domingo, junho 20, 2010

Saramago: um populista extremista de ideologia anti-religiosa

Saramago foi um homem e um intelectual sem qualquer admissão metafísica que depositava a sua confiança no materialismo histórico, isto é, no marxismo.

Colocado lúcidamente na parte da "cizaña" no evangelho do campo de trigo, denunciava agressivamente as cruzadas ou a Inquisição, esquecendo propositadamente os 'gulags', as purgas, os genocidios, dos 'samizdat' culturais e religiosos dos seus corregilionários.

Ao analisarmos a novela "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (1991), uma obra "irreverente", chegamos facilmente à conclusão de que esta é um "desafio à memória do Cristianismo" e percebemos que ele não percebe nada do que é "salvar".

No que diz respeito á religião, atada como esteve sempre a sua mente por uma desestabilizadora intenção de tornar banal o sagrado e por um materialismo libertário que quanto mais avança nos anos mais se radicalizava, Saramago nunca se deixou levar por uma incómoda simplicidade teológica.
Um populista extremista como ele, que, ao longo da sua vida, procurou dar resposta ao porquê do mal no mundo, deveria ter abordado em primeiro lugar o problema de todas as erróneas estructuras humanas, desde as histórico-políticas às sócio-económicas, em vez de saltar apressadamente para o plano metafísico.
Porque não o fez? Afinal era um defensor de ditaduras comunistas... inimigo das liberdades (expulsou os jornalistas do JN - trabalhadores) e amigo dos ditadores de esquerda e comunistas...
Era débil com os fortes e forte com os debeis.
Porque quis ganhar dinheiro, ofendendo e insultando?
Porque não ficou sepultado em Espanha, como desejava?
Será um herói que merece estar no panteão nacional?
Devemos estar loucos, quando ouvimos atribuir-lhe este qualificativos:
"exemplo de compromisso, defensor dos direitos humanos, lutador pela justicia, referente ético".

6 comentários:

  1. Respeito a posição da Igreja. No entanto, quanto a Saramago,toma uma posição radicalizada. Defende-se como se ele fosse um cão raivoso...Para mim, com a sua indiscutível capacidade de escrita, ele foi um atirador de pedradas para o charco...obrigou a gente da Igreja a ver com outros olhos aquilo que já se tornara numa lenga-lenga cega, surda e autista. Os predicadores da palavra de Cristo eram uns papagaios repetitivos do alto dos púlpitos e das homilias. Ajudou a rasgar as vestes e palamentas estéreis da liturgia eclesial. A Igreja teve de se repensar. E isso foi benéfico.

    ResponderEliminar
  2. Aquilo que o dono do blog o -Padre Inquieto- diz e defende aqui manifesta um desconhecimento indevido, injustificado e inesperado do Saramago, enquanto homem e escritor.

    As suas palavras alinham por um radicalismo cego, de quem se vê atingido, sem curar de saber se tais ataques têm ou não têm razão de ser.

    Saramago era um homem extremamente culto, inteligente e atento a tudo que se passava no mundo.

    Teve uma ideologia: a comunista.

    A independência do seu juizo, porém, levou-o a desvincular-se da teia partidária, quando isso era muito difícil.

    Terá cometido excessos, quando ocupou a direcção do Diário de Notícias. Não é santo. Falhou.

    A sua voz, porém, nunca se calou perante as injustiças nacionais e mundiais. Utilizou-a a favor dos mais indefesos.

    Não pactuou com manipulações do poder: civil e religioso.

    Foi um ateu confesso e autêntico. Sem a luz da fé, tentou arranjar as explicações que conseguiu arranjar para os problemas que se põem aos mortais.

    Foi duro e implacável para com as práticas da Igreja, enquanto hierarquia.

