maçónicos são uma prova do sinistro poder da tecnocracia, evocado pelo mesmo Bento XVI na encíclica Caritas in Veritate e denunciado por João Paulo II na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1985 (de 08.12.1984), quando se referia aos «desígnios ocultos», a par de outros «abertamente propagandeados», «com vista a subjugar os povos a regimes em que Deus não conta».

Vivemos realmente numa hora de trevas, que traz à mente a profecia de um grande pensador católico do século XIX, o piemontês Emiliano Avogadro della Motta (1798-1865), que afirmava que das ruínas provocadas pelas ideologias laicistas nasceria uma verdadeira «demonolatria», que se manifestaria de modo especial no ataque à família e à verdadeira noção do matrimónio.

Restabelecer a verdade sociológica sobre os pânicos morais relativamente aos sacerdotes e à pedofilia não permitirá travar este grupo de pressão, mas poderá constituir, pelo menos, uma pequena e devida homenagem à grandeza de um Pontífice e de uma Igreja feridos e caluniados porque se recusam a calar-se nas matérias que dizem respeito à vida e à família.

Fonte: LOGOS

New York Times: o Papa, os abusos e uma parte da verdade

O NY Times do dia 24 de Março publica uma notícia com o título "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes".

Em resumo, o artigo reproduz a trágica história de Lawrence C. Murphy que terá abusado de 200 rapazes surdos num Colégio na Diocese de Milwaukee, onde trabalhou entre 1950 e 1974. As primeiras acusações de abusos contra L. Murphy surgiram a partir de 1974 e todas elas foram arquivadas pelo tribunal civil.

Da documentação reproduzida pelo NY Times, fica provado que, os únicos a preocuparem-se com as vítimas foram as autoridades diocesanas, que afastaram Murphy de cargos e até o mudaram de Diocese (de Milwaukee passou à Diocese de Superior), onde o único encargo que tinha era ajudar o Pároco da zona onde passou a residir.

Desde 1974 até 1996, a Diocese de Milwaukee abriu vários expedientes processuais canónicos tendo em vista a gravidade dos acontecimentos, com a finalidade de o obrigar a obter a dispensa das obrigações do estado clerical. É no âmbito destes processos judiciais canónicos que surge um dado novo: algumas tentativas de abuso por parte de Murphy terão sido feitas durante a confissão. Uma vez que este delito está na esfera da competência da Congregação para a Doutrina da Fé, em 1996 (ou seja, 22 anos depois de Murphy ter sido afastado do trabalho com crianças e já depois das autoridades civis se terem desinteressado do seu caso, arquivando os processos de denúncia), o Bispo de Milwaukee escreve para a Congregação presidida na altura pelo Card. Ratzinger a pedir esclarecimentos sobre se a competência para julgar o P. Murphy é da Congregação para a Doutrina da Fé ou é da Diocese americana. É neste contexto que o Vaticano tem conhecimento do processo e do caso do P. Murphy.

"A Congregação para a Doutrina da Fé, considerando que os factos era de há mais de duas décadas, que o culpado se tinha arrependido, que não tinha reincidido e que o sacerdote estava moribundo (faleceu quatro meses depois), decidiu não tomar medidas canónicas contra ele pelo delito de violação da confissão, único âmbito da sua competência".

O título do NY Times rapidamente passou de "Vaticano negou-se a expulsar padre que abusou de rapazes" a "Bento XVI terá encoberto padre norte-americano". No entanto, mais uma vez, a tentativa de implicar o actual Papa no encobrimento de casos de abusos de menores torna a falir.
Fonte: aqui

Saraiva Martins: 99% dos padres vivem uma vida de sacrifício e de compromisso a favor da sociedade

O cardeal José Saraiva Martins, prefeito emérito da congregação para a Causa dos Santos, "tolerância zero" contra os padres pedófilos, mas salvaguardou que por detrás destes casos também há uma "maquinação" para atacar a Igreja.

