sexta-feira, janeiro 28, 2011

Papa pediu abolição do celibato em 1970

Joseph Ratzinger era professor de teologia na Alemanha quando defendeu a abolição do celibato. Um memorando assinado há mais de 40 anos por nove teólogos, incluindo Joseph Ratzinger, o actual Papa, pedia o fim do celibato.

A informação está a ser avançada pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

No artigo intitulado ‘As dúvidas do jovem Ratzinger', é revelado que Joseph Ratzinger, o actual Papa Bento XVI, assinou um documento datado de 9 de Fevereiro de 1970 em que era questionada a obrigação do celibato.

Além de Ratzinger, que na altura tinha 42 anos, outros oito teólogos rubricaram o referido documento. Entre eles estão pensadores conhecidos mundialmente como Karl Rahner, Otto Semmelroth, Karl Lehmann e Walter Kasper.

"As nossas considerações incluem a necessidade de uma revisão urgente e visão diferenciada da lei do celibato na Igreja alemã e na Igreja a nível mundial como um todo", pode ler-se no documento.

No mesmo memorando, os teólogos expressaram preocupação com a falta de candidatos a padres e a diminuição do talento daqueles que escolhem a vida sacerdotal, devido à imposição do celibato, sublinhando que a continência sexual num mundo cheio de estímulos eróticos era cada vez mais difícil.

Embora os autores do texto afirmem repetidamente que não pretendem influenciar nenhuma decisão, o facto de terem escrito o documento mostra claramente que duvidavam do sentido do celibato forçado, sublinha o artigo.

Leia aqui o artigo do Süddeutsche Zeitung (conteúdo em alemão)

6 comentários:

  1. Parece-me que Bento XVI já resolveu as dúvidas que tinha. Basta ler o seguinte texto:

    «Em sintonia com a grande tradição eclesial, com o Concílio Vaticano II e com os Sumos Pontífices meus predecessores, corroboro a beleza e a importância duma vida sacerdotal vivida no celibato como sinal expressivo de dedicação total e exclusiva a Cristo, à Igreja e ao Reino de Deus, e, consequentemente, confirmo a sua obrigatoriedade para a tradição latina. O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedicação, é uma bênção enorme para a Igreja e para a própria sociedade.» (Bento XVI, Sacramentum caritatis, 24).

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  2. O título do post não corresponde ao conteúdo do mesmo. O Papa nunca pediu a abolição do celibato: pediu que se repensasse, o que não é a mesma coisa. Mais uma vez, procura-se pôr na boca do Papa palavras que ele não escreveu, nem pronunciou...

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  3. Impressiona, de facto, a pressa de alguns intérpretes, ultrafundamentalistas e mais papistas que o Papa. O título pode não ser exacto pelo elementar motivo de que Ratzinger ainda não era Papa. Mas uma coisa é certa. Quem pede uma «revisão urgente» e uma «visão diferente» em que estará a pensar? Em que fique tudo na mesma? Não me parece.
    Importante seria que o Papa respondesse ao que disse Ratzinger. Tem uma grande oportunidade.
    O que tudo indica é que a mesma pessoa se foi posicionando de modo diferente conforme as funções que foi ocupando.
    Será que Bento XVI ainda lê Joseph Ratzinger?
    Os biógrafos assinalam que uma grande viragem aconteceu na sua vida. Há quem fale no impacto do Maio de 68. Há quem diga que foi a promessa do bispado. Mas há que clivagens no pensamento entre o teólogo Ratzinger e o posterior hierarca (arcebispo, cardeal e papa), ninguém o pode negar.

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  4. Actualização e corrigenda:Impressiona, de facto, a pressa de alguns intérpretes, ultrafundamentalistas e mais papistas que o Papa. O título pode não ser exacto pelo elementar motivo de que Ratzinger ainda não era Papa. Mas uma coisa é certa. Quem pede uma «revisão urgente» e uma «visão diferente» em que estará a pensar? Em que fique tudo na mesma? Não me parece.
    Importante seria que o Papa respondesse ao que disse Ratzinger. Tem uma grande oportunidade.
    O que tudo indica é que a mesma pessoa se foi posicionando de modo diferente conforme as funções que foi ocupando.
    Será que Bento XVI ainda lê Joseph Ratzinger?
    Os biógrafos assinalam que uma grande viragem aconteceu na sua vida. Há quem fale no impacto do Maio de 68. Há quem diga que foi a promessa do bispado. Mas que há clivagens no pensamento entre o teólogo Ratzinger e o posterior hierarca (arcebispo, cardeal e papa), ninguém o pode negar.

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  5. Impressiona de facto como o anónimo pretende constituir verdade aquilo que ele próprio pensa e julga e coloca na "voz" de outros.

    «Há quem diga...»

    Portanto para o anónimo Joseph Ratzinger apenas mudou o seu pensamento, ou melhor apenas aclarou as suas dúvidas pelo facto de ter sido nomeado Bispo.

    Ou seja, acusa nada menos nada mais, Joseph Ratzinger, que é o Papa Bento XVI de "desonestidade intelectual".

    Ou seja, os pensamentos e dúvidas que vamos tendo ao longo da vida, têm de permanecer inalterados, sob pena de se os alterarmos, sermos acusados de o fazermos por nossa conveniência e não por reflexão que nos levou a clarificar as dúvidas e a alterar os pensamentos.

    Isto, claro, segundo o julgamento dos outros.

    E se fosse ao contrário?
    Se Joseph Ratzinger fosse contra a abolição do celibato ao 42 anos, e agora fosse a favor?
    Também se perguntaria:
    «Será que Bento XVI ainda lê Joseph Ratzinger?»

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  6. Ora ai está que o apagador do senso comum funciona!

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