quarta-feira, outubro 26, 2005

O EXEMPLO DA POLÓNIA NA LUTA CONTRA O ABORTO

O povo polaco, que encabeçou a libertação dos povos europeus submetidos às ditaduras comunistas, demonstrou que se pode ultrapassar um longo passado “pró-aborto”. Dos quase 60 mil abortos registados no ano de 1990, passou-se para apenas 159 em 2002, graças à nova legislação familiar polaca…
Por Pablo López* Professor de Filosofia
O povo polaco, que encabeçou a libertação dos povos europeus submetidos às ditaduras comunistas, demonstrou que se pode ultrapassar, facilmente, um longo passado “pró-aborto”. A legalização e a promoção do aborto foi uma criação do invasor nazi (1942), que o comunismo retomou sob a imposição estalinista (1956).
A três anos da libertação, a democracia determinou, para a Polónia, a abolição quase geral duma prática que custou a vida a muitas centenas de milhares de pequenos polacos e o sofrimento dum enorme número de mães. Dos quase 60 mil abortos registados no ano de 1990, passou-se para apenas 159 em 2002. Além disso, reduziu-se muito o número de assassinatos de recém-nascidos, o número de mortes por causa de gravidez e parto e o número de casos de gravidez em menores.
Embora a nova legislação familiar polaca de 1993 esteja ainda longe de ser plenamente justa, pois aceita casos discriminatórios de aborto, constitui um enorme e exemplar avanço que salvou muitas vidas humanas não se tendo sequer verificado qualquer efeito negativo como contrapartida.~
A lei familiar polaca penaliza o pessoal médico que pratica abortos, não as mães. Despenaliza apenas o aborto em caso de sério perigo para a vida ou a saúde da mãe, de graves problemas no feto e de gravidez provocada por abusos. Estes pressupostos, aplicados com o devido rigor e vigilância e acompanhados pela aplicação de uma série de medidas educativas e de apoio à mulher, permitiram uma grande melhoria na base familiar da estrutura social polaca.
Estes casos hipotéticos da legislação polaca só em aparência é que têm algo de semelhante com a legislação espanhola, dado que em Espanha o controlo prático do aborto é muito insuficiente. Prova disso é o facto de muitas mães de países tão abortistas como a França e o Reino Unido se dirigirem a Espanha para abortar, porque em Espanha o controlo é muito menor.
Uma explicação é o regulamento de aplicação da lei espanhola, que permite que um psiquiatra do próprio centro ou clínica abortista certifique o perigo para a saúde psíquica da cliente. Tendo em conta que quase todos os abortos provocados em Espanha são efectuados com a desculpa de perigo psíquico para a mãe (um pressuposto sem limite temporal durante a gravidez) e que são realizados em clínicas privadas que recebem numerosos benefícios, na prática, o resultado é o do aborto a pedido e sem controlo, tal como aquele que os nazis impuseram na Polónia.
São vários os aspectos positivos da lei familiar polaca de Janeiro de 1993:
  • garante um apoio económico às mulheres grávidas pobres para antes e depois do parto;
  • introduz um Programa de Melhoria dos Cuidados Pré-Natais, que reduziu o número de mortes de recém-nascidos para metade;
  • a partir de 1998 e, como prolongamento da lei, começou a conceder-se a frequência de “Educação Pró-Família”, que inclui planeamento familiar natural para jovens dos 11 aos 19 anos;
  • nos últimos quatro anos deu-se formação a 16.000 professores sobre temas relativos à família para que colaborassem com os pais em favor da educação para o casamento, da maturidade psico-sexual e da paternidade responsável.

Os agoirentos e os lobbies abortistas fracassaram clamorosamente em todas as suas funestas predições. Agora ser-lhes-á difícil voltar a enganar o povo, cuja consciência a favor da vida aumentou rapidamente até ao ponto de atingir cerca de 81%. Os seus sofismas eram os mesmos de sempre:

  • que a sociedade exigia o aborto através de práticas ilegais (como se a ilegalidade e os homicídios à margem da lei fossem um argumento válido);
  • que os abortos clandestinos, os infanticídios, o abandono de bebés e o número de casos de gravidez em adolescentes aumentaria desmedidamente;
  • que as prisões se encheriam de mulheres que teriam abortado;
  • que os hospitais entrariam em colapso. Tudo isto se demonstrou ser uma falsa cadeia de amedrontamentos.

Cada país tem as suas peculiaridades. Mas aparte a reconhecida autenticidade da vida cristã de muitos polacos, naquele país europeu de dimensões e tradição cultural análogas às do nosso país, pesam muito as décadas de ditadura e de ateísmo oficial. Contudo, a Igreja não ficou sozinha na defesa da vida, que não é questão de “direitas” nem de “esquerdas”, nem de cristianismo face a secularismo, mas de elementar humanismo e senso comum, se não falha a correcta informação. Até o anterior presidente polaco é um ex-comunista que hoje se pode apresentar como um ex-abortista, como o seu país. A Polónia progrediu dum sistema pró-aborto, de realização sistemática do aborto, para outro em que subsistem apenas casos isolados de aborto, os quais têm de ser seguidos com a educação e o apoio às mães. É claro que Espanha também se pode tornar ex-abortista, tal como já grande parte da população está a reclamar.

Fonte: Pablo López, in Alba - semanario de información, Ano II, nº 54, 14-20 de Outubro de 2005, p. 53

terça-feira, outubro 25, 2005

PADRE TOMA POSSE COMO PRESIDENTE DA CÂMARA

"Deus nos ajude". Foram as últimas palavras do discurso de tomada de posse, ontem, do presidente da câmara de Vieira do Minho. Palavras comuns de alguém que acredita, mas que, na boca de Albino Carneiro, têm um significado especial. Padre de formação, todos os olhares vão estar concentrados nele, nos próximos quatro anos.

"Ele será sempre padre" é a expressão que os populares mais dizem quando se lhes pede que comentem a sua eleição. "Estamos na expectativa, porque Vieira precisa realmente de uma mudança", refere Carla Sousa, que há quatro anos não votou em Albino Carneiro, porque "fazia um bocado confusão ele ser padre e político", mas que em 9 de Outubro não teve "problema nenhum em lhe dar o voto. Provou que consegue ser padre e político!".

Se um dos mais veteranos presidentes de junta estava rendido - "Nunca vi tanta gente numa tomada de posse" -, a entrada de Albino Carneiro foi literalmente feita com palmas e muitas palavras de incentivo. "Neste dia uns estão muito tristes, outros estão muito contentes, mas espero que no fim fiquem todos satisfeitos", dizia Maria Pereira, enquanto esperava que as portas do salão nobre, muito pequeno para tanta gente, se abrissem.

A abençoar "a missa nova" do autarca estiverem os presidentes da câmara de Barcelos, Terras de Bouro e Póvoa de Lanhoso, a que se juntaram alguns deputados sociais-democratas. Na assistência, uma blusa com cravos vermelhos era o símbolo de toda esta cerimónia "Para nós, a vitória dele foi uma espécie de revolução. Estávamos cansados dos joguinhos do poder", adianta Manuel Vilas, um dos entusiastas "do Padre Albino, porque, para mim, será sempre padre. Ser presidente é um acrescento".

"Novo ciclo"

"O momento muito especial e único" na vida de Albino Carneiro é também o início "de um novo ciclo que não renegará o passado, mas levará em consciência os seus constrangimentos, dificuldades, inoperâncias, desajustes e erros". E porque, cristãmente, não é correcto "proceder a um ajuste de contas", o "missionário autarca" preferiu "convocar todos, mas mesmo todos, a partilhar connosco a tarefa de construirmos um concelho melhor".

A mensagem esteve recheada de referências cristãs, tais como o "interesse colectivo", "bem comum", "pluralidade de ideias", "participação de todos", nunca esquecendo Albino Carneiro a esperança "Com trabalho desenvolveremos o nosso concelho. Pela esperança alimentaremos os sonhos de construir uma sociedade melhor, um concelho mais desenvolvido, uma terra com mais oportunidades para todos os vieirenses".

