quinta-feira, março 30, 2006

Seminários cheios

Na República Socialista do Vietnam está a dar-se um fenómeno admirável: cada vez aumenta mais o número de candidatos aos seminários.
De acordo com o Cardeal local, «na arquidiocese de Saigão há muitos jovens seminaristas cheios de fervor e os professores são muito dedicados ao seu trabalho». Mas o elevado número de seminaristas – 230 – acarreta uma lógica falta de espaço onde viver e ter aulas, além da «escassez de professores especializados».
Em 2005 o governo permitiu a admissão de todos os candidatos propostos pelas dioceses – no passado não autorizava mais que 10 ou 15 pessoas cada vez. E no princípio de 2006 o governo deu permissão ao seminário para abrir uma «sucursal» na antiga sede da escola teológica da cidade de Long Khanh – na diocese de Xuan Loc –, mas vai ser preciso muito tempo e recursos para a adequação do edifício.
Por outro lado, na diocese de Hanói, as coisas ainda são mais complicadas: há 235 estudantes no seminário e não há lugar suficiente para pessoas, estudos e actividades complementares.
O Vietnam tem mais de 80 milhões de habitantes e os católicos no país andam por volta de 6 milhões de fiéis, entre os quais a prática religiosa é muito elevada (80%-90%). A Santa Sé e o Vietnam não têm relações diplomáticas, mas tem havido sinais de aproximação.
Fonte: http://vejaparacrer.blogspot.com/

terça-feira, março 21, 2006

IMPORTAÇÃO DE SACERDOTES

A importação de sacerdotes por parte de alguns bispos europeus para fazer frente à falta de sacerdotes na Europa é hoje uma realidade. Para muitos terá sido uma surpresa saber do facto.
Mas há países, como a Itália, onqe os sacerdotes diocesanos originários de África são mais de 1000!
Estes sacerdotes foram ordenados pelos seus bispos para servirem as comunidades cristãs das suas dioceses. Ficaram incardinados numa diocese local e num presbitério diocesano de que são parte a todos os títulos e onde fazem falta. Mas acabaram ao serviço de outras dioceses.
Uns vieram para estudar e nunca mais regressarm. Outros vieram expressamente à procura de oportunidades para exercerem o sacerdócio na Europa e obterem uma compensação financeira vantajosa para si próprios, as suas dioceses e as suas famílias. Não vieram para anuniar o Evangelho e fundar comunidades onde não as há - seriam missionários nesse caso. Vieram para cuidar pastoralmente de comunidades estabelecidas. Esta situação carece de sentido, sob muitos pontos de vista. Tanto assim que prefeito de uma Congregação Romana sentiu a necessidade de estabelecer regras e principios para regular o estranho fenómeno. Situações semelhantes à italiana existem em Espanha e noutros países da Europa, nos Estados Unidos. Em Portugal também há casos de recurso a sacerdotes oriundos de Angola, de países do Leste, do Brasil para obviar a falta de sacerdotes diocesanos.
Sempre existiu partilha de clero entre bispos e não é essa que está em causa. O que está em causa é recorrer a ela para se resolver um problema de fundo, a falta de sacerdotes em comunidades cristãs há muitos anos estabelecidas.
  • Por um lado, o normal é que a comunidade suscite, escolha e prepare os ministros para a sua vida; neste sentido as comunidades e as Igrejas locais têm de ser responsa-bilizadas neste processo, sob pena de se lhes passar certidão de menoridadade minis-terial.
  • Por outro, o bispo como cabeça da Igreja diocesana ordena sempre e só os sacerdotes para presidirem às suas comunidades; não os ordena para o serviço da Igreja universal ou para o serviço das dioceses de outros bispos! (!!!)

