quinta-feira, novembro 25, 2010

O Papa e os ofendidos

A julgar por algumas reacções que suscitou a visita do Papa a Espanha, poder-se-ia pensar que Bento XVI procurou deliberadamente o confronto ou utilizou um tom agressivo ou polémico. Contudo, a leitura dos discursos desmente tal atitude.

Que a doutrina católica, especialmente em assuntos como a sexualidade ou a família, não é bem recebida em muitos meios de comunicação espanhóis é uma coisa por demais sabida. Mas a recente visita papal pôs em evidência, além disso, uma profunda diferença de atitudes:
  • de um lado, o discurso construtivo, respeitoso e razoável - quer se esteja ou não de acordo com as suas opiniões - do Papa;
  • do outro lado, as reacções dos seus críticos, que vão desde a indignação mais profunda até à troça grosseira e superficial, de mau gosto nalguns casos.

As críticas a Bento XVI surpreendem mais ainda porque o Papa não incidiu senão nos temas que têm pautado desde o início o seu magistério: a relação entre razão e fé, a defesa da dignidade humana, o papel insubstituível da família natural, o laicismo. Recolhemos algumas das suas declarações, tiradas dos sete discursos pronunciados tanto em Santiago de Compostela como em Barcelona, a da entrevista que concedeu na viagem até Santiago.

Abertura à razão e à fé

Um dos empenhos intelectuais de Bento XVI é despertar o sentido de transcendência num ser humano com a religiosidade adormecida ou completamente apagada por dois séculos de secularização. Na homilia da Praça do Obradoiro (Santiago) afirmava: "É uma tragédia que na Europa, sobretudo no século XIX, se afirmasse e divulgasse a convicção que Deus é o antagonista do homem e o inimigo da sua liberdade".

Bento XVI denunciou repetidas vezes a marginalização dos valores religiosos como uma interpretação perniciosa da separação sadia entre Igreja e Estado. A este respeito augurava "uma Espanha e uma Europa preocupadas não só com as necessidades materiais dos homens, mas também das necessidades morais e sociais, das espirituais e religiosas, porque todas elas são exigências genuínas do homem como um todo".

O "homem como um todo" que o Papa se esforça em compreender é o racional, mas também o homem de fé e o artista. Assim o manifestou nas declarações durante a viagem de chegada a Espanha: "A fé, e a fé cristã, só encontra a sua identidade na abertura à razão, e a razão só se realiza se transcende para a fé. Mas também é importante a relação entre fé e arte, porque a verdade, fim e meta da razão, se exprime na beleza e se auto-realiza na beleza".

Laicidade e Laicismo

As declarações que incendiaram a mecha da polémica foram parte de uma resposta do Papa à pergunta acerca de se a Espanha era um dos objectivos primordiais da nova evangelização. Bento XVI sublinhou a importância que a Espanha tinha tido como baluarte do catolicismo em vários momentos históricos, mas também lembrou o forte laicismo e anticlericalismo dos anos 30. Depois acrescentou: "este confronto entre fé e modernidade, ambas muito vivas, se repete na Espanha actual".

Estas palavras, que alguns criticaram por entender que suponham uma comparação inoportuna com a Espanha dos anos 30, entroncam com a ideia que Bento XVI quer propor de laicidade. O Papa continuou dizendo: "por isso, o futuro da fé e do encontro - não do confronto mas sim do encontro - entre fé e laicidade, tem um foco central também na cultura espanhola". Depois destas declarações, torna-se difícil continuar a defender que o catolicismo olha com maus olhos a separação entre Igreja e Estado, quer dizer, a laicidade.

Outra coisa é o laicismo, que supõe uma interpretação negativa do facto religioso - seja de que credo for - por o considerar potencialmente perigoso para a convivência, e exige um espaço público "neutro", ainda que essa neutralidade acabe em ateísmo prático. Desde o princípio do seu pontificado Bento XVI não tem deixado de alertar para o perigo de silenciar no domínio público as questões acerca de Deus. Na homilia de Santiago de Compostela perguntava: "Como é possível que se tenha feito silêncio público sobre a realidade primeira e essencial da vida humana? Como pode o mais determinante dela ser encerrado na simples intimidade ou remetido para a penumbra?"

