domingo, abril 18, 2010

As hipocrisias jornalisticas: Odiado em vida amado na morte

As manifestações espontâneas apanharam de surpresa jornalistas, políticos, sociólogos e todos os especialistas em análise das "massas" populares, que hoje não conseguem esconder o embaraço interpretativo que lhes causa a reacção das multidões. Têm-se escrito rios de tinta, na tentativa de explicar a espontaneidade, intensidade e dimensão destas manifestações públicas de apego a Lech Kaczynski.
  • Como é possível que, ridicularizado durante anos pela maioria dos média e pelos adversários políticos, objecto de um boicote sistemático às suas ideias políticas e de ataques sem trégua que não raramente passavam por alusões à sua baixa estatura, Kaczynski receba hoje das multidões uma expressão tão sentida de apreço?
  • Como é possível que um homem "pintado" como um dirigente grotesco, tolo e anacrónico seja agora recordado com tamanha entrega e dor?
  • De onde saiu esta gente? Durante quatro dias e quatro noites, milhares de polacos renderam-lhe hoenagem. Passram mais de 10 horas de pé, ao frio, numa fila de centenas de metros. Gente de todas as idades, alguns com filhos pequenos, tão numerosos os jovens como os idosos, vindos de todo o país. A maior parte num impressionante silêncio, pensativos, comovidos, rostos sofridos, alguns em lágrimas...

As violentas críticas a que foi submetido Lech Kaczynski duram desde os anos em que chefiou a Câmara Municipal de Varsóvia, a partir de 2002, mas principalmente a partir de 2005, quando ganhou as eleições para a Presidência da Polónia. Recentemente, o chefe da diplomacia, Radoslaw Sikorski, apelou ao voto contra Kaczynski nas próximas eleições presidenciais com uma frase que suscitou os aplausos dos colegas de partido: "Um presidente pode ser pequeno, mas não deve ser baixo". Toda a gente se habituou a ver como ridículo o Chefe de Estado e tornou-se vulgar o escárnio servido diariamente a Lech Kaczynski.

Jornalistas e adversários políticos começaram, depois da catástrofe de 10 de Abril passado, a dizer sobre o Presidente aquilo que nunca antes pronunciaram publicamente:

  • que era muito amável e culto no trato pessoal,
  • que possuía um conhecimento histórico e político raro,
  • que tinha um talento impressionante para discursos improvisados,
  • que em família era um marido dedicado, um pai atento e um avô carinhoso,
  • que o seu amor pela mãe era exemplar…

Estes testemunhos podem revelar a hipocrisia e oportunismo dos seus autores, mas nada desvendam sobre as razões que motivam as manifestações de afeição popular.

Atento aos mais pobres, Lech Kaczynski defendia que um sistema político justo deve assegurar a todos os cidadãos os benefícios do desenvolvimento económico do país e que o direito laboral não é travão a este desenvolvimento.

Criticado por defender a soberania dos Estados nacionais na UE, ninguém quis dar a mão à palmatória quando a recente crise económica veio revelar que cada um dos Estados defende, em primeiro lugar, os seus interesses. O que é normal. E talvez precisamente essa "normalidade" de Lech Kaczynski fosse há muito uma evidência para o povo polaco, que hoje vem prestar-lhe uma homenagem que parece dizer: "Eras um de nós".

Fonte JN

Precisamos de melhores jornalistas, mais sérios e independentes...

É impressionante a hipocrisia de alguns,,,

1 comentário:

  1. Não foi este senhor e respectivo mano, que promoveram perseguições de carácter religioso?
    Corrijam-me se estiver enganado.

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