sexta-feira, janeiro 16, 2009

IGREJA CONVIDA A UMA CULTURA DO ACOLHIMENTO PARA COM OS MIGRANTES, MAS ALERTA PARA CASAMENTOS MISTOS

A Igreja Católica convida a uma cultura do acolhimento para com os imigrantes, ao respeito de seus direitos e a superar medos e inseguranças. Essa é a exortação contida na nova Instrução do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes, intitulada “Erga Migrantes Caritas Christi” (A caridade de Cristo para com os migrantes), apresentada na Sala de Imprensa da Santa Sé, pelo Cardeal Stephen Fumio Hamao e por Dom Agostino Marchetto, respectivamente, Presidente e Secretário do mesmo organismo vaticano.
Os migrantes, ressalta o documento, têm direito à união familiar, à educação dos filhos, ao alojamento e a várias formas de participação na sociedade aonde chega.

A cultura do acolhimento e do diálogo é um “dever” de todos, mas em particular dos cristãos. A Instrução condena fortemente o racismo e a xenofobia, e exorta à superação de medos e inseguranças.

O convite ao diálogo não é, porém, separado de algumas recomendações. Os casamentos entre católicos e não-cristãos são desaconselhados, mas com “distintos graus de intensidade”, segundo a religião de cada um.

Um capítulo particular é dedicado aos matrimónios entre mulheres católicas e muçulmanos, uma reflexão - diz o documento - fruto de experiências amargas.

O texto, um guia sobre como devem se comportar bispos, sacerdotes, religiosos e leigos católicos, adverte os católicos sobre o casamento com muçulmanos “devido aos resultados de amargas experiências” e pede que se ajude as mulheres, “as menos tuteladas da família muçulmana”, para que conheçam e façam valer seus direitos.

Diante dos fluxos migratórios cada vez maiores de muçulmanos para o Ocidente, o texto adverte que é preciso distinguir entre o que pode ser compartilhado e o que não pode.

O documento pede aos católicos que se casam com um muçulmano que se abstenham de pronunciar ou de assinar documentos que contenham a “shahada”, a profissão da crença muçulmana.

“Não achamos oportuno que os espaços que pertencem aos católicos - igrejas, capelas, lugares de culto ou lugares reservados às actividades de evangelização - sejam colocados à disposição das pessoas pertencentes a religiões não-cristãs e muitos menos que sejam utilizados para conseguir reivindicações dirigidas às autoridades públicas”.

O documento foi apresentado poucos dias depois que o Vaticano proibiu que a Catedral de Córdoba (Espanha) fosse usada pelos muçulmanos.

“Queremos que nossos irmãos muçulmanos se conscientizem do exercício das liberdades fundamentais, dos direitos invioláveis das pessoas, da dignidade igualitária entre a mulher e o homem, do princípio democrático no governo da sociedade e do correto laicismo do Estado”.

O Cardeal Stephen Fumio Hamao disse que o documento quer ser uma resposta eclesiástica às actuais migrações, um fenómeno que afeta 200 milhões de pessoas que se viram obrigadas a abandonar seus locais de origem devido às guerras, a episódios de xenofobia ou à globalização.
Fonte: Radio Vaticano

1 comentário:

  1. Depois da publicação desta Mensagem percebe-se melhor o porquê das afirmações do Cardeal Patriarca de Lisboa... ele (oportunamente) apenas se antecipou!!

    Lamentável foi a forma como ALGUMA Comunicação Social pretendeu ridicularizar a Igreja e particularmente o Senhor Patriarca, querendo fazer passar a ideia de que as suas afirmações não passavam de uma clara manifestação de intolerância religiosa, para não dizer mesmo de xenofobia!

    Infelizmente em Portugal ainda há um grave défice de PENSAMENTO / REFLEXÃO... e aos 'preguiçosos de intelecto' - muitos dos pseudo-intelectuais da nossa praça - custa aceitar que haja quem realmente PENSE e, sobretudo, quem ouse LEVANTAR QUESTÕES!!

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