Quem conhece a Igreja na África, por exemplo, sabe que há bispos africanos que nem sempre exercem o ministério da imposição das mãos com responsabilidade. Ordenam sem exercerem o devido discernimento e, sobretudo, ordenam sacerdotes sem se preocu-parem com o problema da sua sobrevivência económica, sem definirem o estatuto económico do clero nas suas dioceses. Isso explica o facto de os sacerdotes procurarem oportunidades para saírem das suas dioceses, fugindo ao serviço das comunidades para que foram ordenados em primeiro lugar.
Sabemos que é delicado falar - e escrever - sobre este problema. Mas não podemos deixar de o fazer, no respeito partes envolvidas e em espírito construtivo que procura soluções. A solução, teológica e eclesialmente adequada, virá naturalmete das Igrejas locais com os seus bispos à cabeça, que se deverão empenhar em caminhos de reforma para que nelas surjam, suscitados pelo Espírito e reconhecidos pela autoridade, os ministros (em número e modelo) de que elas precisam.
O recurso a sacerdotes oriundos de outras dioceses, e de outros continentes, vai aparentemente em sentido contrário... O futuro dirá se esta importação é solução pará os problemas que afligem as comunidades cristãs no Norte, ou se é um recurso que atrasa a solução e mantém as igrejas locais europeias numa (indesejável) dependência e insuficência ministerial.

Pe. Manuel Augusto Ferreira, missionário Comboniano

segunda-feira, março 20, 2006

Poligamia? Sim ou Não?

Nos Estados Unidos, as reivindicações dos lobbies gay deram uma oportunidade aos partidá¡rios da poligamia. Muitos deles agrupam-se agora em torno de um movimento intitulado por Big Love (um amor amplo) e pedem exactamente o mesmo que os homossexuais: o direito a casar com quem quiserem. Mesmo que seja uma legião.
Para o colunista Charles Krauthammer, isto até tem bastante lógica. Afinal de contas, se o matrimónio tradicional se define como a união de duas pessoas de sexo contrário e assim como dizem os activistas gay a exigência do sexo oposto não é mais que um prejui­zo, uma discriminação e uma negação arbitrária do direito a escolher a forma de amar, então a restrição do número (união entre duas pessoas) é uma arbitrariedade, uma discriminação e uma negação da autonomia individual semelhante.
Este tipo de argumentação deixa furiosos os activistas gay que estão renitentes em partilhar a sua posição com os polí­gamos. De facto, houve até quem tentasse demarcar-se através de uma pirueta lingui­stica. Assim, Andrew Sullivan, um conhecido activista da causa gay, qualifica a poligamia como uma diversão que nada tem a ver com a homossexualidade. A poligamia, diz Sullivan, é uma mera actividade, a homossexualidade, pelo contrário, é um estado intri­nseco que ocupa um nível mais profundo da consciência humana.
A esta distinção de Sullivan, responde Krauthammer, que não se ajusta quando nos deparamos com encontro de um trio de lésbicas. Deve um activista gay qualificar essa relação como uma mera actividade ou como uma expressão autêntica de amor interpessoal? O que não se pode fazer é mudar a regra básica de um homem com uma mulher e obstruir as reivindicações de outros grupos que também pedem um tratamento igual.

domingo, março 19, 2006

EM ESPANHA hoje é dia do progenitor A ou B???!!!

O arcebispo de Valência, Dom Agustín García-Gasco, qualifica na sua carta desta semana de «ridículo» ter substituído no registro civil os termos «pai» e «mãe» por «progenitor A» e «progenitor B», respectivamente.
Segundo informou Aván, o prelado adverte que «quem se dedica a anular a identidade familiar, quem está fazendo desaparecer o significado jurídico e social de “ser pai” e de “ser mãe” está pondo sua mensagem ideológica para destruir a sociedade familiar e, com ela, a própria sociedade».
Como conseqüência da lei que permite as uniões entre pessoas do mesmo sexo, incluindo a adopção de crianças, o Boletim Oficial do Estado estabelece com uma ordem do Ministério de Justiça a criação de um novo formulário de livro de família, no qual se utilizarão os termos «progenitor A» e «progenitor B» em lugar de «pai» e «mãe».
Para Dom García-Gasco, «a legislação espanhola em matéria de matrimônio e família é cada dia mais mentirosa, sectária e radical» e, também, «falta à verdade do ser humano e à própria natureza». Em sua carta pastoral, o arcebispo convida as famílias a «romper silêncios absurdos», porque «queixar-nos ou rirmos dos escândalos políticos anti-familiares não basta», e anima a considerar o V Encontro Mundial das Famílias como «uma ocasião privilegiada para que as famílias de todo o mundo manifestem sua iniciativa e sua solidariedade».
Fonte: Zenit