José Saraiva Martins salientou quinta-feira, que os casos de pedofilia não são específicos da Igreja, que a maior parte acontece noutros meios da sociedade e os seus autores não são sacerdotes. "Não digo que seja a maçonaria ou qualquer outro grupo, só digo que existe uma maquinação, um objectivo muito preciso, bem claro, para atacar a Igreja", afirmou o bispo.

O cardeal português denunciou que na sociedade actual se assiste a uma progressiva descristianização e a uma indiferença religiosa e que se vai impondo uma mentalidade contra os valores cristãos. Os casos dos padres pedófilos servem de pretexto "para atacar a Igreja".

Saraiva Martins defendeu os sacerdotes, afirmando que 99% vivem uma vida de sacrifício e de compromisso com a sociedade e, portanto, é "injusto" apresentá-los "como se todos" fossem pedófilos.

Saraiva Martins defendeu as acções e medidas do Papa Bento XVI para resolver os casos de abuso sexual e, na mesma linha, apelou a um maior rigor na escolha de candidatos ao sacerdócio e à formação contínua dos sacerdotes
Fonte: JN

quarta-feira, março 24, 2010

"Nenhum Bispo imposto" - José Ignacio González Faus

"Quando não existia a democracia, a Igreja elegia os seus bispos democraticamente a partir das comunidades locais. Agora, que já temos a democracia, há nomeações a dedo. Em vez de ser sinal, como era nos primeiros tempos, converte-se num anti-sinal".
José Ignacio González Faus
Os próximos bispos vão ser escolhidos a dedo?
Quando é que o povo cristão de uma diocese terá a oportunidade de se pronunciar?...

terça-feira, março 23, 2010

“Não podemos continuar a viver como se nada se passasse. Ignorando. Disfarçando” - Pe. José Manuel Pereira de Almeida

Responsáveis portugueses admitem que é necessário repensar formação dos sacerdotes

O Pe. Jorge Teixeira da Cunha, considera que “a ocorrência do abuso de crianças não tem que ver com a questão do celibato do clero católico”.

“A grande maioria dos casos de abuso de crianças é cometido por pessoas que não têm vida celibatária por motivos religiosos”.

“Perante estes, a cultura comum não sente o mesmo efeito de escândalo que sente diante dos clérigos. Por isso, não seria de fazer uma ligação directa entre estes factos”,
observa, admitindo que possa haver “um entendimento deficiente do celibato eclesiástico”. E acrescenta que “o reconhecimento generalizado da cultura de hoje de uma recusa do abuso de crianças deve ser para a Igreja um motivo de pensar de novo a selecção dos clérigos e a sua educação”.

Há o perigo de chegarem ao sacerdócio “pessoas de propósitos menos claros”, pelo que “a vocação ao ministério sacerdotal de que necessita a Igreja em todos os tempos tem de ser pensada dentro de uma cultura nova, a mesma que rejeita a pedofilia”.

“O que se pede à Igreja é uma humildade muito grande para reconhecer a mão esquerda da Providência neste fenómeno”.
Fonte: Agência Ecclesia
Alguém sabe se na Igreja Católica de rito oriental, onde o celibato é opcional e a maior parte dos sacerdotes casados, há casos de pedofilia?
Já agora valia a pena pensar nisto.

O distanciamento entre as directrizes pastorais da hierarquia e prática dos fiéis

A voz oficial da Igreja, o magistério ordinário, perdeu autoridade e credibilidade, porque é incapaz de reconhecer os seus erros. É duro dizê-lo, mas a realidade confirma-o.
A Igreja atravessa uma fase de involução que não augura nada de bom. O inverno da Igreja, no qual nos encontramos, ressuscitou as palavras de Santa Teresa de 'tiempos recios'. A perseguição da obra de José Antonio Pagola: 'Jesús. Aproximación histórica' é sintomática.

