quarta-feira, junho 18, 2008

Uma Europa de Valores

Mais uma vez, a União Europeia foi despertada do seu adormecimento institucional pelos cidadãos. Neste caso, o «Não» da Irlanda tem um impacto que ultrapassa, em muito, o âmbito nacional, podendo colocar em risco o Tratado de Lisboa de que os governantes portugueses tanto se orgulham.
Os cidadãos europeus parecem ser um problema para quem lidera a União e está, muitas vezes mergulhado em questões menores ou demasiado virado para si mesmo:
  • quando os europeus não participam, há queixas do seu alheamento;
  • quando participam, são pouco dóceis aos desígnios comunitários e têm o mau hábito de se lembrarem dos problemas com que convivem no seu dia-a-dia e castigarem quem comanda os seus destinos.

“Bruxelas” está a deixar de ser o símbolo de paz e unidade europeias para passar a ser uma espécie de papão para as faixas da população mais desprotegidas. Se quiserem ser levados a sérios, os mentores desta nova Europa (reunificada, para os políticos; reconciliada, para a Igreja) têm de estar atentos às necessidades concretas das populações que são chamados a servir – esse fim nobre da política que cada vez mais parece mais esquecido...

Enquanto a vida passa lá fora e a União discute sobre o que há-de fazer com os seus documentos, o preço do petróleo não pára de aumentar, as greves e as manifestações de descontentamento multiplicam-se, a crise alimentar adensa as nuvens negras no horizonte. O papão não será o culpado de tudo, mas tem de fazer mais para esclarecer e ajudar os habitantes deste Velho Continente, uma referência para todo o mundo.

A Europa dos 27 precisa de redescobrir-se, nos valores que lhe deram origem e nas intuições que fundamentam esses valores, de forma a querer ser “seguida” pelos seus e pelo mundo. Negligenciar este património é comprometer o futuro deste projecto político.

Neste contexto, é impossível neglicenciar a importância do diálogo com a sociedade civil e com as confissões religiosas. A presença da Igreja neste continente é um dado incontornável, visível na construção dos valores que moldaram a Europa e, pelo seu património cultural, praticamente nas ruas de cada cidade.

O diálogo com o passado tem neste campo dos Bens Culturais da Igreja um desafio particular, simbólico. Vale a pena investir naquilo que distingue a nossa casa e nos ajuda a reconhecê-la.

Octávio Carmo in Ecclesia

Quando os valores não importam, preocupam-se com documentos...

Quando as raízes são esquecidas, quando as instituições que moldaram a Europa são marginalizadas e redicularizadas o que se espera...

Quando a democracia só é boa se o povo concordar connosco, ficamos surpreendidos quando isso não acontece... Tem algum mal que os Irlandeses, como povo soberano e democrático, tenha dito através do voto que NÃO ou só podia votar sim?!!! E agora vamos repetir os referendos até que o povo vote SIM?!!! Não foi assim que fizeram em Portugal em relação ao referendo do Aborto...

7 comentários:

  1. Os políticos que temos mais parecem emissários de uma qualquer ideologia que servidores do povo.
    Que lugar tem para eles a opinião das suas gentes?!

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  2. Citando o autor do blog we have kaos in the garden: os nossos políticos não são putas porque essas vendem o que é delas. Eles são é chulos!

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  3. Não é anónimo foi a Teodora

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  4. «redescobrir-se, nos valores que lhe deram origem e nas intuições que fundamentam esses valores,»

    Concordo plenamente.
    Venham esses tempos e esses valores que eu tenho saudade do cheirinho a churrasco!

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  5. Entre o churrasco e as deportações e execuções sumárias da era stalinista/leninista que venha o diabo e escolha.

    Que venha o churrasco, que estamos no S. João!

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  6. Porque há-de a Europa dos 27 ser refém de um único país (neste caso a Irlanda)? Quanto representa, em percentagem de população, a Irlanda no todo da Europa dos 27? Mais de 50%?? Só se assim for se justifica que este Tratado de Lisboa seja deitado para o 'lixo'...

    Por outro lado... para que servem as eleições legislativas se a cada decisão é preciso haver um referendo??
    Porque teria de haver um referendo ao Tratado de Lisboa e não tem de haver um Referendo ao Orçamento anual do Governo?? ou à Reforma da Edução, da Saúde, da Justiça, e a cada nova Lei que o Governo queira decidir??

    Bem vistas as coisas nós nem sabemos viver em Democracia... porque não nos queremos confiar nas mãos de uns quantos eleitos (que por acaso até somos nós - os que vamos votar - que elegemos. E só quem vota tem direito a reclamar o quer que seja, porque não se podem reclamar direitos sem se cumprirem deveres!!)...

    Parece-me que estávamos bem melhor numa monarquia absolutista!! Já agora... faça-se da Europa um Império e que o nosso D. Duarte seja o Imperador!!

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  7. Quando a democracia s� � boa se o povo concordar connosco, ficamos surpreendidos quando isso n�o acontece... Tem algum mal que os Irlandeses, como povo soberano e democr�tico, tenha dito atrav�s do voto que N�O ou s� podia votar sim?!!! E agora vamos repetir os referendos at� que o povo vote SIM?!!! N�o foi assim que fizeram em Portugal em rela�o ao referendo do Aborto...



    Foi, mas o clero n�o parou com ataques at� hoje!

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