Voltando a referir a acção social, a educação e a revisão do Plano Director Municipal como as principais áreas de intervenção, para o novo presidente da Câmara "é nos tempos difíceis que é preciso ter mais coragem e mais alento", porque "diz-se que das dificuldades nascem oportunidades e nós vamos aproveitar todas as oportunidades que tivermos para conseguirmos os objectivos a que nos propusemos".
fonte: JN

segunda-feira, outubro 24, 2005

«Proposições» do Sínodo sobre a Eucaristia (1-10) Documentos que se apresentam ao Sumo Pontífice

Proposição 1
Quer-se apresentar à consideração do Sumo Pontífice, além dos documentos sobre a Eucaristia, fonte e cume da vida e da missão da Igreja, relativos a este Sínodo, ou seja, os «Lineamenta», o «Instrumentum laboris», as apresentações «ante e post disceptationem» e os textos das intervenções, tanto os apresentados na sala por escrito, como as palavras dos círculos menores e suas discussões, sobretudo algumas propostas específicas que os padres consideraram de especial relevo. Os padres sinodais pedem humildemente ao Santo Padre que avalie a oportunidade de publicar um documento sobre o sublime mistério da Eucaristia na vida e na missão da Igreja.
Proposição 2 - A reforma litúrgica do Vaticano II
A Assembléia Sinodal recordou com gratidão o influxo benéfico que a reforma litúrgica realizada a partir do Concílio Vaticano II teve para a vida da Igreja. Esta pôs de relevo a beleza da ação eucarística que resplandece no rito litúrgico. No passado se verificaram abusos, não faltam nem sequer hoje, ainda que diminuíram muito. Contudo, tais episódios não podem obscurecer a bondade e a validade da reforma, que contém ainda riquezas que não estão totalmente exploradas, mas interpelam a uma maior atenção com respeito ao «ars celebrandi», o qual favorece a «actuosa participatio». Primeira parte O povo de Deus educado na fé na Eucaristia A fé na Eucaristia
Proposição 3 - A novidade do mistério pascal
Ao instituir a Eucaristia, Jesus criou uma novidade radical: cumpriu em si mesmo a nova e eterna aliança. Jesus inscreve, no contexto da cena ritual judaica, que concentra no memorial o acontecimento passado da libertação do Egito, sua importância presente e a promessa futura, sua entrega total. O verdadeiro Cordeiro imolado se sacrificou de uma vez por todas no mistério pascal e é capaz de libertar para sempre o homem do pecado e das trevas da morte. O Senhor mesmo nos ofereceu os elementos essenciais do «culto novo». A Igreja, enquanto esposa e guiada pelo Espírito Santo, está chamada a celebrar o convite eucarístico, dia após dia, «em sua memória». Inscreve o sacrifício redentor de seu Esposo na história e o faz presente sacramentalmente em todas as culturas. Este «grande mistério» celebra-se nas formas litúrgicas que a Igreja, iluminada pelo Espírito Santo, desenvolve no tempo e no espaço. Na celebração da Eucaristia, Jesus, substancialmente presente, introduz-nos mediante seu Espírito na páscoa: passamos da morte à vida, da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria. A celebração da Eucaristia reforça em nós este dinamismo pascal e consolida nossa identidade. Com Cristo, podemos vencer o ódio com o amor, a violência com a paz, a soberba com a humildade, o egoísmo com a generosidade, a discórdia com a reconciliação, o desespero com a esperança. Unidos a Jesus Cristo, morto e ressuscitado, podemos levar cada dia sua cruz e segui-lo, com vistas à ressurreição da carne, seguindo o exemplo dos mártires da antiguidade e de nossos dias. A Eucaristia como mistério pascal é prenda da glória futura e dela nasce já a transformação escatológica do mundo. Celebrando a Eucaristia, antecipamos esta alegria na grande comunhão dos santos.
Proposição 4 - A Eucaristia como dom que brota do amor de Deus
A Eucaristia é um dom que brota do amor do Pai, da obediência filial de Jesus levada até o sacrifício da cruz, feito presente para nós no sacramento, da potência do Espírito Santo que, chamado sobre os dons pela oração da Igreja, transforma-os no Corpo e no Sangue de Jesus. Nela se revela plenamente o mistério do amor de Deus pela humanidade e se cumpre Seu desígnio de salvação marcado por uma gratidão absoluta, que responde só a Suas promessas, cumpridas mais além de toda medida. A Igreja acolhe, adora, celebra este dom com trêmula e fiel obediência, sem arrogar-se nenhum poder de disponibilidade que não sejam os que Jesus lhe confiou para que o rito sacramental se realize na história. Sob a cruz, a Santíssima Virgem se une plenamente ao dom sacrificial do Salvador. Por sua imaculada conceição e plenitude de graça, Maria inaugura a participação da Igreja no sacrifício do Redentor. Os fiéis «têm direito de receber abundantemente dos sagrados pastores os bens espirituais da Igreja, sobretudo as ajudas da Palavra de Deus e os sacramentos» (LG 37; cf. CIC can. 213; CCEO can. 16), quando o direito não o proíba. A tal direito, corresponde o dever dos pastores de fazer todo o possível para que o acesso à Eucaristia não seja impedido na prática, mostrando a este respeito solicitude inteligente e grande generosidade. O Sínodo aprecia e agradece os sacerdotes que, inclusive à custa de sacrifícios às vezes grandes e arriscados, asseguram às comunidades cristãs este dom de vida e as educam a celebrá-lo em verdade e plenitude.
Proposição 5 - Eucaristia e Igreja
A relação entre a Eucaristia e a Igreja se entende na grande tradição cristã como constitutiva do ser e do atuar da própria Igreja, até o ponto de que a antiguidade cristã designava com as mesmas palavras, «Corpus Christi», o corpo nascido da Virgem Maria, o corpo eucarístico e o corpo eclesial de Cristo. Esta unidade do corpo manifesta-se nas comunidades cristãs e renova-se no ato eucarístico que as une e as diferencia em Igrejas particulares, «in quibus et ex quibus una et unica Ecclesia catholica existit» (LG 23). O termo «católico» expressa a universalidade proveniente da unidade que a Eucaristia, celebrada em cada Igreja, favorece e edifica. As Igrejas particulares na Igreja universal têm assim, na Eucaristia, a tarefa de fazer visível sua própria unidade e sua diversidade. Este laço de amor fraterno deixa transparente a comunhão trinitária. Os concílios e os sínodos expressam na história este aspecto fraterno da Igreja. Por esta própria dimensão eclesial, a Eucaristia estabelece um forte laço de unidade da Igreja católica com as Igrejas ortodoxas, que conservaram a genuína e íntegra natureza do mistério da Eucaristia. O caráter eclesial da Eucaristia poderá ser também um ponto privilegiado no diálogo com as comunidades nascidas com a Reforma.
Proposição 6 - A Adoração eucarística
O Sínodo dos Bispos, reconhecendo os múltiplos frutos da adoração eucarística na vida do povo de Deus em tantas partes do mundo, encoraja fortemente que esta forma de oração --assim freqüentemente recomendada pelo venerável servo de Deus João Paulo II-- seja mantida e promovida, segundo as tradições, tanto da Igreja latina quanto das Igrejas orientais. Reconhece que esta prática origina da ação eucarística --que em si mesma é o maior ato de adoração da Igreja, que habilita o fiel a participar plenamente, conscientemente, ativamente e frutuosamente do sacrifício de Cristo segundo o desejo do Concílio Vaticano II-- e a essa reconduz. Assim vivida a adoração eucarística sustenta o fiel no seu amor e serviço cristãos para os demais e promove uma maior santidade pessoal e das comunidades cristãs. Neste sentido o reflorir da adoração eucarística, também entre os jovens, parece hoje uma promissora característica de muitas comunidades. Por esta razão, a fim de favorecer a visita ao Santíssimo Sacramento, cuide-se, no limite do possível, que as igrejas nas quais é presente o Santíssimo Sacramento fiquem abertas. A pastoral leve a comunidade e os movimentos a conhecer o justo local de adoração eucarística no sentido de cultivar a atitude de transcendência frente ao grande dom da presença real de Cristo. Neste sentido, encoraja-se a adoração eucarística também no itinerário de preparação para a Primeira Comunhão. Para promover a adoração, é conveniente dar um particular reconhecimento aos institutos de vida consagrada e às associações de fiéis que a essa se dedicam de modo especial e de várias formas, ajudando-os para que a devoção eucarística torna-se mais bíblica, litúrgica e missionária. Eucaristia e sacramentos
Proposição 7 - Eucaristia e sacramento da Reconciliação
O amor à Eucaristia leva a apreciar sempre mais o sacramento da Reconciliação, no qual a bondade misericordiosa de Deus torna possível um novo início da vida cristã e mostra a intrínseca ligação entre Batismo, pecado e sacramento da Reconciliação. A digna recepção da Eucaristia requer o estado de graça. É encargo de grande importância pastoral que o Bispo promova na diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorece por isto a confissão individual freqüente. Os sacerdotes, por sua parte, dediquem-se generosamente à administração do sacramento da Penitência. O Sínodo recomenda vivamente aos Bispos não permitir em suas dioceses o recurso à absolvição coletiva, a não ser nas situações objetivamente excepcionais estabelecidas pelo Motu Proprio Misericordia Dei, de 7 de abril de 2002, do Papa João Paulo II. Os Bispos procurem, por outro lado, que em toda igreja nos seja lugar idôneo para confissão (cf. CIC 964 § 2). Recomenda-se que o Bispo nomeie o confessor. Nesta perspectiva, necessita-se também aprofundar as dimensões da reconciliação já presentes na celebração eucarística (cf. CCC 1436), em particular o rito penitencial, a fim de que se possa viver nela verdadeiros momentos de reconciliação. As celebrações penitenciais não sacramentais mencionadas no ritual do sacramento da Penitência e da Reconciliação podem despertar o sentido do pecado e formar um espírito de penitência e de comunhão na comunidade cristã, preparando assim os corações para a celebração do sacramento. A renovação da espiritualidade eucarística pode ser a ocasião para aprofundar a compreensão e a prática das indulgências. Este Sínodo recorda que os Bispos e os párocos podem pedir à Penitenciaria Apostólica a indulgência plenária por celebrar diversas ocasiões e aniversários. O Sínodo encoraja uma catequese renovada sobre as indulgências.
Proposição 8 - Eucaristia e Sacramento do Matrimônio.
Na Eucaristia, exprime-se o amor de Jesus Cristo que ama a Igreja como sua esposa, chegando a dar a Sua vida por ela. A Eucaristia corrobora de modo inexaurível a unidade e o amor indissolúvel de todo matrimônio cristão. Queremos fazer sentir uma particular proximidade espiritual a todos aqueles que construíram suas próprias famílias sobre o sacramento do matrimônio. O Sínodo reconhece a singular missão da mulher na família e na sociedade e encoraja os cônjuges para que, bem integrados em suas paróquias e talvez inseridos em pequenas comunidades, em movimentos e associações eclesiais, percorram caminhos de espiritualidade matrimoniais nutridas da Eucaristia. A santificação do domingo se atua também na vida familiar. Por isso, a família, como “Igreja doméstica”, deve ser considerada um primeiro ambiente da comunidade cristã. É a família a iniciar a criança na fé eclesial e na liturgia, sobretudo na Santa Missa.
Proposição 9 - Eucaristia e poligamia
A natureza do matrimônio exige que o homem esteja ligado de modo definitivo a uma só mulher, e vice-versa. Neste horizonte, os polígamos que se abrem à fé cristã são ajudados a integrar o seu projeto humano na novidade e na radicalidade da mensagem de Cristo. Enquanto catecúmenos, Cristo encontra-os em sua específica situação e os chama à renúncia e à ruptura necessárias à comunhão, que um dia possam celebrar mediante vários sacramentos, antes de tudo mediante a Eucaristia. A Igreja os acompanhará no decorrer do tempo com uma pastoral plena de doçura e de firmeza.
Proposição 10 - Modalidade das Assembléias Dominicais na ausência de Sacerdote
Nos paises nos quais a falta de sacerdote e as grandes distâncias tornam praticamente impossível a participação na Eucaristia dominical, é importante que as comunidades cristãs se reúnam para louvar o Senhor e comemorar do Dia a Ele dedicado em comunhão com o Bispo, com toda a Igreja particular e com a Igreja universal. De grande importância é também esclarecer a natureza do empenho dos fieis em participar destas assembléias dominicais. Cuide-se para que a liturgia da Palavra, organizada sob os cuidados de um diácono ou de um responsável da comunidade a qual este ministério foi regularmente confiado pela autoridade competente, cumpra-se segundo um ritual específico, aprovado para este fim. Para não privar os fiéis por muito tempo da Comunhão eucarística, os sacerdotes se esforcem para visitar freqüentemente estas comunidades. Cabe aos Ordinários e às Conferências episcopais regular a possibilidade de distribuir a Comunhão. Dever-se-á evitar toda confusão entre celebração da Santa Missa e assembléia dominical na ausência de sacerdote. Por isso, não se deverá cessar de encorajar os fiéis a irem, por quanto possível, aonde a Santa Missa é celebrada. As Conferências episcopais forneçam apropriados subsídios que explicam o significado da celebração da Palavra de Deus com a distribuição da Comunhão, e as normas que a regulam. Fonte: ZENIT.org

