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sábado, abril 30, 2011

Coragem de pensar

Uma obediência menos adulta pode comprometer a integridade do sacerdote.
Inadvertidamente, ele pode tornar-se um "homem dependente" (Haring), à espera que cuidem dele por causa das suas supostas lealdade e obediência à Igreja.
O antídoto é a coragem de pensar. Mas pensar, o sacerdote descobriu no seminário ou até mesmo antes, pode ser perigoso. Os sacerdotes que, por falta de estudo e reflexão, mantém uma pseudo-obediência imatura tendem a perguntar: "o que é que o sacerdócio pode fazer por mim?". Assim, muitas vezes o sacerdote subserviente, sempre dócil, quando alcança a autoridade revela-se exigente e autoritário

quinta-feira, abril 28, 2011

Amar como celibatário

"Não há caminho para o amor divino
que não seja pela descoberta da intimidade
e da comunidade humanas".

Thomas Moore

Complexo de Édipo Presbiteral

Sacerdote recém-ordenado - filho;
Bispo Diocesano - Pai
Igreja - mãe

Os neo-sacerdotes são incentivados pelo seu Bispo a confiar no cuidado e na solicitude da Igreja para com os seus filhos. A Igreja irá amá-los como uma mãe ama os seus filhos, o bispo cuidará deles como um pai cuida dos seus filhos.

O poder sagrado e a força psicológica deste compromisso-aliançacom o bispo-pai, a Igreja-mãe e os sacerdotes-irmãos e destes para com ele continua, ainda hoje, a fascinar muitos jovens.

Os primeiros anos depois da ordenação são relativamente livres do conflito edipiano. O neo-sacerdote sustenta-se na afirmação clara e inequívoca do seu bispo. O seus paroquianos tornam real a afeição e aprovação da mãe-igreja, e anovidade daquilo tudo, a maravilha e a excitação de pregar e celebrar a Eucaristia, de ensinar e aconselhar, deixam pouco espaço para que se manifeste alguma competição com os seus irmãos sacerdotes. Ele desfruta de uma espécie de benção pré-edipiana que, infelizmente, será demasiado breve.

As primeiras manifestações do complexo de édipo ocorrem quando um dos colegas sacerdotes é escolhido para estudos de pós-graduação ou é nomeado para um cargo importante a nível diocesano ou a assumir uma paróquia mais importante. Surge uma ponta de inveja quando ele começa a ouvir falar dos seus colegas de seminário ou irmãos sacerdotes.

O vínculo pessoal com o bispo começa a desvanecer. Conscientemente, ele apercebe-se que é um entre muitos; irracionalmente, ele procura a aprovação especial do bispo-pai. Espera algum sinal de que a sua figura paterna tem uma boa impressão dele. Espera e observa. Repara em que está dentro e quem está fora dos circulos diocesanos oficiais.

Porém, a mesma Igreja maternal, que oferece apoio e sentido à sua dignidade como sacerdote, também é exigente e controladora. A sua sexualidade é restringida, a sua residência é determinada, a afirmação do seu terreno pessoal é lhe negada. Por vezes, a inveja e a raiva estão latentes quase em ebulição. O alívio é procurado, com frequência, em padrões de comportamentos destrutivos tanto para o sacerdote como para os paroquianos.

Não será esta a razão de tantas depressões... Já agora valia a pena pensar nisto!

quarta-feira, abril 13, 2011

É BOM QUE OS PORTUGUESES NÃO ESQUEÇAM!!!!!

FOI PEDIDO O RESGATE
Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc, mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos. Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de
PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).


Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.

Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teriamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda. O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa
: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.

Verdade
: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma táctica dos spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).


Narrativa
: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.

Verdade
: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá). Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto óasis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o engº relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?


Narrativa
: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.

Verdade
: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais. É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses). Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 5ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

Henrique Medina Carreira.

Crise: a verdade e a mentira

"Estamos numa situação de vergonha" Luis Amado
"Só temos dinheiro até Maio" Teixeira dos Santos
"Não vai acontecer nada a quem nos meteu neste buraco. Os responsáveis deveriam ser presos" Medina Carreira

quinta-feira, abril 07, 2011

ESPANHA: 60.000 assinaturas contra a "procesión atea"

O laicismo (especialmente o radical) supõe uma atitude hostil ou como mínimo indiferente à religião, afastando-se da consideração constitucional da religião como um direito dos cidadãos e um bem para a sociedade.