quinta-feira, março 16, 2006

Nova religião ocidental: Crer sem pertencer a uma igreja ou grupo

Ainda que exista um «boom» de seitas e novas religiões nos países ocidentais, o fenômeno religioso mais extenso é o de quem crê sem pertencer ou praticar uma religião específica, revela o sociólogo Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre as Novas Religiões, de Turim (CESNUR).
Foi o que o sociólogo das religiões expôs durante o congresso sobre «A natureza da religião em contexto teológico», que aconteceu em Roma, na Faculdade de Teologia da Santa Cruz, nos dias 9 e 10 de março.
«Ouve-se com freqüência falar de uma ‘invasão das seitas’ ou de uma ‘explosão’ das novas religiões. Certamente, os movimentos religiosos de algum modo alternativos são muitíssimos. J. Gordon Melton - que por outro lado rejeita traçar uma linha de demarcação clara entre ‘velhas’ e ‘novas’ religiões - registra mais de 1.500 grupos de uma certa consistência nos Estados Unidos», revelou Introvigne.
«Em um país no qual o pluralismo é mais recente, como a Itália, o CESNUR tem conhecimento de mais de trezentas denominações», disse. «Na África, os especialistas enumeram milhares de novas religiões, e o número cresce a cada dia. Mas em nenhum país do ocidente os novos movimentos religiosos parecem superar 2% da população», assegurou, acrescentando que «na Itália é mais provável que estejam em torno de 1%». «A maior “nova religião” é, portanto, especialmente no ocidente, a de quem “crê sem pertencer”, segundo a fórmula da socióloga inglesa Grace Davie», explicou Introvigne.
Na Itália, por exemplo, segundo os dados da Pesquisa Européia sobre Valores de 2000, os católicos ocasionalmente praticantes são quase um terço da população. «Fica uma população constituída por mais da metade dos italianos que declaram “crer” em algo superior ou transcendente, mas que de fato não “pertencem” a uma comunidade religiosa no pleno sentido da palavra», indicou. «Vai desde aqueles que crêem em um poder superior, que não sabem contudo identificá-lo os “crentes a sua maneira”, “os cristãos a sua maneira” e “os católicos a sua maneira” (“sou católico, mas não pratico”; “sou católico, mas não estou de acordo com a Igreja”; e inclusive --postura não rara na Itália-- “sou católico mas estou contra os padres”), explicou.
Fonte: Zenit

domingo, março 12, 2006

"Portugueses são muito católicos e pouco cristãos"

"Estatística Anuário da Igreja revela menos 10 mil baptimos desde 2000 e mostra a existência de muito menos ordenações, com a média de uma para cada dois padres que morrem"
  • "Atingimos os níveis mais baixos desde os anos 70. Há uma crise sobre o ministério da Igreja e sobre a forma como as comunidades cristãs podem ser animadas", lamenta [D. Carlos Azevedo, secretário da C.E.P.]. A crise estende-se à vocação sacerdotal. De 2000 a 2003, o número de sacerdotes baixou de 3159 para 3029 menos 130. A estatística revela que por cada dois padres que morrem, apenas um é ordenado. Em 2003, por exemplo, morreram 80 padres e foram ordenados 37. Os seminaristas de filosofia e teologia também são menos."
  • "O anuário revela, ainda, e contudo, que 91,52% da população portuguesa diz professar a fé católica. Relativamente a isto, D. Carlos é peremptório "são muito católicos, mas pouco cristãos". "Ser católico não é só ser baptizado ou ir à missa. É uma exigência de vida, é seguir os evangelhos, é ser generoso. É ter consciência de que o que é pedido nem sempre é natural, ou seja, que exige conversão".
  • Sobre o futuro, tem uma perspectiva optimista "A Igreja talvez tenha menos gente, mas mais consciente", remata."
Jornal de Notícias, 11/03/2006

