sábado, fevereiro 05, 2011

SE O SAL SE CORROMPE

Poucos escritos podem sacudir o coração dos crentes com tanta força como o pequeno livro de Paul Evdokimov: “El amor loco de Dios”. Com fé ardente e palavras de fogo o teólogo de S. Petersburgo põe a descoberto o nosso cristianismo rotineiro e satisfeito.
«Os cristãos fizeram todo o possível para esterilizar o evangelho; dir-se-ia que o mergu-lharam num líquido neutralizante. Adormece-se tudo o que impressio-na supera ou vira ao contrário. Convertida desta forma em algo ino-fensivo esta religião aplanada prudente e razoável o homem não pode senão vomitá-la».
As críticas do teólogo ortodoxo não e ficam em questões secundárias mas apontam para o essencial. A Igreja aparece aos seus olhos não como um «organismo vivo da presença real de Cristo» mas como uma organização estática e um «lugar de auto nutrição».
Os cristãos não têm sentido de missão e a fé cristã «perdeu estranhamente a sua qualidade de fermento». O evangelho vivido pelos cristãos de hoje «não encontra mais que a total indiferença». O cristianismo desloca-se para o exterior e periférico quando Deus está no mais íntimo e profundo. Procura-se então um cristianismo suave e cómodo como dizia Marcel More: «Os cristãos encontraram a forma de se sentar comodamente, não sabemos bem como, na cruz».
Na Igreja falta santidade, fé viva. contacto com Deus.
Faltam santos que escandalizem porque encarnam «o amor louco de Deus», faltam testemunhas vivas do evangelho de Jesus Cristo.
As páginas ardentes do teólogo russo não fazem senão recordar as de Jesus:
«Vós sois o sal da terra.
Ora se o sal se corromper
com que se há-de salgar?
Não serve para mais nada
senão para ser lançado fora
e ser pisado pelos homens».

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