Um total de 60.000 pessoas assinaram até esta terça-feira uma petição a pedir que a nova delegada do Governo em Madrid, Dolores Carrión, proíba a 'procesión atea' convocada para QUINTA-FEIRA SANTA que desfilará paralela à tradicional católica, informou HazteOir.org, uma das entidades que impulsionou a recolha de firmas.
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HazteOir assinalou que a intenção dos manifestantes é "castigar a consciência católica" e "causar dano sem contemplações", una procissão "na qual previsivelmente ridicularizará as crenças religiosas, em particular as dos católicos".

sexta-feira, abril 01, 2011

DOM FARES MAAKAROUN - Em defesa do celibato opcional

Da última vez que o entrevistei, o senhor disse que estava a preparar-se para ordenar homens casados, no Brasil, pois essa é a tradição das igrejas orientais, e esperava que os irmãos católicos romanos aceitassem os orientais como eles são.
Como está a questão da ordenação de homens casados?
Dom Fares - Esse é um ponto importante. A Igreja Romana deveria aceitar as igrejas irmãs, filhas ou o que seja, com todos os direitos que estas possuem, segundo o Direito Canônico. Mesmo num país católico romano, se nele existe uma Igreja Católica oriental, que esta possa ordenar homens casados para fazer parte de seu clero, como é sua tradição. O Direito Canônico foi aprovado para toda a Igreja Católica Apostólica, ocidental e oriental. Uma Igreja Católica oriental deve ter o direito de viver sua vida de maneira plena, em qualquer parte do mundo. Esta é uma riqueza. A gente não pode exigir de uma Igreja mudar de mentalidade, de costumes, deve aceitar com respeito os outros. Estou à espera, mesmo no Brasil ver um dia - não sou precipitado - isso realizar-se. Eu até entendo que a igreja local nunca ouviu falar desse assunto e estranhe. Mas espero um dia ouvir: a sua Igreja é oriental? Então, as portas estão abertas para exercerem os seus direitos plenos, inclusive o de ordenar homens casados.

Então o senhor ainda não ordenou homens casados para o seu clero, aqui no Brasil?
Dom Fares - Não, até hoje não ordenei.

Mas precisa ter consentimento?
Dom Fares - Como sou membro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), também gosto de respeitar a maneira de fazer da Igreja Católica local. Tenho de respeitar isso. Mas estou à espera de que um dia a igreja local possa me dizer: você é livre para fazer isso. Com muito respeito, vamos continuar a amar e apoiar este bispo nosso.

E a Igreja Melquita tem seminaristas no Brasil?
Dom Fares - Sim, temos. Mas não são seminaristas casados. Estão a preparar-se para se tornar padres celibatários.

O celibato é obrigatório, então?
Dom Fares - Obrigatório, mas foi uma opção. Hoje em dia eu não posso quebrar essa relação com a Igreja local. Tenho que respeitá-la. Mas, um dia, estou certo, a Igreja local também vai reconhecer de uma maneira mais profunda a riqueza da Igreja Oriental em ter homens casados ordenados. Vai começar esse período. Essa falta grande de padres, se o celibato não for uma obrigação, vai permitir ordenar mais padres. Temos leigos maravilhosos, inseridos na vida da Igreja, a fazer grandes obras. Eu até me sinto envergonhado como bispo ao ver a maneira profunda como se dedicam à religião. E digo: eu tenho de melhorar a minha vida espiritual - eu, bispo. Entre esses leigos já inseridos, nós podemos chamar algum - aquele médico, aquele professor - para se preparar para se tornar um dia um padre. E a mulher dele e os filhos devem dar um testemunho, diante de todo mundo, como uma família dedicada a ajudá-lo a dirigir a igreja como padre. Nós precisamos disso. E vamos fazê-lo aos poucos, não podemos forçar as coisas.