Dignidade humana

"Deixai-me que proclame daqui a glória do homem". Estas palavras, que podiam ser subscritas por qualquer literato, foram pronunciadas por Bento XVI na Praça do Obradoiro de Santiago. E outro dos temas mais frequentes nos discursos do actual Papa é a defesa da dignidade humana como criatura predilecta de Deus. Um dia mais tarde, em Barcelona, comentaria a este propósito umas palavras de São Paulo: "Não sabeis que sois templo de Deus?... O templo de Deus é santo: esse templo sois vós (1 Cor 3, 16-17). Eis aqui unidas a verdade e dignidade de Deus com a verdade e dignidade do homem".

Esta dignidade do homem não deve ficar, segundo Bento XVI, numa consideração bonita, mas deve funcionar como moderadora da actividade política e da investigação científica, particularmente no controverso campo da bioética. Assim, na mesma homilia de Barcelona, o Papa clamava "quem tem deficiências psíquicas ou físicas pode receber sempre aquele amor e atenções que os faça sentir-se valorizados como pessoas nas suas necessidades concretas".

Igualmente, Bento XVI recordou o papel da doutrina cristã para assegurar uma forma de organização social e política respeitadora da dignidade do homem: "onde não há entrega ao serviço dos outros surgem formas de prepotência e exploração que não deixam lugar para uma autêntica promoção humana integral".

Primazia da família

A dedicação da Basílica da Sagrada Família foi ocasião de Bento XVI recordar a primazia que a Igreja católica e ele pessoalmente concedem à família: "É o grande tema de hoje e mostra-nos até onde podemos ir tanto na edificação da sociedade como na unidade entre fé e vida, entre religião e sociedade". O Papa está perfeitamente consciente que as batalhas do laicismo e da dignidade humana se travam, em primeiro lugar, dentro do âmbito da família.

Uma das críticas mais frequentes contra a Igreja católica é a de machismo: a não ordenação de mulheres ou a promoção da maternidade são vistas por alguns como formas de desprezo pelo feminino. Umas palavras da homilia de Barcelona serviram de desculpa para tornar a agitar esta acusação: "a Igreja defende as medidas económicas e sociais adequadas para que a mulher encontre em casa e no trabalho a sua plena realização". A referência à casa incomodou os que pensam que os trabalhos domésticos derivados da maternidade implicam um mecanismo de repressão da feminilidade.

Contudo, outros viram nas palavras do Papa justamente a mensagem contrária: o trabalho e a família são dois campos nos quais a mulher se realiza como pessoa, e portanto a administração pública deve velar para que ambos sejam compatíveis e a mulher se realize plenamente. Uma interpretação muito mais plausível, por estar mais perto da literalidade das declarações. Outra coisa é que alguém se empenhe em ofender-se.

Fonte: Aceprensa

quarta-feira, novembro 24, 2010

Quais os cortes de despesa que precisávamos...

  • Redução do número de deputados na Assembleia da República e seus gabinetes;
  • Reformas das mordomias da Assembleia da República;
  • Acabar com os milhares de Institutos publicos que não servem para nada;
  • Acabar com as Empresas Municipais e seus administradores;
  • Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias;
  • Redução drástica das Juntas de Freguesia;
  • Acabar com o pagamento de 200 € por presença na reuniãode Câmara e de 75 € nas reuniões da Junta de Freguesia;
  • Acabar com a distribuição de carros a Presidentes e Assessores das Camaras e Juntas;
  • Acabar com motoristas particulares 20h por dia;
  • Acabar com a renovação sistemática da frota dos carros do estado;
  • Colocar chapas de identioficação em todos os carros do estado;
  • Acabar com o vaivém dos Deputados dos Açores e Madeira e respectiva estadia em hoteis de luxo;
  • Controlar o pessoal da Função Pública e o trabalho que faz;
  • Acabar com os milhares pareceres juridicos;
  • Acabar com os Governos Civis;
  • E por aí fora

terça-feira, novembro 23, 2010

Bento XVI: "Os sacerdotes não podem viver isolados"

