quarta-feira, abril 09, 2008

Não existe o "bom divórcio"

Ao falr sobre o tema da fé e os filhos de divorciados, Elizabeth Marquardt apresentou um estudo no qual se revela que «as crianças criadas no divórcio dizem que não existe o ‘bom’ divórcio. Inclusive os amistosos ou ‘bons’ divórcios exigem dos filhos crescer entre dois mundos, obrigados a encontrar sentido nas dramaticamente diferentes crenças, valores e modos de vida de seus pais».
O divórcio obriga os filhos a darem sentido aos dois mundos de seus pais.
O resultado é que o divórcio supõe um permanente conflito interior na vida dos filhos. «O conflito interior pesa sobre os filhos, fazendo-os crescer muito cedo.»
Os filhos de divorciados, acrescentou Marquardt, «se sentem em si mesmos como divididos, desgarrados entre os mundos de seus pais. Sentem-se muito mais sozinhos. Convertem-se em cautelosos e com freqüência reservados. Não sabem a quem pertencem. Sentem que têm de resolver as grandes questões da vida por eles mesmos. Lutam com uma enorme perda que causa impacto em sua vida espiritual. E fazem isso no isolamento e no silêncio, porque ninguém fala do trabalho que lhes impôs: dar sentido sozinhos aos dois mundos diferentes de seus pais».
Como resultado de seus dois mundos, «os filhos de divorciados têm menos probabili-dades de ter uma implicação consistente em uma confissão religiosa quando crescem»; por isso, segundo as estatísticas, «são menos religiosos que os filhos de famílias unidas», explicou Marquardt.
Marquardt também revela em sua pesquisa que muitos filhos de divorciados têm grande dificuldade para compreender que Deus é pai, devido à distância das relações paternas. Agora, para os que têm fé, disse Marquardt, a sua relação com Deus preenche um vazio. «Movem-se a Deus em busca de amor e guia, ante a ausência de um pai ou de uma mãe, ou para evitar uma vida solitária.»
«Está claro – concluiu Marquardt – que independentemente de que cheguem a ser mais ou menos religiosos, os itinerários espirituais dos filhos de divorciados refletem consistentemente histórias de perda, dor e solidão.»
Marquardt disse que as Igrejas podem prestar uma enorme ajuda aos filhos e famílias afectados pelo divórcio, por isso se trata de um tema que não se deve evitar. «É plenamente possível ser compassivos com os filhos de divorciados e sublinhar a importância do matrimônio e ao mesmo tempo afirmar e apoiar os progenitores sozinhos e divorciados.»

14 comentários:

  1. CONFIRMO!!!!!!!!

    Não escolhi, pais divorciados.
    Não escolhi,com qual dos dois ficar.
    Não escolhi, ser bola de ping-pong.
    Não escolhi, também que ao divorciarem-se, também se divorciassem de mim.

    Travaram batalhas titânicas no tribunal de menores!
    Ofenderam-se mutuamente!
    O que ganhou a batalha em tribunal... entregou-me aos cuidados de terceiros (após ter-me afastado do outro progenitor).

    Cresci, e, vivi sem nenhum deles por perto...

    A unica coisa que ganhei... foi quem cuidou de mim, ter-me orientado na religião católica.

    Ao fim de muitos anos, muito sofrimento, muita dor (dor de perda, de rejeição...), encontrei a fé....

    Concordo que as familias monoparentais, sejam acolhidas com amor na Igreja!

    Concordo que se proceda até a colóquios, com testemunhos destas crianças (já adultas).

    O egoismo dos adultos, terá de ficar sempre no patamar de baixo, para que as crianças possam ser crianças!

    Quando não se sente o amor transmitido pelos progenitores, que amor se poderá reflectir na nossa sociedade?

    Kalos

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  2. Cruzo-me diariamente com miúdos cujas histórias são muito parecidas com a sua.

    Antigamente as mães eram a âncora da família. Hoje nem tanto.