sábado, outubro 22, 2005

Sínodo preocupado com as paróquias sem padres

A renovação da pastoral de vocações e a melhor distribuição de padres no mundo são as principais sugestões do Sínodo dos Bispos para fazer face à falta de sacerdotes nas comunidades católicas.
O texto das propostas (propositiones) apresentado pelos grupos de trabalho manifesta uma clara preocupação pela situação das paróquias sem padres, impedidas de celebrar a Eucaristia, mas rejeita claramente a ideia de ordenar "viri probati" (homens casados de comprovada virtude), reafirmando o valor do celibato sacerdotal na Igreja latina.
O conteúdo das “propositiones” não será tornado público – ao contrário da Mensagem final do Sínodo -, para preservar a liberdade de Bento XVI, na hora de redigir a exortação apostólica pós-sinodal que recolhe essas propostas. Hoje e amanhã não tem lugar nenhuma Congregação Geral, estando os trabalhos centrados no estudo das Emendas colectivas às Propostas. As “propositiones” emendadas serão votadas na manhã de 22 de Outubro, antes de serem entregues ao Papa.
A agência de notícias da Conferência Episcopal dos EUA, “Catholic News Service” (CNS), adiantou, contudo, a lista das 50 propostas apresentadas ontem aos padres sinodais (que são agora objecto das referidas emendas), assegurando que nas mesmas se faz uma ampla referência à importância das vocações sacerdotais, mas não se propõem mudanças nas três questões mais “mediáticas” do Sínodo: a ordenação de homens casados, a situação dos divorciados que voltaram a casar e a chamada inter-comunhão.
Segundo a CNS, as propostas indicam que, para fazer face à falta de padres, são necessárias “iniciativas pastorais eficazes”.
  • Quanto às celebrações nas comunidades que esperam um sacerdote, é pedido à Santa Sé que prepare um documento que fixe regras universais para as mesmas.
  • Sobre as situações matrimoniais irregulares, é lembrado que os fiéis que nelas vivem não podem aceder a Comunhão, por estarem “em nítida oposição com o ensinamento da Igreja sobre o casamento”. O Sínodo lembra ainda a necessidade de todos os que entram na Igreja interromperem uniões polígamas.
  • As propostas não abrem portas a celebrações ecuménicas da Eucaristia nem à possibilidade de fiéis de outras Igrejas cristãs comungarem em celebrações católicas.
  • A renovação litúrgica surgida do Concílio Vaticano II, a dignidade da Missa, a necessidade de formar bons pregadores e a importância da celebração dominical são outros aspectos presentes.
  • As propostas sublinham, por outro lado, a ligação da Eucaristia com aspectos da vida social, económica e política.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Menos 3253 nascimentos, em 2004

