sexta-feira, outubro 20, 2006

UMA CULTURA DE MORTE

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência.
Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.
Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.

E a tentar resolver.
Como?
Obviamente, promovendo os nascimentos.
Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.
Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.
Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo. Um sinal de saúde.
Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.
Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.
O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.
Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida. E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.
A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.
Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?
Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?
No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?
Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?
José António Saraiva, no Semanário SOL

3 comentários:

  1. Fikei muito contente de ver aqui o meu nome associado a este blog!

    Axo que ando a perder muita informação util!

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  2. Eskeci-me de dizer,já não está disponivel o "Marcas na Alma".Quando puder pode eliminar o link!

    Fikem bem...

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  3. Um filósofo, disse, algures:
    "Se Deus não existe, tudo nos é permitido".

    Triste realidade é o mundo de agora, onde colhemos o que semeamos, e se não semeamos, no mínimo oferecemos de mão beijada o terreno propício, com o nosso silêncio e encolher de ombros.
    E quando não silenciamos, falamos de forma tão débil, que mais parece o balbuciar de um moribundo.

    A Igreja, como digna representante dos fiéis cristãos, devia dizer alto e com coragem: NÃO! E devia também elucidar, de forma explícita e coerente, os motivos do NÃO, de acordo com os fundamentos da moral cristã - sem receios de a acusarem de interferir em assuntos políticos. A política está intrinsecamente interligada com todos os outros factores da vida humana.

    A pouco e pouco a porta foi-se abrindo, até se escancarar de vez.
    Primeiro, o aborto começou por legalizar-se até às oito semanas, depois dez, doze; há países onde a legalidade já chegou às 24 e irá até aos nove meses…
    Com a homossexualidade acontece o mesmo: paulatinamente se vai aceitando todo o género de aberrações.
    O mesmo acontece no que se refere a todas as outras imoralidades e violências: tudo irá ser permitido. Veja-se na Bélgica que já há juízes que defendem a pedofilia a partir de uma determinada idade...

    Como formulou certa vez um cientista:
    "Estamos todos a bordo de um trem que desce a montanha em alta velocidade. Há alguns comandos desconhecidos.(...) e é bem possível que o maquinista seja o demônio".

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