quinta-feira, março 09, 2006

A FORMAÇÃO ESPIRITUAL NO CAMPEONATO DO MUNDO DE FUTEBOL

A formação espiritual é imprescindível para um atleta, pois «no campo joga todo o homem, corpo e alma», diz um religioso que desenvolve apostolado junto a jogadores profissionais de futebol na Alemanha.
Em ano de CAMPEONATO DO do MUNDO DE FUTEBOL, e no país sede do evento desportivo de maior audiência no cenário mundial, Ir. Jauri Strieder, LC, brasileiro que há três anos vive na Alemanha, fala do trabalho apostólico na liga alemã de futebol. Ir. Jauri conta como novas iniciativas de apostolado podem aproximar o desporto e a religião. Fala também do apoio espiritual aos jogadores de futebol e, em contrapartida, como estes podem ajudar na formação da juventude, estimulando virtudes e bons hábitos.
Como surgiu a idéia de realizar este apostolado?
Ir. Jauri Strieder: Este apostolado é uma novidade na Alemanha. Sempre me vali do futebol para o trabalho com os adolescentes, por um lado devido a sua atração por se tratar de um desporto que oferece a oportunidade de formar muitas virtudes e bons hábitos. No ano passado, tivemos a idéia de usar também o prestígio dos jogadores, já que exercem cada vez mais um papel mais importante sobre os jovens e adolescentes. Depois fiquei maravilhado vendo a outra cara da moeda: os próprios jogadores agradecem o facto de poder colaborar em nossas acções e assim transmitir valores à juventude; alguns inclusive redescobrem a importância da fé para sua vida e sua família.
Como esta iniciativa é acolhida por parte dos jogadores na Alemanha?
Ir. Jauri Strieder: No Brasil, as manifestações de fé nos estádios são mais correntes que na Alemanha, onde a crença religiosa é tratada com mais discrição e reserva. É muito difícil, por exemplo, ver jogadores a rezar antes do jogo, cena comum em outros países. Mas o interesse pela religião está presente: o estádio do Schalke está equipado desde 2001 com uma capela, e eles têm o Papa como membro honorário da equipe; a Associação dos Jogadores (VDV) apoia a nossa iniciativa e abre muitas portas em diversos clubes do país.
Como é o apoio espiritual aos jogadores?
Ir. Jauri Strieder: Desde junho do ano passado actuamos como capelães da associação acima mencionada. Ali estamos à disposição dos clubes e jogadores de qualquer religião. Oferecemos diálogo pessoal, retiro espiritual, reflexão bíblica e peregrinações. Outro ponto importante é o apostolado dos jogadores, ou seja, sua colaboração em nosso trabalho juvenil, por exemplo, por meio da sua presença em acampamentos, em torneios de futebol e outras ocasiões, aproveitando actividades deste tipo para testemunhar a sua fé. Mas o diálogo com os jogadores não se limita ao meramente espiritual, mas que perguntam por outros temas, às vezes, bem mundanos.
São os jogadores que buscam o contacto com os religiosos ou são vocês?
Ir. Jauri Strieder: Ambos são válidos: em parte a associação dos jogadores desperta o interesse por nos contactar, em parte por causa da nossa atitude missionária, saindo ao encontro dos jogadores. Hoje em dia não é o tempo de esperar pelos fiéis na sacristia, mas a evangelização requer lançar as redes, vencer barreiras. No último ano, tanto o Papa alemão como a Jornada Mundial da Juventude conquistaram o coração de muitos jogadores, e isso foi para vários uma redescoberta da beleza da fé. Graças a esta experiência eclesial, querem saber mais sobre Deus, e estão dispostos a entrar na pastoral juvenil, também por meio de nossa rede de jovens católicos, Catholic Youth World Network (www.cywn.net), onde adolescentes entre 11 e 16 anos procuram crescer na amizade e construir um mundo novo baseado nos valores que Ele nos ensinou.
Há casos em que se recomendaria mais um psicólogo?
Ir. Jauri Strieder: A psicologia e a religião são duas asas que se podem ajudar, especialmente se ambas se conhecem e se respeitam. Há situações onde a visita a um psicólogo pode ajudar, por exemplo, em caso de problemas de motivações, bloqueios no rendimento, etc. Contudo, creio que muitas dificuldades poderiam ser resolvidas falando com um sacerdote.
Futebol é feito de resultados. Poderia falar-nos dos resultados do apostolado?
Ir. Jauri Strieder: Vale a pena mencionar alguns resultados concretos: durante a Jornada Mundial da Juventude, vários jogadores aceitaram comparecer em nosso Internet Café para manifestar publicamente sua fé; obtivemos grande apoio para a Aktion Kilo (Ação Quilo) durante o advento, com diversos prêmios cedidos pelos próprios jogadores aos grupos que arrecadaram mais alimentos, tivemos vários encontros de adolescentes com jogadores. Um deles foi em outubro com o jogador brasileiro Athirson, do Bayer Leverkusen, no qual afirmou o papel de Deus e de sua família em sua vida a um grupo numeroso de crianças. Uma mensagem como esta vale muitíssimo. Actualmente são 15 jogadores da primeira divisão que colaboram em acções semelhantes.
Que contribuição traz a formação espiritual para a vida de um atleta?
Ir. Jauri Strieder: No campo joga todo o homem, por assim dizer, corpo e alma. O nosso objectivo não é transformar o futebol num ritual, o estádio num templo ou a bola num Deus. Simplesmente procuramos orientar o jogador em sua relação com Deus e despertar nele a sede de fazer algo por Ele e pelos outros.
O mundial de futebol acontecerá em junho próximo na Alemanha. Haverá alguma iniciativa para oferecer atenção espiritual aos atletas?
Ir. Jauri Strieder: A FIFA designou alguns padres para a pastoral durante o Mundial. O plano é que seja designado um capelão para cada equipa. Por outro lado, as igrejas locais aproveitarão para organizar eventos para os fas. A acção concreta dos padres está a planear-se.
Fonte: Zenit