A população portuguesa aumentou no ano passado em 54.570 indivíduos, em relação a 2003, graças aos imigrantes, pois os nascimentos foram menos 3253 do que em 2004. A população idosa continua a aumentar, passando de 16,8 para 17 por cento e o fenómeno do envelhecimento é mais evidente entre as mulheres, tendo aumentado de 18,9 por cento em 2003 para 19,2 em 2004.
Dados do INE adiantam ainda que por cada 100 indivíduos jovens há 109 idosos, valor que aumentou em relação a 2003, quando havia 107 idosos por cada 100 jovens.
Em 2004, a população portuguesa estava concentrada, na sua maioria, em Lisboa (2.760.697) e no Porto (1.272.176), seguindo-se a Península de Setúbal (757.113). As regiões do país com menos densidade população são o Pinhal Inferior Sul (composto pelos concelhos de Mação, Oleiros, Proença-a- Nova, Sertã e Vila de Rei), que tem cerca de 42 mil habitantes, e a zona da serra da Estrela, com cerca de 48 mil pessoas.

segunda-feira, outubro 17, 2005

RESPEITAR A LIBERDADE RELIGIOSA NÃO É LIMITAR A RELIGIÃO AOS TEMPLOS

Marcelo Rebelo de Sousa preveniu contra os excessos “anticlericais” e “anticatólicos” que se vivem no nosso país, que pretendem limitar o âmbito da Liberdade Religiosa à esfera do privado.
“É redutor da Liberdade Religiosa dizer que ela pode ser vivida a sós ou em comunidades fechadas”, disse ao apresentar, ontem, o Relatório 2005 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.
“Há hoje, mais do que no passado, a ideia de que nos Estados sem Religião – os Estados democráticos – os crentes tenham a sua fé e a pratiquem, mas não venham invocar a sua fé para pronunciar-se sobre questões políticas, culturais, morais ou sociais”, lamentou, em declarações aos jornalistas.
Falando sobre os fundamentalismos religiosos e anti-religiosos retratados no Relatório, Rebelo de Sousa frisou que “a Liberdade Religiosa implica que cada um possa viver a sua fé, numa comunidade onde há problemas: se essa fé passar por tomar posições de denúncia, isso é um exercício da Liberdade Religiosa, como foi, durante a ditadura, a denúncia do regime político invocando princípios religiosos, éticos e morais”.
“Respeitar a Liberdade Religiosa é não a limitar aos templos onde as comunidades crentes praticam os actos de culto, é permitir que elas se manifestem em toda a vida social”, acrescentou.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que o Tratado Constitucional Europeu esqueceu “o papel das Religiões na construção da Europa” e que esta “é uma comunidade de gente que tem Religiões e a Religião faz parte da vida dessa Europa”.
(Para saber como está a Liberdade Religiosa no Mundo, clique ECCLESIA)

domingo, outubro 16, 2005

O PAPA ENCONTRA-SE COM 100.000 CRIANÇAS

Cerca de cem mil crianças, acompanhadas pelos seus pais e catequistas, encontraram-se com o Papa Bento XVI na Praça de São Pedro, na tarde deste sábado 15 de Outubro. O encontro com os meninos e meninas da Diocese de Roma e das outras Dioceses da Região do Lácio, que este ano fizeram a sua Primeira Comunhão, está incluído no programa oficial do Sínodo dos Bispos, dedicado ao tema da Eucaristia.
Ao responder à pergunta de um menino, Bento XVI lembrou o dia da sua Primeira Comunhão diante da Praça de S. Pedro apinhada de gente: «Era um domingo de Março de 1936, há 69 anos – relatou – Era um dia de sol, a igreja estava muito bem arranjada. Lembro-me de coisas tão bonitas, a música… Éramos cerca de trinta meninos e meninas da nossa pequena aldeia de cerca de 500 habitantes. Mas no centro das belas e alegres recordações está o ter compreendido que Jesus tinha entrado no meu coração, me tinha visitado e, com Jesus, o próprio Deus estava comigo. E este é um dom de amor que vale realmente mais do que tudo o resto na vida».
«Estava realmente cheio – continuou o Santo Padre – de grande alegria pelo facto de Jesus ter vindo a mim e compreendia, aos nove anos, que tinha começado para mim uma nova etapa da minha vida. Desde então, prometi ao Senhor: quero estar sempre contigo, mas – pedi-Lhe – sobretudo peço-Te que Tu estejas sempre comigo».
«Espero que também para vós – concluiu o Santo Padre – a Primeira Comunhão seja o início duma amizade por toda a vida com Jesus e o início dum caminho comum com Ele, porque caminhando com Jesus, vamos bem e a vida torna-se boa» (cfr. Avvenire-online, 15 de Outubro de 2005).

ONDE ESTÁ O ABORTO?

No excesso de ruído que nos invade está instalada a confusão geral sobre o aborto. Desde as variáveis de nome para atenuar agressividades ou acentuar perspectivas ideológicas, passando por alterações no enfoque da duração do feto, início de vida, até à definição de vida humana, pessoa, licitude e descriminalização. E nada disto é simples nos envolvimentos filosóficos, biológicos, legais e humanos que acarreta, seja qual for a opinião de quem, em última análise, suporta as consequências últimas desta complexa teia: a mulher. Ou melhor, a vida inocente que em nada disto tem a palavra, como não teve na chamada à existência.
Estamos perante uma situação humana que não pode flutuar ao vento dos humores e engenhos políticos circunstanciais que engrenam, com jogos de poder, estratégias de agenda política ou cartazes de comício. A vida humana é, em si, suficientemente sagrada para se preservar de gritarias e falácias, onde se diz mais o que convém dizer, do que aquilo que mais respeita a pessoa.
Andámos, nos últimos tempos, com atabalhoamentos de calendário do Referendo sobre o aborto, sem o povo perceber se o que está em causa é o Presidente da República (este ou o próximo), o Governo, as oposições, o tapete político para exigir pronunciamentos que embaracem as próximas presidenciais (já suficientemente baralhadas), com uma pressa enervada em referendar o que o povo já referendou. (Se o povo tivesse dito sim ao aborto, quem se atreveria a exigir agora outro Referendo? Que aconteceu realmente de novo de então para cá, que vicie e anule a escolha popular que já foi feita?).
Sem nada disto resolvido, uma outra questão (lebre?) se levantou: ”decidir o aborto em duas semanas”, como é titulado a quatro colunas na imprensa. E uma chuva de novas confusões cai sobre a opinião pública. A Ordem dos Médicos acha a medida do Governo “bem intencionada mas impraticável”. Outros ginecologistas e obstetras têm diferente opinião, chegando a dizer-se que “seria um escândalo haver médicos que de manhã são objectores de consciência nos hospitais públicos, e à tarde deixam de o ser nas clínicas privadas”.
De que aborto estamos a falar? Já houve referendo e não notámos nada? Já está decidido o que “deve” ser? Já se legisla com presunção de vitória? De tudo isto, o mais grave é desordem à volta da palavra aborto - como se se tratasse duma ligeira indisposição digestiva após alguma refeição mais lauta.
Estamos perante uma questão humana gravíssima – a vida - que se não pode envolver em desarrumações de consciências elásticas, acomodadas a todas as situações.
António Rego

sábado, outubro 15, 2005

CONTINUA A SURPREENDER: Papa reúne-se com cem mil crianças no Vaticano

Cerca de cem mil crianças, acompanhados pelos seus pais e catequistas, são esperadas amanhã para um encontro com o Papa Bento XVI na Praça de São Pedro.
O encontro com os meninos e meninas que este ano fizeram a sua Primeira Comunhão está incluído no programa oficial do Sínodo dos Bispos, dedicado ao tema da Eucaristia.
"Inicialmente deveria ser um encontro somente com crianças de Roma e da região circundante, mas acabaram por chegar pedidos de participação de dioceses e paróquias de toda a Itália e também do exterior", explicou ontem monsenhor Mauro Parmeggiani, secretário-geral do vicariato de Roma, que promoveu o evento juntamente com a Congregação do Clero.
Durante o encontro, em vez de pronunciar um discurso, o Papa responderá às perguntas das crianças. "Será um encontro de festa, de catequese e de oração", disse monsenhor Parmeggiani. O Papa já apresentou esta iniciativa como uma circunstância bonita e oportuna para sublinhar o papel essencial que o sacramento da Eucaristia tem na formação e no crescimento espiritual das crianças”.