A questão é a de que existe uma cristologia falsa, hetereodoxa, que não pode com a visão cristologica do Autor. Poderiamos reduzir a questão a dois silogismos.
Existem uns que, apesar de toda a boa vontade, actuam da siguente forma: Jesus era Deus, é assim que Deus é, logo se Deus é assim, Jesus tem de ser desta e desta e desta maneira. Sem se darem conta projectam em Jesus a ideia pré-fabricada que eles já têm de Des. Desconhecem que Deus altera as nossas ideias sobre ele. É um Deus que renuncia ao poder, que se esvazia da sua imagem divina, que prefere identificar-se connosco em vez de se distanciar.
A maneira de proceder do argumento teria de ser ao contrário: Jesus é assim; é assim que Jesus é Deus, logo Deus é desta e desta e desta maneira. Que é como procedeu Pagola. Uma investigação histórica que nos acerca do homem Jesus. Nada mais. A partir daqui cremos que Jesus era a revelação de Deus, poiss se nos revela algo sobre Deus nessa humanidade de Jesus.

quarta-feira, março 17, 2010

A "santidade" do celibato

"O celibato 'não é santo', nem 'sagrado', é, muito mais 'funesto', já que exclui um grande número de bons candidatos ao sacerdócio" e expulsou um grande número de religiosos que desejavam casar-se.

"A lei do celibato não é uma verdade da doutrina da fé, mas uma mera lei eclesiástica do século XI, que devia ter sido abolida no século XVI perante as exigências dos reformadores", assim como uma norma que a maioria do povo e do clero deseja que seja revista.
Cria mais problemas do que resolve...
Se não pertence à ordem da fé, mas têm a sua origem numa disciplina eclesiástica que nem é universal (na Igreja Católica de rito oriental é opcional) não vejo qualquer dificuldade para que volte a ser aquilo que foi durante o primeiro milénio. Fala-se tanto em tradição e esquece-se que a tradição mais antiga é a do celibato opcional (1100 anos) !!! Se se pode defender esta possibilidade para quê impo-lo de modo obrigatório a toda a Igreja de rito latino?
Apesar de todo os escândalos, não podemos esquecer que a instituição que está a travar uma batalha mais clara contra os abuxos sexuais de menores é a Igreja Católica... (veja este exemplo) temos que realçar que, apesar de todo o sofrimento causado, não podemos concluir que esta é a instituição onde acontecem com mais frequência estes abusos. É verdade que o problema não pode ser visto quantitativamente - ainda que houvesse apenas um este seria inaceitável - mas também é verdade que não podemos enlamear todos os 400.000 sacerdotes que existem no mundo. Se Judas traiu Jesus, não significa que os outros 11 apostólos não foram santos...
Sabia que...
“Algumas das mais celebradas figuras da intelectualidade “gauchiste” parisiense, incluindo Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Michel Foucault, Jacques Derrida, Philipe Sollers, Jack Lang e Bernard Kouchner (estes dois foram anos mais tarde ministros socialistas da educação e da saúde), assinaram uma petição colectiva onde se apelava à legalização das relações com menores, a pretexto dos processos contra três homens condenados por atentado ao pudor nas pessoas de menores com 12 e 13 anos de idade.
Figuras importantes da política europeia assinaram uma petição a solicitar... a despenalização da pedofilia! Quem eram essas «personalidades»?
Jean-Paul Sartre, Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Roland Barthes, Alain Robbe-Grillet, Françoise Dolto, Jacques Derrida, Bernard Kouchner, André Glucksmann, François Chatelet, Jack Lang e muitos outros de Félix Guattari a Patrice Chéreau ou Daniel Guérin e Philippe Sollers. Interrogado hoje, Sollers não se recorda:
«Havia tantas petições, assinava-se quase automaticamente...».
Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes de extrema-esquerda do Maio de 68, hoje deputado europeu pelo partido Os Verdes, dava conta de um dos motivos que o levava a considerar a pedofilia como normal, contando as suas experiências num jardim de infância alternativo com crianças de 5 e 6 anos: «Eles abriam-me a braguilha (...) o desejo deles colocava-me um problema, mas eles insistiam e eu acariciava-os apesar de tudo».” E quanto as indeminizações que já foram pagas pelo partido Os Verdes?

terça-feira, março 16, 2010

No passado o problema foi abafado...