quarta-feira, março 08, 2006

Aborto volta a ser proibido em Estado norte-americano

O Dakota do Sul, nos EUA, aprovou esta segunda-feira legislação que bane a prática de abortos no Estado. A lei, assinada pelo Governador Mike Rounds, é a primeira a desafiar a célebre sentença do caso “Roe vs. Wade”, que legalizou o aborto em todos os EUA desde 1973.
A nova lei entrará em vigor a partir do dia 1 de Julho de 2006 e foi bem recebida por muitos líderes pró-vida, como o Pe. Thomas J. Euteneuer, Presidente do Vida Humana Internacional (VHI). Este responsável, citado pela ACI, afirmou que "o povo do Dakota do Sul falou e exigiu o fim da matança de bebés não nascidos".
"As organizações que lucram com o aborto farão o possível para reverter a vontade do povo de Dakota do Sul com artifícios legais, mas a caminhada para a total protecção das pessoas desde a concepção até a morte natural deu um grande passo", acrescentou.
Dois Bispos católicos já saudaram a decisão do Estado norte-americano, que bane praticamente qualquer tipo de abortos – a excepção são os casos em que há risco de vida para as mães -, pedindo que este seja um passo para a construção de uma “cultura de vida”.
D. Blase J. Cupich assegurou que os cidadãos do Dakota do Sul podem estar orgulhosos dos seus esforços para devolver direitos às crianças por nascer”, alertando, contudo, que a mudança nas leis e nas estruturas “não é suficiente”.
Já D. Samuel J. Aquila explicou que “a vida humana é sagrada porque envolve a acção criativa de Deus”.“Nenhum de nós pode reclamar o direito de destruir, directamente, um ser humano inocente”, concluiu.
Fonte: Ecclesia