sexta-feira, outubro 14, 2005

ABBÉ PIERRE: "O que mais me custou foi a renúncia voluntária à ternura"

"O que mais me custou, sem sombra de dúvida, ao longo de toda a minha vida, foi a renúncia voluntária à ternura. Se a renúncia não fosse voluntária, o celibato não teria sentido; não passaria de uma negação da mulher em si, e de tantos valores preciosos: valor do casal, desenvolvimento pleno da pessoa......
Este voto, imperfeitamente vivido, é certo, nunca foi, no entanto, posto em causa. Ainda que eu tenha sofrido com essa privação, ainda que tenha, em certos momentos, sonhado a alegria vivida pelos esposos como um prodígio humano superior a todos os outros......
A ternura de uma mulher, a ternura de cada dia, essa, nunca a vivi. Padeci por isso um sofrimento constante, quotidiano, toda a minha vida. Pois não imagino que para um homem, a ternura possa existir sem a presença de uma mulher. Ou então, será mesmo preciso que Deus dê uma grande ajuda!"
Abbé Pierre - Testamento

Senhores Bispos em Roma:
Olhem que o matrimónio é um óptimo meio de santificação!

"A caridade não dura se não é alimentada pela Eucaristia" Reconhecem auditores no Sínodo dos Bispos

Muitos dos testemunhos de auditores que intervieram no Sínodo dos Bispos confluem em uma constatação: a caridade não dura se não é alimentada pela Eucaristia.
Assim reconheceu, por exemplo, esta quarta-feira, Andrea Ricardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio, ao tomar a palavra ante a assembléia geral. «A caridade não dura sem o alimento da Eucaristia», reconheceu. «Isto eu vi em tantas conhecidas e desconhecidas existências entre os pobres, que fazem que hoje --apesar de nossos limites-- a Igreja tenha ressurgido para os mais desesperados».
O irmão Marc Hayet, responsável geral dos Pequenos Irmãos de Jesus, explicou que seu fundador, Charles de Foucauld (futuro beato, em 13 de novembro), criou fraternidades contemplativas, que trabalham entre os pobres, para juntar «a exposição do Santíssimo Sacramento e uma vida exposta». «Uma vida exposta aos olhos dos pobres, que sabem que temos um trabalho e uma vida parecida à sua, que compartilhamos suas mesmas preocupações por uma existência mais justa e digna», sublinhou. «Uma vida exposta a esta outra presença do Senhor: sua presença ao lado dos pobres. A vida do povo não nos deixa, vive em nossa oração --afirmou--. Este compartilhar a vida nos faz descobrir o rosto do Deus da ternura, que caminha humildemente conosco, como demonstra a Eucaristia».
A Eucaristia é a chave da «nova evangelização», inclusive dentro da própria Igreja, constatou Luis Fernando Figari, fundador do Sodalitium Vitae Christianae, nova realidade eclesial surgida na América Latina e presente hoje em vários continentes. Na Eucaristia, assinalou, encontra-se a resposta a essa «nostalgia de infinito» que experimentam os homens e mulheres de hoje, mas que é escamoteada «por muitos substitutivos que as ideologias e a práxis deste tempo oferecem ».
«Necessitamos que Cristo nos entregue na Eucaristia, seu morrer por nós, no pão fracionado e em seu Sangue derramado, para poder mostrar sua ressurreição, sua vida imortal ao mundo», reconheceu Kiko Arguello, iniciador do Caminho Neocatecumenal.
Fonte: ZENIT.org

terça-feira, outubro 11, 2005

BISPO PORTUGÊS INTERVÊM NO SINODO

Intervenção de D. Albino Cleto na 12ª Congregação Geral
Penso que deveria resultar deste Sínodo uma palavra de estima e de estímulo comum para com os nossos sacerdotes e os seus colaboradores, que fazem tantos sacrifícios para garantir ao povo de Deus a celebração do Domingo.
Neste espírito de pastores vigilantes e de irmãos que ajudam, nós devemos, portanto, estar atentos aos desvios que se acentuam, pelo menos no meu país.
Apresento três tendências, boas em si mesmas, mas nas quais a Eucaristia tende a desviar-se do que ela é - celebração litúrgica e santa do mistério sacramental – para tornar-se um simples serviço religioso.
  • Em primeiro lugar: a preocupação principal dos padres em garantir a Missa, que os fiéis exigem, negligenciando a qualidade da celebração. Numa sociedade secularizada, o alimento não basta, é preciso preparar a mesa. Mais importante do que colocar a hóstia na mão ou na língua do fiel é fazê-lo com a dignidade que transmite a fé.
  • Em segundo lugar: no desejo de ser aceites pelas pessoas que nos ouvem, os nossos padres consideram a Eucaristia como uma comunhão na mesa da igualdade. Comprometamo-nos numa catequese na qual a comunhão seja, antes de mais, comunhão com o Cordeiro imolado e oferecido.
  • Terceiro: multiplicamos as celebrações dominicais que, na ausência de um padre, são presididas por diáconos ou leigos. É uma bênção, mas a facilidade com que se procede à substituição da Missa por estas celebrações preocupa-me. Seria necessário, pelo menos, que os ritos sejam mais nitidamente diferenciados.

Fonte Eclesia

Gostaria de deixar alguns comentários pessoais a esta intervenção.

  • A preocupação em garantir a missa ao domingo será só dos padres? Não será também dos bispos? Se não, por exemplo, porque é que aceitam padres africanos (ou de outros países) sem lhe darem a formação necessária para se integrarem na realidade europeia? Os missionários para irem para Africa precisam de anos de preparação e os africanos para assumirem uma paróquia na Europa não precisam de qualquer preparação!!!
  • Se não querem que as celebrações dominicais sejam presididas por diáconos ou leigos quando é que pensam a sério na ordenação de homens casados? Ainda bem que há bispos corajosos dispostos a remar contra a corrente...

segunda-feira, outubro 10, 2005

SINODO DOS BISPOS: Temas em debate.