Há uma compreensão cada vez maior de que o restabelecimento da comunhão entre Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa ajudaria muito na solução de vários problemas dentro da Igreja Romana. A própria questão do celibato obrigatório, do casamento religioso e da própria organização eclesial tem encontrado uma boa resolução dentro da visão oriental.
Dom Fares - Esse é um ponto muito importante.
Em primeiro lugar, ao permitir aos homens casados se tornarem padres isso não vai diminuir o número dos padres celibatários. No Oriente, temos monges, missionários, padres seculares não-casados, os próprios bispos também não se casam, ao lado do clero casado que trabalham nas paróquias. Nem por isso diminui o número dos que se consagram ao celibato. Ao ver que tem a opção de escolha, quem opta pelo celibato o faz alegremente. Na verdade, vai aumentar o número de celibatários.
Por isso a Igreja local vai descobrir em pouco tempo a riqueza que é ter homens casados ordenados e vai permitir essa opção. Nas outras igrejas cristãs o clero é casado, só os ortodoxos ainda têm os monges e os bispos celibatários.
Se estamos interessados na comunhão com os ortodoxos, por que não preparar desde já homens casados, no interior da Igreja Católica Roma para assumir o sacerdócio? É essa abertura que se espera da Igreja Romana.
Aceitar ordenar homens casados é diferente da aceitação do casamento de padres já ordenados como celibatários. Esse é um problema ainda de difícil solução, mesmo nas igrejas orientais que não aceitam que depois de ordenado um padre possa se casar. O casamento tem de ser feito antes de receber o diaconado.
Porque é que há tão poucos padres casados (da Ucrânia, Russia...) em Portugal?

terça-feira, março 29, 2011

Um êxito:: Les Prêtres: Spirit Dei - 800.000 cópias vendidas







Afinal as pessoas lá no fundo tem algum apreço pela Igreja. Um disco para angariação de fundos para uma instituição bateu todos os recordes em França em 2010!!!

quinta-feira, março 24, 2011

OS MEDOS DA IGREJA

É, provavelmente, o medo o que mais paralisa os cristãos no seguimento fiel de Jesus Cristo. Na igreja actual há pecado e fragilidade, mas há sobretudo o medo de correr riscos. Começamos o terceiro milénio sem audácia para renovar criativamente a fé cristã. Não é difícil assinalar alguns destes medos.

Temos medo ao novo, como se «conservar o passado» garantisse automaticamente a fidelidade ao evangelho. É verdade que o Concílio Vaticano II afirmou de forma contundente que na Igreja deve haver uma «constante reforma», pois, «como instituição humana dela necessita permanentemente». No entanto, não é menos verdade que o que move a Igreja nestes tempos não é tanto um espírito de renovação, mas antes um instinto de conservação.

Temos medo de assumir as tensões e conflitos que traz consigo o procurar a fidelidade ao evangelho.

  • Calamo-nos quando devíamos falar;
  • inibimo-nos quando devíamos intervir.
  • Proíbe-se o debate de questões importantes para evitar posicionamentos que podem inquietar;
  • preferimos a adesão rotineira, que não traz problemas nem indispõe a hierarquia.

Temos medo da investigação teológica criativa. Medo de rever ritos e linguagens litúrgicas, que não favorecem hoje a celebração viva da fé. Medo de falar dos «direitos humanos» dentro da Igreja. Medo de reconhecer praticamente à mulher um lugar mais de acordo com o espírito de Jesus.

Temos medo de antepor a misericórdia acima de tudo, esquecendo que a Igreja não recebeu o «ministério do juízo e da condenação», mas sim o «ministério da reconciliação». Há medo de acolher os pecadores como Jesus fazia. Dificilmente se dirá hoje da Igreja que é «amiga de pecadores», como se dizia do seu Mestre.


Segundo o relato evangélico do passado Domingo, os discípulos caem por terra «muito assustados» ao ouvir uma voz que lhes diz: «Este é o meu Filho muito amado ... Escutai-. Mete medo escutar apenas Jesus. É o próprio Jesus que se aproxima, toca-lhes e diz-lhes: «Levantai-vos e não tenhais medo». Só o contacto vivo com Jesus nos podia libertar de tanto medo.

terça-feira, março 22, 2011

ESCUTAR JESUS NA SOCIEDADE ACTUAL

Há já alguns anos que era a religião que oferecia, à maioria das pessoas, critérios para interpretar a vida e princípios para a orientar com sentido de responsabilidade. Hoje, pelo contrário, são bastantes os que prescindem de Deus para enfrentar sós a sua vida, os seus desejos, medos e expectativas.