Foi o grande Papa São Gregório VII (papa de 1073 a 1085) que introduziu na Igreja o celibato obrigatório para os seus sacerdotes, fazendo com a melhor das intenções, pois queria seleccionar os candidatos para o clero, com excepção para os padres da Igreja Católica Bizantina, do Oriente Médio, já que a Igreja estava numa situação muito delicada naquela região, por causa do Cisma de 1054, quando Cerulário, Arcebispo de Constantinopla, decretou a separação da sua Arquidiocese de Roma, fundando a denominada Igreja Ortodoxa Grega.
Muitos padres da Igreja Católica Bizantina já tinham aderido à Igreja Ortodoxa Grega, por causa da questão Filioque (divergências sobre a Santíssima Trindade com relação à Igreja de Roma). E, caso o celibato obrigatório fosse exigido, teria havido uma debandada geral para a Igreja Ortodoxa Grega.
Sobre o nosso assunto em causa, o Homem de Nazaré deixou claro que há eunucos de vários tipos, mas que os verdadeiros são os feitos pelo Reino dos Céus. Todavia, quando um jovem recebe o Sacramento da Ordem, tornando-se padre, ele não se transforma, como que por encanto, num desses eunucos santos. E eis aí a questão. Esse padre pode entrar numa forte crise existencial, pois que sua vocação sacerdotal pode ter sido uma ilusão, ou seja, fruto de um idealismo próprio da imaturidade dos jovens.
E, assim, ele está sujeito a aventuras amorosas, ou então, mais raramente, passará a sofrer distúrbios psicológicos, que podem levá-lo às tendências homossexuais ou pedófilas. Logo um padre, que deveria ser um modelo de moral e boa conduta para as outras pessoas, envereda pelo caminho de práticas pecaminosas e até criminosas, como no caso da pedofilia. Isso, como não podia deixar de ser, escandaliza tremendamente as pessoas. E aqui até vem à baila a conhecida frase paulina: “É melhor casar que abrasar”.
Embora tenhamos uma grande admiração para com a Igreja e o clero, custa-nos acreditar que o celibato forçado não tenha nada a ver com todo este escândalo que está a assolar a Igreja. E cremos que todas estas irregularidades existiam também no passado, só que eram abafadas, o que não se consegue fazer facilmente hoje.
E não seria a solução para todos esses problemas a extinção do celibato obrigatório para os padres? Por que não, se ele, como vimos, não existe para os padres da Igreja Católica Bizantina, se São Pedro era casado, e São Paulo disse que o bispo deveria ter uma só esposa, do que até se infere que o padre poderia ter mais de uma?
José Reis Chaves in “A Face Oculta das Religiões”, Ed.Martin Claret

quinta-feira, março 11, 2010

Só 94 dos 210 mil casos de abuso sexual (0,044 %) afectam pessoas ou instituições da Igreja católica

Desde 1995 foram denunciados na Alemanha 210 mil casos de abusos sexuais de algum tipo. Deles, 94 (noventa e quatro) afectam as pessoas ou instituções da Igreja católica. Isso supõe o 0,044 %. Os dados oferecidos pelo veterano periodista Luigi Accattoli num artigo publicado no Liberal (9 de março).

Antes de seguir em frente, sublinho -para evitar equivocos- o que já afirmei várias vezes: um só caso já é demasiado. Não se trata, portanto, de fazer um ranking nem de ver quem se comportou pior. Mas ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que -a julgar pelos titulares de imprensa destes dias-, se pode concluir que a grande besta negra é a Igreja católica e os seus depravados ministros.

"É fácil explicar a fúria dos meios de comunicação social para com o clero católico”, diz Accattoli. “O mundo dos periodistas apoia espontaneamente a 'revolução sexual' e individua fácilmente no clero católico a maior resistência a tal orientação, daqui o ímpeto de realçar -se pode- as contradições”. É uma observação interessante duma pessoa que trabalha à 40 anos nos diários como La Repubblica e Corriere della Sera.