Dia Internacional da Mulher

CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS MULHERES
(...) Infelizmente, somos herdeiros de uma história com imensos condicionalismos que, em todos os tempos e latitudes, tornaram difícil o caminho da mulher, ignorada na sua dignidade, deturpada nas suas prerrogativas, não raro marginalizada e, até mesmo, reduzida à escravidão. Isto impediu-a de ser profundamente ela mesma, e empobreceu a humanidade inteira de autênticas riquezas espirituais.
Ele, superando as normas em vigor na cultura do seu tempo, teve para com as mulheres uma atitude de abertura, de respeito, de acolhimento, de ternura. Honrava assim, na mulher, a dignidade que ela sempre teve no projecto e no amor de Deus. Ao fixar o olhar n'Ele, no final deste segundo milénio, vem-nos espontaneamente a pergunta: em que medida a sua mensagem foi recebida e posta em prática? Sim, é tempo de olhar, com a coragem da memória e o sincero reconhecimento das responsabilidades, a longa história da humanidade, para a qual as mulheres deram uma contribuição não inferior à dos homens, e a maior parte das vezes em condições muito mais desfavoráveis.
Penso, de modo especial, nas mulheres que amaram a cultura e a arte, e às mesmas se dedicaram partindo de condições desvantajosas, excluídas frequentemente de uma educação paritária, submetidas à inferiorização, ao anonimato e até mesmo à expropriação da sua contribuição intelectual. Infelizmente, da obra imensa das mulheres na história, bem pouco restou de significativo com os métodos da historiografia científica.
Mas, por sorte, se o tempo sepultou os seus vestígios documentais, não é possível não perceber os seus influxos benfazejos na seiva vital que impregna o ser das gerações, que se foram sucedendo até à nossa.
(...)Na política do futuro, os graves problemas em aberto verão sempre mais envolvida a mulher: tempo livre, qualidade da vida, migrações, serviços sociais, eutanásia, droga, saúde e assistência, ecologia, etc. Em todos estes campos, se revelará preciosa uma maior presença social da mulher, porque contribuirá para fazer manifestar as contradições de uma sociedade organizada sobre critérios de eficiência e produtividade, e obrigará a reformular os sistemas a bem dos processos de humanização que delineiam a «civilização do amor».
Mais, em nome do respeito pela pessoa, não podemos não denunciar a difusa cultura hedonista e mercantilista que promove a exploração sistemática da sexualidade, levando mesmo meninas de menor idade a cair no circuito da corrupção e a permitir comercializar o próprio corpo.

terça-feira, março 07, 2006

Segredos de Deus para esta Quaresma

Quando te levantares, de manhã, repara no Sol que preparei para aquecer o teu dia abre a janela, enche os pulmões e grita “Bom Dia Mundo!”
  • Aproveita a água quente do duche.
  • Saboreia o pequeno-almoço que te deixei para aconchegares o estômago.
  • Não te atrapalhes com os imprevistos e com os sobressaltos do dia.
  • Não resmungues com o teu vizinho mas ri-te da irritação que sentes sempre que o vês.
  • Cumprimenta as pessoas na rua mesmo que elas estranhem.
  • Ajuda aquele teu colega, tenho reparado que anda a sentir-se atrapalhado.
  • Dá esmola àquela senhora que costuma pedir na esquina, gosto muito dela.
  • Quando fores pela rua pára um bocadinho a apreciar o vento que passa nas árvores e corre atrás do balão que o miúdo soltou sem querer.
  • Não desprezes o arrumador de carros - tenho andado muito preocupado com ele.
  • Ri-te quando tiveres oportunidade, as tuas gargalhadas são deliciosas.
  • Telefona ao teu avô mesmo que te falte a paciência - ele está a precisar de atenção e manda um e-mail à tua Avó – que ela já deve estar ligada à Net.
  • Mete-te com a velhinha que mora sozinha – sente-se demasiado só e abandonada.
  • Abre o roupeiro do teu quarto e oferece as roupas que já não precises.
  • Vai pedir desculpa àquela pessoa que anda magoada contigo.
  • Marca um jantar com os teus amigos e diz-lhes o quanto gostas deles.
  • Ajuda o rapaz da cadeira de rodas que ele bem gostaria de se movimentar como tu.
  • E à noite, antes de te deitares, deixa-te maravilhar com a lua e as estrelas que deixei no céu para tornar a noite mais bonita.

Aconchega-te na cama e dorme bem. Eu fico a guardar o teu sono.