Concluída a primeira das três semanas do Sínodo dos Bispos, fica claro que as intervenções dos padres sinodais cumprem o plano indicado pelo instrumento de trabalho, dedicado à Eucaristia. Num primeiro balanço “cabem sete temas”, segundo Isidro Catela, encarregado do “briefing” informativo aos jornalistas de língua espanhola.
Em declarações à agência Zenit, Isidro Catela adverte que estes temas não esgotam o Sínodo, mas foram os mais mencionados pelos padres sinodais na primeira semana. Estes e não outros porque se está a seguir o “Instrumentum laboris”, ou seja, o texto-base divulgado alguns meses antes da reunião de bispos de todo o mundo no Vaticano.
  • Assim, o tema que mais interesse suscitou na primeira semana foi o da “dimensão sacrificial da Eucaristia “, tema também abordado pelo Papa Bento XVI na sua intervenção livre na passada quinta-feira. “Sacrifício” e “banquete “ foram duas palavras utilizadas com frequência pelos padres sinodais, que, a propósito, falaram “das experiências de martírio contemporâneo, não só de pessoas conhecidas mas também do sofrimento quotidiano de tanta gente”.
  • O segundo tema foi o das “finalidades da Eucaristia “, a sua dimensão vertical — encontro com Deus — e a sua dimensão horizontal — comunitária — num mundo com fome material e espiritual. Encaixa-se aqui a questão da Eucaristia e implicações na vida quotidiana, de que se fala no número 73 do “Instrumentum laboris”. Nele faz-se referência à coerência de políticos e legisladores crentes, assim como o compromisso de todo o cristão na vida pública.
  • O terceiro tema está relacionado com questões normativas e de abusos, com algumas referências ao Concílio Vaticano II e também ao Concílio de Trento no que concerne à presença real da Eucaristia.
  • A “ars celebrandi” ou arte da celebração é o quarto tema que Isidro Catela destaca ao resumir a primeira semana do Sínodo dos Bispos. Neste âmbito discutiu-se, por exemplo, a oportunidade de receber a comunhão na mão ou na boca, o lugar central que o sacrário deve ter numa igreja ou a necessidade da adoração e do silêncio.
  • O quinto tema é o do diálogo ecuménico e a inter-comunhão, isto é, a possibilidade de dar a comunhão sacramental a cristãos não católicos. Este assunto “despertou um grande interesse, e variado, nas intervenções livres “ dos padres sinodais, segundo Catela. Este comentador indicou que também esteve em discussão o contexto da secularização e indiferença religiosa, assim como as liturgias sem a presença de sacerdotes e o celibato dos padres católicos. “Há a convicção de que urge promover o celibato na Igreja latina”, diz Catela.
  • O sexto tema diz respeito à relação da Eucaristia com os demais sacramentos, pois a Eucaristia é o “sacramento dos sacramentos”. Os padres sinodais, conta Catela, querem que se insista particularmente na relação Eucaristia e Penitência e que se faça uma “catequese integral”, capaz de vincular os diferentes sacramentos entre si. Um bispo pediu que se convoque um Ano da Penitência; outros, que se prolongue o Ano Eucarístico e que se relacione com a Família.
  • O sétimo e último tema é o da “reconciliação que deve levar à paz”. Os padres sinodais insistiram na necessidade de que a Igreja seja instrumento de reconciliação e que a Eucaristia sirva como experiência. Através de alguns bispos de países africanos foi possível saber que a Eucaristia é o único ponto de encontro entre etnias, mesmo entre aquelas que frequentemente se envolvem em confronto. Vários padres sinodais pediram que se faça uma menção, na mensagem final, a Jerusalém e à Terra Santa, pelo seu vínculo com a Eucaristia e com a ânsia de paz.

Um dos momentos grandes do Sínodo aconteceu quando Bento XVI decidiu tomar a palavra, numa das sessões de intervenções livres, para falar sobre a dimensão sacrificial da Eucaristia. A intervenção foi classificada como “uma intervenção estupenda, de grande teólogo”, mas não foi publicada pela Santa Sé. O Papa decidiu, por outro lado, aceitar a sugestão dos padres sinodais e propor uma hora de adoração eucarística na Basílica de São Pedro. O acto será presidido pelo próprio Bento XVI, na segunda-feira 17 de outubro, das 17h00 às 18h00.

Fonte: Eclesia

sábado, outubro 08, 2005

Recado aos Padres desalojados e aos que dizem que lhos roubaram

Sou um simples cidadão normal, como todos os cidadãos mortais e sou membro do Povo de Deus, como os outros membros do Povo de Deus. É como tal que escrevo. Nem o sei fazer de outra maneira. Um dia de uma semana passada, ao passar pela cidade, dei de caras com uma notícia num jornal cá do sitio: “Bispo vaiado na Vermiosa”, escrevia-se lá. E relatava as atitudes de um povo que se sentia roubado. Fiquei atónico. Já tinha lido no Público o relato da vígilia silenciosa de Gonçalo e mais duas paróquias, frente ao Paço Episcopal. Também me tinha soado algo sobre Alfaiates. Mas não queria acreditar que o Bispo tivesse tido de passar por tal enxovalho.
Queria sem intenção de ferir, dizer umas coisas simples aos padres em causa. Olhem, amigos, nós, os que estamos cá fora precisamos de vós, como servidores do Povo de Deus, como testemunhas de Cristo, Servo, pobre e humilde, como companheiros de jornada, como padres desinstalados, que não se servem a si mesmos e não como prepotentes que começaram agora a vida e já se sentem humilhados.
Pode doer, sair de uma paróquia ou mais, que vos estimava, mas será bom que vos debruceis sobre uma ou mais passagens do Evangelho. A primeira, a entrada de Jesus em Jerusalém. Puseram as capas no chão, para que o Mestre não ferisse os seus pés nas pedras, levantaram ramos de palma e de oliveira, cantaram: “Hossana ao filho de David, bendito o que vem em nome do Senhor”. Foi muito bonito, foi sim senhor. Mas, os mesmissimos que fizeram isto, na sexta feira seguinte gritaram: “crucifica-o". Que o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos. Foi muito feio, mesmo muito feio. Os apoios das multidões, são relativos. Hoje, cantam-vos louvores e continuarão a cantar até vos apanharem numa falha e apanham; porque vós não sois infalíveis. Ou sois? E no dia seguinte, quando isso acontece, ou acontecer, cuidai-vos. Irão à vossa porta gritar: põe-te daqui para fora que não és de cá. Eu já vi e ouvi e não foi bonito. Sabei que os povos têm a memória curta, muito curta e agem à medida de quem os conduz. E quem os conduz não será propriamente o mais interessado ou interessados, no bem da paróquia. Os padres mais velhos, que estão calados e talvez não devessem estar, já todos passaram por isso. Acreditar nas louvaminhas dos povos? Cuidado, senhores padres, não é muito aconselhável.
A outra passagem do Evangelho ainda é mais simples. No fim do regresso de uma das missões a que o Senhor enviou os seus apóstolos, disse-lhes: “e quando tiverdes feito todas estas coisas, dizei: somos servos inúteis, só fizemos o que deviamos fazer”. E, se fizestes coisas boas nas paróquias onde estivestes, porque não haveis de fazê-las também naquelas para onde fostes nomeados e que estão ávidas para vos acolher? Ajudai o pobre do bispo que ainda agora aqui chegou, pensou que aqui morava gente honrada e já está a levar pancada. Boa poesia, não?
Que direi aos povos? O Bispo tirou-vos um padre, mas deixou-vos outro. Podia não ter deixado nenhum e seria bem pior. O Bispo dá o que tem e o que não tem, muitas vezes. Neste momento, penso ainda pode dar. Mas, por este andar, não sei se dará. Além do mais, é uma imagem muito má a que a diocese dá ao resto do país cristão. Nos congressos e jornadas que fazeis, falais da renovaçao da diocese. Será esta a renovação, que se pretende? Que apoio se está a dar ao pobre do Bispo que está a ter um batismo de fogo?
E disto aproveitam-se as televisões, parcas de escrúpulos, que não querem saber de nada, quer dos padres em causa, quer dos povos. Afinal, o que conta? O sensacionalismo, ou o serviço ao Povo de Deus.
Pereira Ramos in Jornal a Guarda 6 de Outubro de 2005