Não é tarefa fácil. Provavelmente, nunca foi tão difícil e problemático um indivíduo parar para pensar, reflectir e tomar decisões sobre si mesmo e sobre o importante da sua vida. Vivemos mergulhados numa «cultura da intranscendência» que liga as pessoas ao «aqui» e «agora», fazendo com que vivam só para o imediato, sem abertura alguma ao mistério último da vida. Movemo-nos numa «cultura do divertimento» que arranca as pessoas de si mesmo e as faz viver esquecidas das grandes questões que carregam no seu coração.

O homem de nossos dias aprendeu muitas coisas, está informado de quanto acontece no mundo que o rodeia, mas não sabe o caminho para se conhecer a si mesmo e construir a sua liberdade. Muitos subscreveriam a obscura descrição que o director de La Croix, G. Hourdin, fazia há alguns anos: «O homem está a tornar-se incapaz de querer, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar o seu modo de vida. Está a converter-se em robot disciplinado que trabalha para ganhar o dinheiro que depois usufruirá numas férias colectivas. Lê as revistas da moda, vê as emissões de televisão que todos vêem. Aprende assim o que é, o que quer e como deve pensar e viver».

Temos necessidade, mais do que nunca, de parar, de fazer silêncio, de escutar mais a Deus revelado em Jesus. Essa escuta interior ajuda a viver na verdade, a saborear a vida nas suas raízes, a não a desbaratar de qualquer maneira, a não passar superficialmente diante do essencial. Escutando Deus encarnado em Jesus, descobrimos a nossa pequenez e pobreza, mas também a nossa grandeza de seres amados infinitamente por ele.

Cada um é livre para escutar Deus ou para lhe virar as costas.

Mas, em qualquer caso, há algo que todos devemos recordar, ainda que seja escandaloso e contra cultural: viver sem um sentido último é viver de maneira «insensata»; agir sem escutar a voz interior da consciência é ser um «inconsciente»

domingo, março 20, 2011

PERDIDOS NA ABUNDÂNCIA

Uma das caractesticas das sociedades avançadas é o excesso, o desmesurado, a profusão de ofertas, a multiplicação de possibilidades. Oferece-se-nos tudo, podemos experimentar tudo. Não é fácil viver assim. Atraídos por mil reclamos, podemos acabar atordoados e sem capacidade para cuidar e alimentar o que é essencial.


Os centros comerciais e os supermercados expõem um sortido incrível de produtos. Os restaurantes apresentam cartas e menus com toda a classe de combinações. Podemos seleccionar um número cada vez mais alargado de cadeias de televisão. As agências propõem-nos todo o tipo de viagens e de experiências. A Internet abre caminho a um número ilimitado de imagens, impressões e contactos.

Por outro lado, jamais a informação foi tão invasora. Esmaga-nos com dados, estatísticas e previsões. As notícias sucedem-se com rapidez, impedindo-nos a reflexão sossegada e a meditação. Encharcada de informação, a nossa consciência toma-se receptiva de tudo e de nada. É cada vez mais fácil cair na indiferença e na passividade.


Todo este clima tem as suas consequências.

Há um grande número de pessoas que dá mais atenção às necessidades artificiais, descurando-se o essencial. Vive-se para o exterior, inclinados para as novidades exteriores, ignorando-se todo o mundo interior. O excesso de informação e a hiper-solicitação do consumismo dissolvem a força das convicções. São muitos os que vivem entretidos no anedótico, sem projecto nem ideal algum. Pouco a pouco, as pessoas tomam-se mais frágeis e inconsistentes. Tudo é problema, inclusivamente as coisas mais elementares: dormir, ir para férias, engordar, envelhecer.


As vezes, de forma vaga e difusa, outras de forma mais clara e precisa, são bastantes os que sentem decepção e desencanto ao experimentar que este estilo de vida despersonaliza, esvazia interiormente e incapacita para viver duma maneira sã. Esta insatisfação é um chamamento a reagir. Não basta andar entretido, funcionar sem alma e viver só de pão. Precisamos de alguma mais... será que já nos demos conta?