Fonte: Toques de Deus

domingo, março 05, 2006

Questões da vida são de humanidade e de cidadania

Em entrevista ao «Correio do Vouga», D. Manuel Clemente, presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais defende que, em temas como o aborto e a homossexualidade, não há uma oposição concertada à Igreja, mas uma questão de cultura
Correio do Vouga - É prejudicial abordar as questões da vida a partir da fé cristã?
D. Manuel Clemente - Jesus Cristo radicaliza e ilumina as respostas. Mas as perguntas – e as respostas no seu princípio – são da humanidade inteira e desde sempre. Foi com humanidade que nós, a pouco e pouco, fomos descobrindo o que era a vida. Nós acreditamos na Criação e nos seus dinamismos. Por isso, descobrir cada vez mais o que somos como humanidade e o que devemos uns aos outros como cidadãos, isso é um quinhão comum a todos os homens e mulheres à superfície da terra. Não são questões confessionais.
CV - A iluminação cristã, neste debate, é para ser vivida, mas não invocada...
MC - Em Jesus Cristo, vemos uma radicalização da resposta, porque Ele faz da vida – e da vida de todos e de cada um – um absoluto. Ele próprio entrega a sua vida e a partir daí a vida tem um valor infinito. Ora, isso é uma motivação cristã com a qual nós devemos enriquecer não digo tanto o debate, mas a nossa presença. Agora as questões da vida são, antes de mais, questões de humanidade e de cidadania e é nesse terreno que devem ser colocadas.
CV - Considera que há uma “oposição concertada à Igreja”, como dizem algumas pessoas, nas questões da vida e da sexualidade?
MC - Não sei se é de agora. Estamos diante de um debate cultural que tem já pelo menos duzentos anos. É aquilo a que nós chamamos liberalismo. Eu resumo: de há duzentos anos para cá, tudo aquilo que era posto em termos de colectivo, passou a ser posto e cada vez mais em termos de indivíduo. As liberdades são entendidas sobretudo como elas se jogam na vida de cada um e no seu desejo e como possibilidades técnicas. Cada um hoje tem a possibilidade de autoconstruir como nunca teve. Tecnicamente tem essas possibilidades. Ora, ligando individualismo e técnica, hoje em dia parece que basta ser possível fazer-se, transformar-se ou ser outra coisa para que seja legítimo.
CV - Não se trata, então, de uma oposição à Igreja enquanto tal?
MC - Este debate vem da base liberal, que é hoje sobretudo individual e até individualista, e põe a questão em termos que dificilmente aceitam qualquer chamada de atenção para o colectivo, para o interesse geral, para aquilo que a todos diz respeito: “Porque é que eu, como indivíduo, não posso fazer, se eu quero?” O que está em causa é mais amplo do que ser propriamente contra a Igreja. É uma questão de cultura.
CV - A Igreja está disposta a dialogar com todos os sectores da sociedade, mesmo com aqueles que a ela se opõem nestas questões? Ultimamente, a propósito da Gaudium et Spes, tem-se falado muito da nova atitude eclesial perante o mundo... Mas, com quem defende “questões fracturantes”, como o casamento homossexual, o diálogo é difícil ou mesmo impossível...
MC - O que a Gaudium et Spes fez foi sobretudo pôr a Igreja à escuta e na interpretação dos chamados sinais dos tempos. Mas os sinais dos tempos, como o Concílio os encara, são os sinais dos tempos enquanto tempos do Espírito. Ou seja, nós acreditamos que o Espírito de Deus, que é a alma da Criação, a pouco e pouco vai desdobrando as suas potencialidades em cada geração humana. Quando falamos em geração humana, estamos a falar de humanidade. E quando falamos de humanidade, ainda antes de uma posição religiosa, ou seja, numa posição antropológica, encaramo-la naquilo que é a sua base geral: a alteridade masculino/feminino...
CV - Essa alteridade vai sempre existir, mas alguns querem viver como se não existisse...
MC - Hoje, por aquilo que há pouco referi acerca das escolhas de cada indivíduo e das possibilidades técnicas para o conseguir em termos de transformação do seu próprio corpo, a complementaridade masculino/feminino parece estar em causa, mas realmente não está. Qualquer transformação ou possibilidade tecnológica – mudar o sexo ao longo da existência, por exemplo – não contraria aquilo que continua a ser uma evidência até para a própria sobrevivência da humanidade: a alteridade masculino/feminino.Além disso, uma cultura “homo” (e não “hetero”), negando essa alteridade, fecha cada indivíduo em si mesmo e, portanto, dificulta a aceitação da diferença do outro que a própria diferença do sexo induz. Tudo quanto seja fechar-se no “homo”, nesse sentido unissexual, ou atenuar a alteridade como própria da humanidade parece-nos ser, mas em termos pura e simplesmente humanos, para já, um atentado ao crescimento da humanidade. Isto não significa que não se atenda ao percurso individual, ao crescimento de cada um, ao respeito pelas suas etapas. Mas sem desistir deste horizonte de heterossexualidade.
CV - A encíclica de Bento XVI ao falar do “eros” (amor ascendente, amor que procura, tipicamente o amor entre homem e mulher), para além do habitual “ágape” (amor descendente, amor oblativo), falou do amor de uma forma pouco habitual nos documentos oficiais...
MC - As palavras, como o Papa diz, degradaram-se bastante. Perderam muito do seu significado. E o que o Papa faz, até como filósofo que é, é recuperar o sentido original das palavras, para recomeçar a conversa a partir daí. Ele diz mesmo: é preciso antes de mais fazer uma elucidação terminológica. Quando falamos do “eros”, falamos desta apetência que nós temos pelas coisas, pelos outros... É qualquer coisa de espontâneo em nós.
CV - Bento XVI liga “eros” e “ágape”. Não estávamos habituados a isso...
MC - O que o Papa diz – e isso é uma verdade humanística a que o próprio cristianismo dá muita ênfase – é que, se esta apetência se fecha em si própria como satisfação de um apetite, acaba por se degradar. O “eros” deve ser uma abertura para crescer, não apenas no aproveitamento do outro, mas no acolhimento do outro e na oblação ao outro. Deve levar-nos, portanto, a algo que não seja apenas em nosso benefício, mas que nos realize no encontro com o outro e no serviço do outro. Ou seja, transformado em “ágape”. É fundamental que esta apetência que eu tenho pelos outros não se feche, no sentido egoísta do termo, mas que seja uma abertura a encontrar-me com os outros e além de mim.
CV - Surpreendeu-o a encíclica?
MC - Surpreendeu-me no sentido em que não estaria à espera que fosse esse tema, mas uma vez que ele apareceu, acho que não pode ser mais actual. Esta compreensão da humanidade de cada um na oferta e no encontro mais além, onde o outro também se pode encontrar, ai isso é da maior oportunidade para este debate cultural a que me referia atrás.
Fonte: Ecclesia