sexta-feira, outubro 07, 2005

SINODOS DOS BISPOS: abordagens divergentes aos grandes problemas da Igreja

Ao longo destes primeiros dias do SINODO DOS BISPOS, os vários intervenientes têm partido do tema genérico, “Eucaristia: fonte e cume da vida da Igreja”, para lançar um olhar sobre o mundo contemporâneo. Nele detectam a perda do sentido do sagrado, a crise de valores, a secularização, a destruição da natureza, as injustiças e desigualdades sociais, que desafiam a Igreja.
A estas questões juntam-se questões internas, de não menor importância, como as falhas na vida litúrgica e na celebração do Domingo, a crise de vocações, a situação dos divorciados, as dificuldades no ecumenismo, a falta de compreensão do mistério eucarístico, a incapacidade de transformar o homem.
Perante a pressão mediática que, apesar dos trabalhos decorrerem à porta fechada não se deixa de fazer sentir, os Bispos já deixaram claro que não passam de “falsas expectativas” as ideias de mudança veiculadas pela comunicação social, sobretudo no que se refere às questões relacionadas com o celibato dos padres.
Sobre a possível ordenação de homens casados (viri probati) o relatório (apresentado pelo Cardeal Angelo Scola, Relator Geral do Sínodo) sublinha que o celibato tem como base “profundos motivos teológicos”, apesar de reconhecer que a crise vocacional assume “proporções extremamente graves” de que são testemunhas numerosos Bispos.
O Cardeal Scola defendeu o “valor profético e educativo do celibato” e sustentou que a Igreja não pode resolver esta questão “como uma empresa que se tem de dotar de uma determinada quota de quadros dirigentes”.
Esta intervenção serviu como ponto de partida para muitas outras, com os participantes a pronunciarem-se em diversos sentidos, preocupados com a falta de padres nas comunidades cristãs.
  • Esta manhã, por exemplo, o Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, Patriarca de Antioquia dos Maronitas (Líbano), que admite ao sacerdócio homens casados, diz que essa prática “resolve um problema, mas cria outros graves”, como a impossibilidade de transferir um padre quando a família não pode segui-lo.“O celibato é a jóia mais preciosa do tesouro da Igreja Católica”.
  • Em sentido diverso se manifestou o Bispo Denis George Browne, da Nova Zelândia, que pediu à Igreja abertura para “encontrar modos para que a Eucaristia seja de fácil acesso a todos os nosso fiéis”. O prelado deixou ainda votos de que o Sínodo seja sensível às perguntas dos fiéis que se interrogam “porque pode ser ordenado como sacerdote católico um padre casado na Comunhão Anglicana e os sacerdotes dispensados do voto do celibato não podem desempenhar qualquer função pastoral”.
  • Gregório II Lahan, Patriarca da Igreja Oriental de Antioquia, dos greco-melquitas católicos, lançou um desafio aos Bispos do Ocidente ao perguntar-lhes "onde encontram o fundamento ao celibato dos sacerdotes?". Segundo Gregório II , o celibato dos sacerdotes não tem nenhum fundamento teológico, citando a esse propósito os exemplos presentes na Igreja Antiga.
  • A discussão, contudo, subiu verdadeiramente de tom na quinta-feira, com uma sequência de intervenções inteiramente dedicadas a este tema. O Bispo coadjutor de Wabag, na Papua Nova Guiné, colocou em cima da mesa uma proposta de alteração no tipo de formação sacerdotal adoptado nos Seminários daquela região. Segundo D. Arnold Orowae, o isolamento das populações questiona “o tipo de sacerdotes” existentes. “Será que são necessários anos de formação intelectual em filosofia e teologia para realizar os serviços necessários aos mais pobres nas zonas isoladas, que não têm a mesma preparação intelectual?”Para o prelado, a questão seria resolvida se se colocasse um ponto final no celibato dos padres. “Será que a Igreja não deveria permitir uma formação fundamental a cristãos maduros, com uma fé sólida, comprometidos, para que pudessem presidir à celebração eucarística? “
  • Numa resposta acalorada, o presidente da Conferência Episcopal dos Países Baixos discordou peremptoriamente desta proposta. O discurso do Cardeal Adrianus Simonis, que foi proferido logo de seguida, acabou por ser uma advertência “contra as influências e impulsos externos de um mundo secularizado e individualista “. Para o Arcebispo de Utrecht, “as mudanças estruturais, como por exemplo o acesso de homens casados ao sacerdócio, não parecem ser a solução” do problema apresentado.
  • O Bispo moçambicano Lúcio Andrice Muandula, da diocese de Xai-Xai, procurou uma abordagem mais pragmática, apresentado como solução “a justa redistribuição dos sacerdotes no mundo”, para fazer face à falta de padres. Mesmo esta solução, contudo, pareceu desagradar aos padres sinodais e o cardeal Sfeir frisou que “enviar sacerdotes para um país onde eles fazem falta não é uma solução ideal, porque não se têm em conta as tradições, os costumes e a mentalidade, pelo que o problema permanece em aberto”.

Outro dos temas que tem dominado as intervenções é a ligação entre a fé de cada fiel e as suas consequências na vida pública. Os participantes no Sínodo sentem que a Eucaristia é, cada vez mais, um acontecimento sem impacto maior na vida das pessoas e que esse facto destrói a relação concreta entre o quotidiano e aquilo que se celebra. Esta ligação das questões sociais à vida dos fiéis marcou uma intervenção do sucessor de Joseph Ratzinger à frente da Congregação para a Doutrina da Fé.

  • O Arcebispo William Joseph Levada frisou que o voto em políticos que apoiem o aborto “é pecado”, escolhendo este exemplo para iluminar a relação entre a Eucaristia e a Moral.
  • O presidente do Conselho Pontifício para a Família, Cardeal Alfonso López Trujillo, insurgiu-se esta manhã contra projectos legislativos que, em vários países, “colocam em grave perigo o Evangelho da vida e da família”. O Cardeal criticou as “posições ambíguas” dos legisladores que se afirmam católicos sobre o divórcio, as uniões de facto ou o matrimónio.“Pode permitir-se o acesso à comunhão eucarística dos que negam os princípios e os valores humanos e cristãos?”, interrogou o membro da Cúria Romana.

A situação dos divorciados que voltaram a casar também tem merecido uma grande atenção da assembleia sinodal, tendo o Arcebispo neozelandês de Wellington sugerido mesmo que os divorciados recasados pudessem voltar a comungar. “Enriquecíamos as nossas Igrejas se pudéssemos convidar os católicos comprometidos, e actualmente excluídos da Eucaristia, a voltarem à mesa do Senhor. Aqueles cujo primeiro matrimónio terminou de forma triste”, mas que “nunca abandonaram a Igreja”. O prelado disse mesmo que “o Sínodo deve ter um enfoque pastoral” e que, por isso, “há que avaliar as formas de incluir aqueles que têm fome do Pão da Vida. É necessário enfrentar o escândalo daqueles que têm fome do alimento eucarístico, tal como se deve encarar o escândalo da fome física “.

quinta-feira, outubro 06, 2005

O DISCURSO DO POLITICO IDEAL


Este fim de semana, de lutas partidárias saudáveis ( “Do confronto de ideias é que o mundo avança”) decorreu com muita variedade de discursos. Ouvi um discurso de um candidato que passo a transcrever:

"Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais
para alcançar nossos ideais.
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.”

Mas atenção, segundo parece se este candidato for eleito o discurso dele será invertido, tentem ler o texto de baixo para cima...

A política tem sempre dois lados de analisar as questões ....

Atenção isto é pura ficção. Não ouvi em lado nenhum, e ainda bem. Geralmente os candidatos dão o seu melhor e caso não o façam o povo será soberano no momento do voto !!
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Publicado por PDivulg in http://www.lacosazuis.rg3.net/

quarta-feira, outubro 05, 2005

VAMOS TAMBÉM DISCRIMINALIZAR A EVASÃO FISCAL?