    Muitas vezes com toda a razão. A sua condição ateia permiu-lhe sustentá-las até à exaustão.
    Um crente e praticante teria muito mais dificuldade em fazê-lo, mesmo que com a devida vénia.
    Os seus escritos escalpelizam os textos sagrados com olhos dum ateu, arrastando os exegetas para sendas novas, consistentes, fundamentadas, que nunca um teólogo no "activo" se atreveria a abrir ou romper.

    Espanejou muita poeirada poisada por essas estantes de manuais da doutrina, agitou águas encharcadas e sacudiu mentes cristalizadas e bem instaladas. Foi incómodo.
    Excedeu-se, aqui e ali. Há que compreendê-lo e encará-lo no seu lugar e contexto.

    Tenho para mim, que as suas posições, fogosas e objectivas, foram muito mais salutares do que perniciosas.
    Acho que , como um nosso irmão, criado pelo mesmo Pai, desempenhou um papel de muito interesse.

    Atacá-lo e apontar-lhe, apenas, as suas falhas, como foi e vai sendo costume, não é prudente nem acertado.
    Esta é a minha opinião.

    ResponderEliminar
  3. Texto muito bom. O perfeito exemplo da caridade cristã.
    Parabéns por tanto rancor e ódio.

    ResponderEliminar
  4. Junior Catequista05 julho, 2010

    Sou católico e leitor de Saramago.
    Não vejo incompatibilidade alguma nisto.
    Pelo contrário, creio que Saramago me tornou um católico melhor a partir do instante que arrancou os véus da ingenuidade religiosa que nos paralisava e cutucou a inércia e a conivência do clero com estruturas de poder uqe muito mal nos fazem.
    Ademais, muitas de suas obras são fundamentais para desenvolvermos um espírito crítico e o utilizarmos a serviço da Igreja, posto que a razão e a fé não são inimigas.
    "Caim", por exemplo, é essencial contra o fundamentalismo bíblico e um visão inócua do ser divino.
    Enfim, só tenho a agradecer a Saramago por ter contribuído para que eu fosse um católico de mente aberta, me libertando do cativeiro de um dogmatismo cheirando a mofo em nossa Igreja.

    ResponderEliminar
  5. José Saramago nunca sofreu a dor dos pecados, enunciados pela Igreja Católica, mas nem por isso partiu para o infinito sem a missão cumprida de amar o próximo e partilhar, de perto, com aqueles que acantonados na sua fé nunca usufruíram da liberdade de pensar livremente mas, ao invés, foram vitimas das pantominas que alimentavam, impiedosamente, essa mesma fé.
    Os "levantados do chão" hão-de perpetuar a memória de José Saramago como se esta fosse a referência do seu "secreto desejo" de, tal como ele, sentirem a verdadeira liberdade de homens livres. Livres das "algemas" metafísicas da fé revestida de mistérios seculares.
    Em 1642, Galileu morreu cego e condenado pela Igreja Católica por suas convicções científicas. Teve as suas obras censuradas e proibidas. Porém, uma de suas obras (sobre mecânica) foi publicada mesmo com a proibição da Igreja, pois o seu local de publicação foi em zona protestante, onde a interferência católica não tinha influência significativa. A mesma Igreja que o condenou também o absolveu muito tempo após a sua morte, em 1983.


    Karl Rahner escreveu: ‘Vive-se também dentro da Igreja uma dedicação exclusiva do homem às realidades temporais, que não é mais uma opção legítima, mas apostasia e queda total da fé’”.
    José Saramago será recuperado pela Igreja se tal servir os seus interesses. Galileu ou Joana D`Arque confirmam-no.

    ResponderEliminar
  6. Ao Anonimo do dia 30, diria que o seu comentario, sucinto, e que fala de ódio e rancor, ( onde está?...) é bem o exemplo dos tais que formam a tal "igreja" de carne e barro, que Saramago atacou: aquele jeito de melífluo de julgar , salvaguardando sempre os seus punhos de renda...dando palmadinhas nas costas...

    ResponderEliminar