Deixando de lado o que podem dizer ou fazer os outros, é admirável a "operação de limpeza" que está a levar a cabo Bento XVI.

Schönborn considera o celibato como uma das causas da pederastia

Nestes casos, é "sempre toda a igreja que é acusada"
"Basta de escândalos! Como fazemos para sermos todos considerados suspeitos de infracções que não cometemos? Porque é sempre toda a igreja que é acusada"

O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, considera que o celibato dos sacerdotes, particularidade da Igreja católica latina, explica em parte os actos de pedofilia cometidos por religiosos, numa publicação da sua diocese esta terça- Feira.

Ao interrogar-se sobre as causas deste tipo de abusos, denunciados um átras do outro na Alemanha e na Austria recentemente, o cardenal disse que entre as causas figuram "também a educação dos sacerdotes tanto como as consequências da revolução sexual da geração de 1968, e o celibato como desenvolvimento pessoal".

Christoph Schönborn pediu uma "mudança de visão" sobre o celibato, assunto tabú para o Vaticano.

"Basta de escândalos! Como fazemos para sermos todos considerados suspeitos de infracções que não cometemos? Porque é sempre toda a igreja que é acusada", acrescenta o prelado.
(RD/Agencias)

Bispo alemão quer expulsão de padres pederastas

O bispo de Ratisbona (Alemanha), Gerhard Muller, defendeu hoje, quinta-feira, em Roma que os sacerdotes "manchados com delitos de pederastia" não podem continuar a exercer o ofício. "Os sacerdotes que se mancham com delitos de pederastia não podem continuar como representantes de Cristo. Todos sabem que este pecado exclui, expulsa do sacerdócio", declarou o prelado alemão, em cuja diocese se registaram casos de abusos sexuais contra menores na segunda metade do século passado, cometidos por padres católicos.

O observador permanente da Santa Sé na ONU em Genebra, Silvano Mara Tomasi, considerou "não existirem desculpas para estes comportamentos", segundo referiu a Rádio Vaticano. O abuso sexual sobre menores "é sempre um crime odioso", um pecado grave que ofende Deus e a dignidade humana.

O papa Bento XVI recebe em audiência na sexta feira o responsável máximo da igreja católica alemã, o arcebispo Robert Zollitsch, para se inteirar das investigações que estão a ser feitas sobre os numerosos casos de abusos sexuais de menores em colégios e internatos na Alemanha. Os casos, a maioria dos quais remonta às décadas de 1970 e 1980, envolvem 19 das 27 dioceses católicas.
Fonte: JN

terça-feira, março 02, 2010

Os padres estão na moda nas TV autonómicas de Espanha

Segundo informa o diário "El mundo", na terça-feira 2 de março de 2010, a Telemadrid emitirá a série "Padre Casares" que é um êxito na televisão galega. Oferecemos a notícia:

No TVGA 'Padre Casares' ultrapassou todos os records de audiência. É a série mais vista na Galiza em 2009. Reflecte as anedotas de um povo ao qual chega um padre moderno, que não é bem recebido pelo antigo pároco da terra e onde está um Presidente de Junta marxista militante e uma professora atea. Tudo isto com grandes doses de humor e argumentos inspirados na realidade.

A sua audiência média está acima dos 8%, e têm um record por capítulo de 36,4% de share. Tudo isto acontece numa povoação chamada Santo Antonio de Louredo, um pequeno povo da costa galega. Aí, um padre jovem, vê-se obrigado a tratar com D. Crisanto, o ancião e resmungão predecesor, Delmiro, o Presidente de Junta marxista, o Iria, a professora atea.


Depois do êxito de 'Padre Casares', a televisão balear, IB3, estreou no mês de setembro "Mossén Capellá', e Canal Sur também emite uma versão andaluza, 'Padre Medina', ambas baseadas no formato galego.
As televisões de carácter nacional, talvez por perconceito, ao contrário das autonómicas, esqueceram este formato. Mas como podemos ver pelo êxito os padres estão na moda na TV...