domingo, março 20, 2011

PERDIDOS NA ABUNDÂNCIA

Uma das caractesticas das sociedades avançadas é o excesso, o desmesurado, a profusão de ofertas, a multiplicação de possibilidades. Oferece-se-nos tudo, podemos experimentar tudo. Não é fácil viver assim. Atraídos por mil reclamos, podemos acabar atordoados e sem capacidade para cuidar e alimentar o que é essencial.


Os centros comerciais e os supermercados expõem um sortido incrível de produtos. Os restaurantes apresentam cartas e menus com toda a classe de combinações. Podemos seleccionar um número cada vez mais alargado de cadeias de televisão. As agências propõem-nos todo o tipo de viagens e de experiências. A Internet abre caminho a um número ilimitado de imagens, impressões e contactos.

Por outro lado, jamais a informação foi tão invasora. Esmaga-nos com dados, estatísticas e previsões. As notícias sucedem-se com rapidez, impedindo-nos a reflexão sossegada e a meditação. Encharcada de informação, a nossa consciência toma-se receptiva de tudo e de nada. É cada vez mais fácil cair na indiferença e na passividade.


Todo este clima tem as suas consequências.

Há um grande número de pessoas que dá mais atenção às necessidades artificiais, descurando-se o essencial. Vive-se para o exterior, inclinados para as novidades exteriores, ignorando-se todo o mundo interior. O excesso de informação e a hiper-solicitação do consumismo dissolvem a força das convicções. São muitos os que vivem entretidos no anedótico, sem projecto nem ideal algum. Pouco a pouco, as pessoas tomam-se mais frágeis e inconsistentes. Tudo é problema, inclusivamente as coisas mais elementares: dormir, ir para férias, engordar, envelhecer.


As vezes, de forma vaga e difusa, outras de forma mais clara e precisa, são bastantes os que sentem decepção e desencanto ao experimentar que este estilo de vida despersonaliza, esvazia interiormente e incapacita para viver duma maneira sã. Esta insatisfação é um chamamento a reagir. Não basta andar entretido, funcionar sem alma e viver só de pão. Precisamos de alguma mais... será que já nos demos conta?

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