quinta-feira, março 02, 2006

“Papa admite possibilidade de dar mais espaço e responsabilidade às mulheres”

Bento XVI admitiu ontem a necessidade de “perguntar-se” se no serviço ministerial da Igreja não será possível “oferecer mais espaço e mais posições de responsabilidade às mulheres”.
A Santa Sé apenas hoje publicou a longa intervenção de Bento XVI, que durante duas horas esteve em conversa com os párocos da Diocese de Roma, respondendo a várias perguntas. O somatório das respostas resultou numa das mais extensas intervenções papais destes meses de pontificado, abordando matérias diversas, como os pontificados do século XX, o ecumenismo, a defesa da vida, a pastoral da família, os jovens e a formação dos novos sacerdotes, entre muitos outros.
Respondendo a uma questão levantada por um jovem padre, o Papa abordou a questão da ordenação sacerdotal das mulheres, reiterando que “o ministério sacerdotal do Senhor é, como sabemos, reservado aos homens”. Este é, para Bento XVI, o “ponto decisivo” de qualquer discussão sobre a matéria.
Todavia – observou – é justo perguntar-se se, no serviço ministerial, apesar do facto de o Sacramento e o carisma serem o único binário em que se realiza a Igreja, não se poderá oferecer mais espaço, mais posições de responsabilidade às mulheres”.
O Pe. Marco Valentini, que interrogou o Papa, pedia um aprofundamento do papel das mulheres no governo da Igreja e insistiu na necessidade de dar um reconhecimento também institucional e não apenas carismático às mulheres.
Bento XVI falou da “dívida de gratidão” que a Igreja tem para com as mulheres e citou os exemplos de Madre Teresa de Calcutá, Santa Catarina, Santa Brígida e Santa Ildegarda, que contribuíram de modo extraordinário para a vida eclesial. Já na visita de 5 de Fevereiro à paróquia de Santa Ana, o Papa agradeceu às mulheres, "alma da família e da paróquia" e "primeiras portadoras da palavra de Deus no Evangelho".
O Papa lembrou ontem que “a parte carismática distingue-se, claro, da parte ministerial num sentido estrito, mas é já uma verdadeira e profunda participação no governo da Igreja”.
Em 2004, a Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratiznger, escreveu uma Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo.No texto referia-se que “as mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial” e recordava-se “o facto de a ordenação sacerdotal ser exclusivamente reservada aos homens (dado reafirmado pelo Papa João Paulo II na Carta apostólica Ordinatio sacerdotalis de 22 de Maio de 1994, ndr)”, considerando que isso “não impede as mulheres de terem acesso ao coração da vida cristã”.
Fonte: Ecclesia