quinta-feira, março 11, 2010

Só 94 dos 210 mil casos de abuso sexual (0,044 %) afectam pessoas ou instituições da Igreja católica

Desde 1995 foram denunciados na Alemanha 210 mil casos de abusos sexuais de algum tipo. Deles, 94 (noventa e quatro) afectam as pessoas ou instituções da Igreja católica. Isso supõe o 0,044 %. Os dados oferecidos pelo veterano periodista Luigi Accattoli num artigo publicado no Liberal (9 de março).

Antes de seguir em frente, sublinho -para evitar equivocos- o que já afirmei várias vezes: um só caso já é demasiado. Não se trata, portanto, de fazer um ranking nem de ver quem se comportou pior. Mas ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que -a julgar pelos titulares de imprensa destes dias-, se pode concluir que a grande besta negra é a Igreja católica e os seus depravados ministros.

"É fácil explicar a fúria dos meios de comunicação social para com o clero católico”, diz Accattoli. “O mundo dos periodistas apoia espontaneamente a 'revolução sexual' e individua fácilmente no clero católico a maior resistência a tal orientação, daqui o ímpeto de realçar -se pode- as contradições”. É uma observação interessante duma pessoa que trabalha à 40 anos nos diários como La Repubblica e Corriere della Sera.

Deixando de lado o que podem dizer ou fazer os outros, é admirável a "operação de limpeza" que está a levar a cabo Bento XVI.

7 comentários:

  1. Fernando Neves12 março, 2010

    O Celibato sacerdotal é norma uma disciplinar introduzida na Igreja Católica Latina por Bispos e Papas impregnados de conceitos negativos sobre o sexo, cuja prática consideravam contribuir para o aumento dos corpos, da matéria, que eram a origem e fonte do mal existente no mundo material, todo ele pecaminoso.
    Esta doutrina era difundida pelo maniqueísmo, gnosticismo, arianismo, etc.
    Daí aqueles monges que fugiam do mundo e se refugiavam nos desertos ou lugares ermos, porque eram misogénicos e consideravam a mulher não só má mas também, enquanto mãe reprodutora de novas vidas,a fonte de todo o mal.
    Compreende-se que, em épocas da história em que estas ideias eram fortes, e até porque havia superbundância de vocações, se pudesse exigir e aceitar a imposição do celibato como condição para o sacerdócio.
    Mas o celibato nunca foi moralmente imposto nem alguma vez exigido, por Jesus, aos seus Apóstolos que foram casados, como diz a cura da sogra de Pedro e S.Paulo, em 1ª Cor 9.5,dizendo que se ele e Barnabé não têm uma mulher-esposa com eles é porque assim querem, por opção pessoal. Mas que tinham esse direito “como os demais Apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas (pedro).
    E o mesmo Apóstolo recomenda a Timóteo (1º Tim 3.2) e a Tito (Tit 5.6), como qualidade das mais importantes, entre outras, que o Bispo, o Presbítero e o Diácono sejam maridos de uma só esposa, educando bem os seus filhos pois quem não sabe governar a sua própria família, como pode governar a Igreja.
    É a Palavra de Deus contra a lei canónica eclesiástica do celibato. Ao exigi-la ou impô-la, quando há falta de trabalhadores para a messe, sendo alguns rejeitados só porque optaram por uma vida em família, a hierarquia está a transgredir a primeira mensagem que é também o 1º mandamento bíblico de Deus aos homens:”Crescei e multiplicai-vos” (Gén.1.28)
    E, neste contexto bíblico, é mesmo aqui, no seu poder co-criador, que está a grande semelhança do casal homem-mulher com Deus: “Deus criou o homem e mulher à sua imagem, criou-o à imagem de Deus: Ele os criou homem e mulher. Abençoando-os, Deus disse-lhes: crescei e multiplicai-vos…”

    Digamos que, neste aspecto, quem está contra o casamento homossexual e a homossexualidade devia ter, por obrigação de consciência, a mesma posição em relação ao celibato obrigatório ou exigido. De facto, em ambos os casos, há uma transgressão daquele primeiro mandamento, resultando um impossibilidade do acto co-criador.
    Mas a caturrice dos homens conseguiu estragar toda esta beleza do Amor de Deus, com imposições sacrificiais que Ele detesta.

    E depois queixam-se e mandam pôr mós de moinho ao pescoço dos transgressores das suas normas – não das de Deus -, quando eles próprios estão origem dos desvios que querem condenar. Quantos clérigos não teriam chegado tão longe, nos seus desvios sexuais, se não tivessem sido sujeitos a uma operação de determinado tipo de formatação e se não lhes tivessem criado “barragens” no desenvolvimento dos seus normais impulsos sexuais,na educação infanto-juvenil, que lhes foi dada nos seminários!

