sexta-feira, março 06, 2009

A Igreja do NÃO. Basta!

Basta, Eminência! Foi o grito que se ouviu espontaneamente num bar de Roma, quando num dos telejornais apareceu um prelado pela enésima vez tentar explicar o que devemos ou não fazer. " Assim começa o vaticanista de La Repubblica, Marco Politi, no seu livro "A Igreja do não" (Mondadori, 2009).
Em Espanha, existe a percepção generalizada de que "a Igreja não é capaz de vender o positivo e o afirmativo". O não, a negação, a condenação, falta de propostas estão demasiado presentes na Igreja espanhola associadas a uma análise negativa e apocalíptica da sociedade. O não é demasiado frequente e é o que aparece na opinião pública, confessional ou não.
  • o NÃO é a resposta que têm para as famílias de doentes terminais que procuram uma morte digna sem se afastarem da sua fé;
  • o NÃO é a resposta a muitos homossexuais que querem viver a sua fé e celebrar os sacramentos de consciência limpa;
  • o NÃO é a resposta que é dada a muitos casais divorciados e recasados que continuam a trabalhara na igreja e nas suas comunidades.
Actualmente, existem muitos cristãos em situações complicadas para os quais só ouvimos a denúncia. Tornámo-nos na "Igreja do Não", que parece só ter palavras de condenação e exclusão.
Existem muitos cristãos que, ao ver as notícias, gostariam de ver um prelado a dizer que os entende e tem para eles uma proposta, que não os quer condenar, que está de mãos abertas e espera para eles o melhor, que deseja que participem plenamente na Igreja, inseridos na sua dinâmica, escutando a sua voz.
É urgente que transpareça uma imagem de menos arrogância, mais fraterna, uma imagem e uma voz mais evangélica, que seja mais ajuda do que obstáculo.
Fonte: Revista Vida Nueva

4 comentários:

  1. Dizer "não" não significa ser sempre do contra.

    Quantas vezes a Igreja diz "não" pelas melhores das razões, mesmo que o mundo de hoje não o entenda...

    P.S.
    Caros padres inquietos, inquietem-se, mas não tenham a tentação de escrever, aqui, notícias só porque são notícia. É preciso pensar sobre o que "posta". A Igreja do Não é também, no reverso, a Igreja do Sim. Tudo depende do ponto de vista com que se analisa as coisas. Lembrem-se que se a Igreja deixa de ser a do "não", em muitos casos, passa a ser a do "sim" ao aborto, à eutanásia, à eugenia, à xenofobia, à adopção por homossexuais, à procriação medicamente assistida sem critérios, etc..

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  2. Igreja do não?!! Nunca senti isso! É sim, uma Igreja que aponta para os valores, não esquecendo, no entanto, que cada caso é um caso! Sou filha de pais divorciados e a Igreja nunca me fechou as portas por isso, nunca fui menosprezada por isso!
    E concordo que a Igreja seja a Igreja do não quando estão em causa os valores da vida e a dignidade da pessoa humana. Que a Igreja não vá atrás de "modas" passageiras que estão a levar a sociedade para a auto-destruição, só para estar na "crista da onda"! Que haja alguém que reflecte e vê mais longe, não só o imediato!

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  3. O Sacerdote e o Levita que não socorreram o desgraçado assaltado e ferido na berma da estrada, também o fizeram "pelas melhores razões": cumpriam a Lei, não podiam tornar-se "impuros". "Pelas melhores razões", os exemplares cumpridores da lei estavam prontos para lapidar a mulher adúltera; criticaram Jesus por não respeitar o Sábado, curando doentes; apontaram-no por se dar com pessoas não recomendáveis; por comer à mesa de pecadores sem se preocupar com as prescritas abluções prévias; por ir contra a hipocrisia dos que oram na praça pública e se gabam perante Deus, em lugar destacado no templo...
    "Pelas melhores razões", enfim, crucificaram-no...
    E, no entanto, Ele apontava exactamente para valores. Para os valores essenciais! A tolerância que sara as feridas da alma, a aceitação que não julga, o perdão de que renasce uma vida nova, a mansidão que não conhece violência, o desapego que permite a partilha, o Amor incondicional... mas as trevas não compreenderam a Luz.
    Teremos de ser muito cautelosos nesta fase da vida da Igreja, para não arrancarmos o trigo juntamente com o joio ou, pior ainda, confundirmos as ervas e acabarmos por arrancar o trigo deixando o joio crescer.
    LMA

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  4. Concordo plenamente com o António.

    Do ponto de vista em que nos colocarmos, podemos ver o Sim ou o não.
    Porque a Igreja do não é, por sua vez, a Igreja do Sim a muitas respostas e inquietações.

    Dizer não ao aborto para dizer Sim ao direito de viver; dizer não à devassidão, imoralidade e violência para dizer Sim à Moral, à dignidade humana e à concórdia, etc., etc.

    De resto, educar pressupõe sempre uma certa dose de antipatia, pois ninguém gosta que lhe puxem as rédeas; porém, se amamos os nossos, desejamos que eles cresçam bem formados, e muitas vezes, seria necessário dizer não.
    E digo "seria", porque infelizmente estamos numa época em que se exige dos pais, educadores e, por conseguinte, da Igreja, atitudes exclusivas de simpatia e de sim, sim a tudo, a todos os desregramentos.

    Mas o genuíno cristão olha para o Mestre e tenta seguir os seus conselhos, por muito que custem; lê os Evangelhos e medita sobre o que Ele nos propõe, nos pede, nos aconselha e nos proíbe.
    E todas as acções que Ele e o Pai condenaram, são as que actualmente mais são reinvindicadas. Porisso, é natural que a Igreja, na maioria das vezes, tenha que dizer Não.

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