domingo, março 29, 2009

A Igreja como contraponto

O PROBLEMA de muitas opiniões que se exprimem sobre a Igreja Católica – e sobre o Papa, como seu máximo representante – é que algumas pessoas que não são católicas nem sequer cristãs queriam que o Papa dissesse o que elas pensam. No fundo, para essas pessoas, a Igreja deveria abdicar da sua doutrina e das suas convicções – para defender as posições dos não-_-católicos, daqueles que professam outras ideologias ou partilham outras ideias. Ora isto é obviamente um absurdo.

À Igreja compete defender as suas posições e a sua doutrina – e não as dos seus inimigos. E não pode transigir constantemente, sob o risco de se descaracterizar. Não pode seguir a moda. Não pode estar sempre de acordo com o ar do tempo. Por vezes, o seu papel é mesmo o contrário: é combater as ideias em voga.


E NISTO a Igreja distingue-se claramente do Estado. O Estado – os vários Estados nacionais – tem muitas vezes de se adaptar às circunstâncias, de transigir, de pôr em prática políticas duvidosas do ponto de vista dos princípios.

É o caso do aborto, da distribuição de seringas ou das salas de chuto. Ninguém pode dizer que abortar é bom; ou que é bom as pessoas drogarem-se. Os Governos fazem estas concessões em nome do pragmatismo. Embora discordando naturalmente do aborto ou do consumo de drogas, acham que, não conseguindo evitá-los, é preferível criar condições para que se façam da melhor forma possível. É aquilo a que tenho chamado as ‘políticas de capitulação’. Ou seja, a abdicação dos princípios em nome do ‘mal menor’.


ORA é evidente que a Igreja não pode seguir este caminho. Não pode enveredar pelo caminho do pragmatismo sem princípios. Não pode dizer: façam abortos com segurança, ou droguem-se com segurança. A Igreja tem de dizer: não façam abortos, não se droguem.

E o mesmo vale para os preservativos. A Igreja não pode dizer: tenham relações sexuais à vontade, mas façam-no com preservativo para não contraírem doenças. A Igreja tem de dizer: a relação sexual deve ser responsável, deve ter lugar no casamento, a promiscuidade sexual é má – e, por isso, tudo o que facilite essa promiscuidade é condenável.

A Igreja Católica não pode abandonar esta trincheira. Se o fizesse, se começasse a recuar na doutrina, arriscava-se qualquer dia a não ter razão de existir.
Fonte: SOL

6 comentários:

  1. Tanto este, como o anterior texto, colocam as coisas na sua verdadeira perspectiva.

    Aliás são tão lineares que, desculpem-me, só por maldade, por vontade de denegrir, podem ser as declarações do Papa, do Bispo de Viseu, lidas de outras forma que não seja que aqui está tão bem expressa.

    Abraço amigo em Cristo

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  2. Comparar o uso do preservativo ao aborto ou ao uso de drogas é distorcer o problema em análise: o aborto fere de morte um ser humano (indefeso, ainda para mais...) e "não matarás" é um mandamento peremptório. Matar é crime. Usar drogas é um destempero de comportamento, no início, e uma doença, depois... É um atentado do sujeito contra si próprio e contra outros, mais tarde, por necessidade de evitar um sofrimento insuportável - precisa de ajuda para se libertar, não de salas para se afundar.
    Mas o uso do preservativo, como disse a Irmã Raquel Gil, pode ser uma forma responsável de ajudar a minimizar o inimigo e "o inimigo é a SIDA, não é o preservativo". O Senhor Bispo de Viseu disse mesmo (por outras palavras) que saber-se contaminado e não o usar é anti-ético, pois acarretará pôr em risco a vida do parceiro. E o parceiro pode ser a esposa inocente lá em casa...que nunca perceberá porque o seu marido a evita, sem explicações...um marido que pode ter tido um "deslise" ocasional e não quer, com muita dor, afundar um lar que afinal ama demais para abandonar - só para dar um exemplo real.
    Este problema é por demais complexo para nos pormos a dizer "SIM" ou "NÃO" de um modo globalizante, genérico, farisaico...
    Acredito que o Papa Bento XVI também não deseja ostracizar os que sofrem a doença, nem deseja que ela se propague.
    Acredito que ele quis dizer: "por princípio, não - não serve; mas caso a caso, poderá ser decidido, em consciência". Pena que não tivesse sido mais claro.
    Obviamente, a aceitação da promiscuidade estará fora de questão, dentro da linha cristã.
    LMA

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  3. Penso que quem não saiba em que contexto o Bispo de Viseu escreveu o que escreveu, e disse o que disse, sobre o uso do preservativo, terá de ler o documento original, para depois não fazer "juízos falsos".

    É antes de mais um documento escrito numa procura de "união espiritual" com o Papa, de defesa de tudo o que o Papa disse na sua viagem a África. Mas Dom Ilídio Leandro é também um Bispo que se preocupa em mostrar às pessoas a "face materna" da Igreja. E que acima da "Lei" está o Mandamento do Amor, esse sim, Legado de Cristo. E lembremo-nos, Cristo veio por causa dos "doentes", e não dos "sãos"...
    Não se confunda genuína Caridade com "amolecimento de Princípios"!

    Moçambicano

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  4. Um abraço amigo para o Dom Ilídio Leandro!

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  5. Pois, também o meu abraço a D.Ilidio Leandro.

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  6. A Igreja tem de dizer: não façam abortos, não se droguem. Pois mas também a Igreja também tem que dizer que é tempo de terminar com tanta riqueza, com tanto luxo, com tantas cerimónias que mais parecem peças teatrais. Já é tempo de renascer a igreja pobre mas rica de gente

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