    Este estado de coisas faz lembrar um pouco aquela elite de guerreiros dos tiranos dos balcãs que eram retirados, em criança, às famílias para serem formatados na defesa dos seus governos, odiando e matando à espada tudo e todos os que fossem contra.

    ResponderEliminar
  2. Elisabete Lima12 março, 2010

    Sim, também vejo essa questão de uma forma bem sensível. É preciso uma avaliação mais profunda e que gere mudanças.
    A realidade que vemos por aí ,não é das melhores. Tantas situações indevidas em que se envolvem os presbíteros - é verdade que não são crimes, mas são pecado - e muitos sofrem por não viverem uma vida familiar para dar o próprio testemunho de vida.
    Não desrespeitando a nossa Igreja Católica, é preciso pedir ao Espírito Santo discernimento nessa questão tão delicada que precisa ser revista.
    Se for a vontade de Deus para que essa regra permaneça, que seja, mas caso contrário, é preciso, mudança .

    ResponderEliminar
  3. José de Oliveira Santos12 março, 2010

    Todos os padres que casaram estão conscientes de que o sacerdócio não está amarrado ao celibato como algo inerente a ele, pelo contrário, sabemos muito bem que o matrimônio enriquece espiritualmente o consagrado ao ministério sacerdotal e vice-versa. Todo sacramento é um enriquecimento na ordem da graça.

    Eu acredito que os teólogos católicos mais tradicionalistas sabem disso, eu acredito que o teólogo Ratzinger sabe disso. E então penso: uma coisa é saber, outra coisa é fazer.

    Chego a conclusão de que deve haver motivos para que o celibato opcional não entre na pauta de reflexão dos “dirigentes máximos” da Igreja Católica, e estas razões não são de ordem espiritual. Ou seja, a Igreja está imobilizada e não age justamente porque se este ponto específico for mudado uma grande estrutura física e de poder também precisa ser mudada. Pense-se, por exemplo, nas estruturas dos seminários…

    E agora pergunto:
    Será que devemos esperar eternamente por mudanças que partam de cima?
    Não podemos nós iniciar humildemente as mudanças a partir de uma atitude mais activa?
    Os nossos dircursos teológicos precisam ser acompanhados também de respostas concretas de nossa parte.

    ResponderEliminar
  4. A Igreja está a perder a batalha em todas as frentes. Por temosia, perdemos um monte de bons sacerdotes, por diversas razões, levaram com eles os seus conhecimentos e a sua experiência.

    Muitos daqueles que ainda são sacerdotes já são velhos e estão fora da realidade. Olhamos para o Papa, os cardeais, os bispos, os diversos presbitérios e vemos que a mudança vai ser cada vez mais dificil... como é possível que alguma coisa aconteça se a idade daqueles que decidem é tão avançada...

    Estamos cada vez mais empregandos de padres de outros países que não sabem nada da nossa cultura nem das nossas aspirações e valores. Foram educados a ajustar a sua visão da mundo e as suas aspirações ao temporal. A Igreja europeia está a recorrer aos países do Terceiro Mundo - Índia, Filipinas e a outras igrejas dessas áreas - para não pensar numa solução... adia, adia... mas não resolve.

    Porque não procuramos a solução nas nossas comunidades locais e deixamos que surgam nelas responsáveis e líderes. Porque trazemos uma pessoa dum lugar diferente para distribuir o pão na nossa casa?

    ResponderEliminar
  5. é uma verdade: a pedofilia existe fora da igreja e a maoiria das vezes os pedófilis não são membros da igreja católica.

    no entanto o celibato deve ser bom desde que a pessoa tenha essa capacidade para viver, pois, reconheco e tive famíliares sacedotes que não conseguiram viver sozinhos, por mt amor que tinham á igreja e ao ministério...

    abraço amigo,
    olga

    ResponderEliminar
  6. esta questao do celibato tem muito que se lhe diga , mas eu penso que mais tarde ou mais cedo a igreja vai mudar em relaçao a isso , mas tambem sempre existiram pedofilos so que nao se falava tanto como agora , e ha padres da igreija que encaram o celibato como um peso .e nao o celibato e uma forma de vida , bem conssiente .

    ResponderEliminar
  7. olhamos o problema de fora para dentro...e deviamos olhar de dentro para fora...Deus vê no segredo...

    ResponderEliminar