    Algumas abandonam os filhos para irem viver com o novo conjuge e as avós que fiquem com eles. Nunca mais os visitam. Já não lhes interessam para a fotografia.

    Aos trinta e poucos anos já têm filhos de três companheiros diferentes. Lá que vivam como entendem tudo bem, mas não brinquemos aos casamentos em versão com filhos à mistura.

    Conheço miúdos de 10 anos que são mais responsáveis do que as mães.

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  3. Alguns.
    Pois se foram elas que quiseram a guarda das crianças deveriam permanecer com elas e não abandoná-las para a Santa Casa da Misericórdia ou avós.

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  4. Quando não houver avós para cuidarem dos miúdos o problema ainda vai piorar

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  5. Mas os pais podem sempre requerer a tutela das crianças e têm até uma especial dever de o fazer, se a mãe ficar indisponível, por quelquer notivo.
    Ou acha só as mães é que têm os deveres parentais?

    Já agora, esqueceram-se de dizer o essencial : um mau casamento faz mais mal aos filhos que um bom divórcio.
    E pode haver divórcios bons, neste sentido.

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  6. http://blasfemias.net/2008/04/11/sobre-o-divorcio-a-pedido-na-america/

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  7. Já agora gostava de ouvir a opnião dos filhos de pais divorciados. Porque eles são as principais vitimas, os esquecidos no meio disto tudo. Só em casos muito esporádicos é que a situação melhora para eles. Valia a pena reflectir sobre o testemunho do primeiro anónimo....

    Não escolhi, pais divorciados.
    Não escolhi,com qual dos dois ficar.
    Não escolhi, ser bola de ping-pong.
    Não escolhi, também que ao divorciarem-se, também se divorciassem de mim.

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  8. O pai poderá pedir a tutela do filho, mas é difícil gerir a vida familiar de um filho quando se é camionista de longo curso, por exemplo!

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  9. E que significa isso? O argumento é absurdo, pois uma mãe pode também ter essas dificuldades relativamente à conciliação da vida profissional e familiar.

    Ou a desresponsabilização do pai é justificável e a da mãe nunca o é?
    Quanto á opinião de filhos de divorciados, o problema não é serem filhos de pais divorciados, é serem filhos de pais mal casados.

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  10. Ok.. então nenhum pode, por isso, entrega-se à Comissão de Protecção de Menores!

    O miúdo deu jeito, foi giro, até conseguiu "caçar" o gajo (ele casou ela) mas agora tem de despachá-lo porque a vida pessoal da mãe é muito mais importante!

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  11. Bem o que me parece da situação que descreve é que o pai também já despachou o míúdo porque a vida pessoal do pai é muito mais importante que a do filho. Tanto que nem se importa se ele vai parar a uma isntituição de menores.

    Do seu texto sobressia uma coisa fundamental - o problema para as crianças não é o divórcio dos pais - é haver pais e mães incapazes de assumirem as suas responsabilidades parentais e de partilharem a tutela.
    O problema das crianças não é serem filhos de pais divorciados, é serem filhos de pais que foram "mal casados".
    Ou de um pai e uma mãe sem capacidades parentais.


    E se isso existe não é por causa do divórcio.

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  12. Vamos construir uma sociedade onde os filhos ou não tem pai ou não tem mãe (monoparentais) ou são entregues aos avós.
    Imaginem uma sociedade onde a maioria dos pais são divorciados (+ 50%) para os defensores do divórcio deve a sociedade que propõe, é o ideal uma sociedade de filhos com vários "pais"... será este o caminho ideal para os filhos?

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  13. O grande problema da sociedade actual não são os filhos, são mesmo os pais.

    Normalmente, os filhos são o que os pais fazem deles.

    Mas o que eu digo não interessa para nada. É apenas a minha opinião.

    Se calhar se os adultos estivessem mais interessados em ouvir as crianças, julgo que não se via tanta miséria humana.

    Mas é como digo, é só mesmo a minha humilde opinião.

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