
“Na Europa, temos passado de um catolicismo sociológico, natural, a outro, voluntário, de livre eleição”.
“Depois, está a dificuldade de crer no invisível. Aqui só se crê naquilo que se pode ver. Não é o caso da África, onde há um sentido religioso natural. Ali há muitos deuses, e é necessário só um. Aqui não há deuses, e também precisamos de um. É uma realidade, e temos que aceitá-la”.
Nem rastro das metáforas apocalípticas que Bento XVI usa, como aquela que se serve de uns javalis arrasando a vinha do Senhor para descrever a civilização atual.
Danneels é um homem que se afasta de boatos, que descreve com franqueza a perspectiva que ele observa desde a atalaia da capital política da Europa. Da mesma forma que se refere ao retrocesso do catolicismo no continente, não oculta as dificuldades para construir pontes com a outra grande religião monoteísta. “O Islão não está muito aberto ao diálogo inter-religioso. Na Europa, a maioria dos muçulmanos vêm do norte da África, têm um nível cultural baixo e sentem-se inferiores, o que os empurra para a rejeição. O Islão há de fazer a sua revolução francesa, tem que separar o Estado da religião. Enquanto isso não acontece, os problemas persistirão. Os religiosos de uma e de outra confissão podem falar entre si, mas somente enquanto a política não interferir”.
Danneels é um homem que se afasta de boatos, que descreve com franqueza a perspectiva que ele observa desde a atalaia da capital política da Europa. Da mesma forma que se refere ao retrocesso do catolicismo no continente, não oculta as dificuldades para construir pontes com a outra grande religião monoteísta. “O Islão não está muito aberto ao diálogo inter-religioso. Na Europa, a maioria dos muçulmanos vêm do norte da África, têm um nível cultural baixo e sentem-se inferiores, o que os empurra para a rejeição. O Islão há de fazer a sua revolução francesa, tem que separar o Estado da religião. Enquanto isso não acontece, os problemas persistirão. Os religiosos de uma e de outra confissão podem falar entre si, mas somente enquanto a política não interferir”.
A civilização ocidental e a modernidade não são inimigas do cristianismo, como interpretam o pessimismo de certos clérigos, para quem "estamos no mundo, mas não somos do mundo." Negam com isto a vida e o progresso. Sentem-se inseguros ante os desafios da existência e do tempo presente. Por tal razão, refugiam-se no passado obscuro e medieval, onde todas as perguntas tinham "respostas"(!) Recusam-se a fazer uma auto-crítica humana e construtiva, pois a boa-nova que viria com isto é por demais desconcertante para quem se acha dono da verdade. Contudo, os caminhos da Igreja serão sempre desinstaladores, onde fé e dúvida sempre coexistirão, uma vez que somos pessoas humanas e não seres angelicais. Assim, ao invés de teimarmos em projetarmos um deus antropomórfico, deixemo-nos, a exemplo do profeta, ser continuamente criados e recriados pela mãos do Oleiro, cuja aceitação da mudança criativa e permanente se refletirá na Igreja e na sociedade de modos muitos mais benéficos do que o são agora.
ResponderEliminar