quarta-feira, julho 01, 2009

Martini: «É preciso um concílio acerca da relação da Igreja com os divorciados»

Pensamos que somos bons cristãos
porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso.
Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã.

O cardeal jesuita Carlo María Martini, propõe un concílio para enfrentar a questão “da relação da Igreja com os divorciados” e reconhece que a Igreja tem problemas com “a eleição dos bispos, o celibato dos padres, o papel dos leigos e as relações entre a herarquia eclesiástica e política”.

O cardeal de Milão numa entrevista refere uma série de problemas, que dificultam a relação entre Iglesia católica e a sociedade. “O primeiro é à actitude da Igreja para com os divorciados".

É uma voz de esperança numa sociedade cada vez menos cristã e cada vez mais indiferente. Como diz o Cardeal Martini: “Não há uma visão única do bem. A tendencia dominante consiste em defender el interesse particular e o do próprio grupo. Talvez pensemos que somos bons cristãos porque algumas vezes vamos a missa, mas o cristianismo não é só isso. Os sacramentos são importantes quando são o cume de uma vida cristã. A fé é importante se caminha em conjunto com a caridade. Sem a caridade a fe torna-se cega. Sem a caridade não há esperança e não há justiça”.

Faltam poucos dias para que o Papa publique a sua nova encíclica, dedicada à caridad e à globalização. Talvez fosse importante perceber que “fazer o bem, ajudar o próximo é desde logo um aspecto importante, mas não é a esencia da caridade. Faz falta escutar os outros, compreendê-los, incorporá-los com o nosso afecto, reconhecê-llos, quebrar a sua solidão e ser o seu companheiro. Amá-los, em definitivo. A caridade não é esmola. A caridade que pregou Jesus consiste em ser plenamente partícipes da sorte dos outros. Comunhão de espíritos e luta contra a injustiça”.

Segundo a opinião de Martini afirma que a Igreja uma lista vastissima de pecados, o verdadeiro pecado do mundo é a injustiça e a desigualdade. “Jesus diz que o reino de Deus será dos pobres, dos débeis, dos excluidos. E diz que a Igreja deberia ter como principal missão estar cerca deles. Esta é a caridade do povo de Deus que pregava o seu Filho, que se fez homem para nossa salvação".

Sobre um futuro Concilio: “Não penso num Vaticano III. É certo que o Vaticano II perdeu uma parte da sua força. Pois este pretendia que a Igreja se enfrentasse a sociedade moderna e a ciencia, mas isto acabou por ser marginal. Estamos longe de ter abordado este problema e até parece que voltamos o nosso olhar para trás em vez de para a frente. É preciso retomar o impulso e para isso nem era necessário um Vaticano III. Compreendido este ponto, sou partidário de outro concilio, e inclusive o estimo necessário, mas apenas sobre temas específicos e muito concretos. Julgo oportuno que também seria necessário por em práctica o que se sugeriu e inclusive o que foi decretado no Concilio de Constança: convocar um concilio cada 20 ou 30 anos sobre un unico tema, ou dois o máximo”.

Porém, isto seria una revolução no modo de governar a Igreja?
“A mim não me parece. A Igreja de Roma chama-se apostólica e não é por casualidade. A sua estructura é vertical, mas, ao mesmo tempo, também horizontal. A comunhão dos bispos com o Papa é um órgão fundamental da Igreja”.
E qual seria o tema do concilio que propõe?
“A relação da Igreja com os divorciados. Afecta a muitissimas enfrentar o problema com inteligencia e com previsão. E há ainda outro tema que a Igreja deveria abordar num próximo concilio: o da trajectoria penitencial que é a própria vida. Olhe, a confissão é um sacramento extraordinariamente importante, ainda que hoje esteja quase esvaziado. Cada vez são menos as pessoas que recorrem a ele, mas, sobretudo, converteu-se em algo quase mecánico: confessa-se um pecado, recebe-se o perdão, recita-se uma oração e termina tudo”.

4 comentários:

  1. Peço ao autor do blog o favor de indicar a fonte onde se possa ler a entrevista toda.
    Tenho por Marini enorme simpatia e admiro as suas posições.
    Obrigado
    José Maria Ferreira

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  2. Mª José Tavares03 julho, 2009

    Concordo em absoluto que haja um concílio.
    A Igreja está esvaziada de fé e sobretudo de afecto. Direi mais, é uma Igreja egoísta e com muita falta de caridade. Para ela os outros não importa, são apenas outros.
    Mas... e os Padres? O que têm feito para que isto se modifique? Precisam de um concílio, para alterarem a sua posição na Igreja?
    Gostaria muito que o Padre Inquieto me respondesse a estas perguntas e já agora e porque é entendido na matéria, me explicasse se um ex-padre pode ou não ser Santo!
    Eu como leiga na matéria, tenho as minhas dúvidas. Responda-me quem sabe.

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  3. é certo que não estou de toda de acordo com as ideias de martini, mas, em alguma parte, tem rezão no que diz.

    não creio que seja necessário um outro concílio. penso que CVII ainda está mal interpretado. até os próprios teologos interpretam á sua maneira. o que creio é que os padres precisam de ser mais racionários e humildes, ouvindo os leigos, mas tb necessitam de ser homens de fé.

    bento xvI tem mostrado mt bem isto: de como a igreja deve caminhar.

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  4. Por favor, não me levem a mal, mas que tal o slogan: "Cardeal Martini para Papa"!

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