“Os deuses cegam aqueles que querem perder."
Esta cruel máxima da antiga sabedoria grega parece estar há muito inválida e esquecida. Mas depois acontecem factos que parecem confirmar a sua terrível verdade. Como o longo processo de legalização do aborto, a que temos assistido ao longo dos últimos anos.
O propósito é normalizar uma prática que todas as sociedades, ao longo de todos os séculos, sempre consideraram horrenda e infame.
Pela primeira vez na História, uma cultura que se toma como civilizada vem fingindo que o aborto é algo normal e recomendável. Este propósito vergonhoso tem gerado dramas e conflitos em todos os países ocidentais.
Entre nós, porém, extravasou em tantos atropelos legais e abusos processuais que o vício do objectivo acaba apregoado pela forma patética que utiliza.
  • A primeira tentativa de legalizar totalmente a prática do aborto foi rejeitada no Parlamento português em 1997.
  • Mas este resultado viu-se desrespeitado pela própria Assembleia que o tinha definido, voltando a votar o mesmo diploma, na mesma legislatura, menos de um ano depois, após ter convenientemente substituído alguns deputados de forma a assegurar o resultado.
  • Tendo finalmente aprovado a lei, o Parlamento voltou a autodesrespeitar-se, propondo a realização de um referendo para confirmar a sua decisão. Estes episódios justificavam, só por si, a inclusão do processo numa antologia mundial de trapalhada legislativa.
  • Portugal votou em Junho de 1998, e o resultado desse referendo significou para o Parlamento apenas uma coisa: tem de haver outro referendo. Foi a única conclusão que os deputados retiraram da vontade do povo. "Enquanto os eleitores não concordarem connosco, vão votar até aprender."
  • Mas, quando se julgava que se tinha atingido o limite da vergonha democrática, eis que nos vêm agora surpreender novas e ainda mais mirabolantes manigâncias. Por razões desconhecidas, alguém decidiu que o novo referendo tem de ser feito este ano. Como a abstenção foi o principal problema do referendo anterior, inserir esta consulta à pressa a meio do trimestre de Inverno, que já inclui duas eleições, parece tolice rematada. Mas o povo recebe ordem dos deputados para inverter e substituir o anterior referendo o mais depressa possível. Para isso, mudam-se os prazos da Constituição, distorce-se a ordem das legislaturas e atropela-se o mais elementar bom senso, para conseguir tão teimoso propósito. Parece que os abortistas pretendem mostrar a todos a sua falta de decoro e de respeito pela legalidade. Mostram-se ansiosos para se denunciarem como subversivos e manipuladores.

Explicam a urgência pela necessidade de evitar a prisão e humilhação de mulheres pela prática do aborto. Mas quantas mulheres querem salvar deste destino? Zero. Não há nenhuma! É um esforço intenso para libertar exactamente ninguém. Aliás não havia julgamentos desses em Portugal, até precisarem deles para fazer manifestações.

Outra coisa que os incomoda é a hipocrisia, por toda a gente saber dos abortos clandestinos sem ligar nenhuma. Será que também vão propor a legalização da evasão fiscal, perante a ainda mais esmagadora e generalizada prática ilegal?

Mas o que todas estas coisas pretendem esconder, aquilo que tem de ser ocultado pela retórica, azáfama legal e balbúrdia democrática, é que ali está uma criança, que vai ser morta antes mesmo de poder respirar. Está ali uma pessoa que se trucida. Os defensores da legalização, naturalmente, negam identidade humana ao embrião. Tal como os esclavagistas faziam com os negros ou os nazis com os judeus.

Contradizer a verdade conhecida como tal é a base desta abominável campanha. Mas a cegueira do seu propósito extravasa agora para a afronta nos meios. É difícil compreender como pessoas civilizadas e cordatas caem nestes extremos. A não ser porque os deuses cegam aqueles que querem perder. Ou, como disse Alguém mais sábio, "àquele que tem, será dado; e ao que não tem, mesmo aquilo que tem lhe será tirado" (Mc 4, 25).

João César das Neves, in Diário de Notícias, 26 de Setembro de 2005

LIÇÕES DE VIDA...

Paulo, com o rosto triste e cansado, encontrou-se com a sua amiga Carla num bar, para tomar um café. Deprimido descarregou nela todas as suas preocupações... o trabalho... o dinheiro... a relação com a sua namorada... e a sua vocação. Parecia que tudo corria mal na sua vida.

Carla meteu a mão na carteira e tirou uma nota de 50 EUROS e disse-lhe:
- Queres esta nota?
Paulo ao início um pouco atrapalhado respondeu-lhe:
- Com certeza, Carla... são 50 EUROS, quem não os quer?
Então Carla pegou na nota numa das mãos, amarrotou-a, e fez dela uma pequena bolinha. Depois mostrando-a ao Paulo toda amachucada, perguntou-lhe de novo:
- E agora, ainda a queres?
- Carla, não percebo aonde queres chegar com esta brincadeira, porém a nota continua a ser de 50 EUROS. Com certeza que a não vou deitar fora...
Carla alisou a nota, deitou-a ao chão, espezinhou-a e, por fim, pegou nela suja e amarrotada.
- E agora contínuas a quere-la? - perguntou.
- Escuta Carla, ainda não consegui perceber onde queres chegar, mas, embora ela esteja assim reduzida, continua a ser de 50 EUROS e, até que não a rasgues, conserva o seu valor...
- Paulo, deves saber que se por vezes alguma coisa não sai como tu queres, também se a vida te prega uma partida, continuas a ser tão importante, como antes... O que deves perguntar-te é quanto vales realmente e não quanto podes ser abatido num momento particular.
Paulo ficou como que paralisado a olhar para a Carla, sem dizer uma palavra, enquanto a mensagem entrava profundamente na sua cabeça. Carla pousou a nota engelhada sobre a mesa, perto dele e, com um sorriso cúmplice disse:
- Pega nela e guarda-a, para que te lembres sempre deste momento, quando te sentires mal... Porém deves dar-me uma nota nova de 50 EUROS para eu a poder usar com o próximo amigo que precisar. Beijou-o na face e afastou-se em direcção à porta. Paulo voltou a olhar para a nota, sorriu, olhou-a e com uma energia nova, chamou o empregado para pagar a conta.

Quantas vezes duvidamos do nosso valor, do que realmente merecemos e que somos capazes de alcançar de nos comprometemos. Certo que não chega prometer... Requer-se acção e, para isto existem muitas estradas a seguir.

Agora reflecte bem e procura responder a estas perguntas:
1 - Nomeia as 5 pessoas mais ricas do mundo.
2 - Nomeia as 5 últimas vencedoras do concurso Miss Universo.
3 - Nomeia 10 vencedores do prémio Nobel.
4 - Nomeia os 5 últimos vencedores do prémio Oscar, como melhores actores ou actrizes. Como Vai? Mal é?

Não te preocupes. Ninguém de nós se lembra dos melhores de ontem. Os aplausos vão-se embora! Os trofeus ficam cheios de pó! Os vencedores esquecem-se!

Agora responde a estas perguntas:
1 - Nomeia 3 professores que te ajudaram na tua formação.
2 - Nomeia 3 amigos que te ajudaram nos momentos difíceis.
3 - Pensa em algumas pessoas que te fizeram sentir alguém
especial.
4 - Nomeia 5 pessoas com quem transcorres o teu tempo.

Como vai? Melhor não é verdade?

As pessoas que marcam a tua vida não são as que têm as melhores credenciais, mais dinheiro, ou os melhores prémios... São aquelas que se preocupam por ti, que cuidam de ti, aquelas que de algum modo estão contigo.

Reflecte um momento.
Há alguns anos atrás, às Paraolimpíadas de Seattle, nove atletas, todos mentalmente ou fisicamente desabilitados estavam prontos na linha de partida dos 100 metros. Ao disparar da pistola, iniciaram a corrida, não todos correndo, mas todos com vontade de chegar e vencer.
Enquanto corriam, um dos concorrentes caiu no asfalto, deu umas cambalhotas e começou a chorar. Os outros ouviram-no chorar. Abrandaram e olharam para trás. Pararam e voltaram atrás... Todos. Uma menina com a síndroma de Down sentou-se perto dele e começou a beija-lo e a dizer-lhe:
- Agora estás Melhor?
Então abraçaram-se todos e os nove caminharam em direcção à meta. No estádio todos se levantaram e, aplaudiram durante vários minutos. As pessoas que estavam presentes continuam a contar esta história.
Porquê?
Porque dentro de nós sabemos que:
  • A coisa mais importante na vida vai além de vencer por nós mesmos.
  • A coisa mais importante nesta vida é ajudar os outros a vencer, ainda que comporte abrandar e mudar a nossa corrida.

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