Sobre o celibato, Bento XVI afirmou que talvez "pode ser mais fácil se se constituem comunidades de sacerdotes". Segundo manifestou o Papa, é importante que os sacerdotes "não vivam isolados mas que estejam juntos em pequenas comunidades, onde apoiem experimentem o estar juntos no seu serviço a Cristo".
Mas quem quer escutar as Palavras do Papa?!!!
A educação e formação dos Seminários continua a esquecer esta dimensão... muitos programas pastorais e pouco trabalho em equipa...!!! Muito carreirismo e pouco companheirismo!!!

segunda-feira, novembro 22, 2010

O método mais eficaz no combate à sida: ABC

”No 2º dia da Cimeira Mundial da SIDA o Presidente do Uganda, de sucesso na luta contra o vírus, veio mostrar com números que a abstinência sexual e a fidelidade conjugal são os dois melhores métodos para combater a SIDA. Com estes métodos, em 20 anos, a população infectada do Uganda baixou de 30% para apenas 6%. “

”(…) Conferência Mundial sobre a Sida terminou com muitas críticas às polémicas campanhas de abstinência sexual adoptadas pelos governos dos Estados Unidos e do Uganda como principal estratégia de combate à doença. A campanha do governo americano - "ABC" (Abstinence, Be faithful, Condoms when appropriate (Abstinência, Fidelidade e Preservativo quando necessário) -, aplicada a nível interno e em países em desenvolvimento, revolta os activistas que acusam os governos dos países mais ricos de não cumprirem a promessa de destinar 10 mil milhões de euros por ano ao fundo global de combate à doença.”

Ou seja: uns defendem a vida, outros preocupam-se com o dinheiro que as multinacionais do látex podem poupar.

(…) “o presidente do Uganda, Yoweri Museveni, afirmou, durante a conferência, que a campanha de abstinência sexual no seu país foi responsável pela forte queda das taxas de contágio por HIV. Cerca de um milhão de pessoas morreram de Sida no Uganda desde que o primeiro caso foi diagnosticado há 22 anos e outras 1,2 milhões foram infectadas. Entretanto, as taxas de infecção no Uganda, que atingiram 30% na década de 90, caíram para 6%, uma diminuição que Museveni atribui à campanha de abstinência”

Afinal, há métodos de prevenção melhores que o preservativo.
Como disse o Papa que seja apresentado como o último recurso...

”Nos países desenvolvidos, o combate à Sida tem passado sobretudo por campanhas massivas de informação, pela distribuição gratuita de seringas e pelo uso do preservativo nas relações sexuais. Esta estratégia, contudo, não está a dar os resultados esperados".
CONHEÇA O MÉTODO MAIS EFICAZ (ABC - da doença):
  1. Abstain (abstém-te);
  2. Be faithful (sê fiel);
  3. Condom (usa o preservativo - último recurso)

Para prevenir a sida não basta introduzir a camisinha nas relações sexuais. (…)

A abstinência e a fidelidade também são importantes na luta contra o VIH.

domingo, novembro 21, 2010

Não compres cartões "christmas" da UNICEF!

Felicita os teus amigos com um cartão de Natal, mas com motivos cristãos!

Ainda falta mais de um mês para o Natal, no entanto, em muitos aspectos já estamos nessa quadra (que o digam os empregados das grandes superficieis).

NATAL não significa, férias de esqui, solisticio de inverno, etc... O NATAL é a celebração do Nascimento do Menino Jesus.

Nesta quadra, de certeza que irão aparecer anuncios comerciais para comprarmos e enviarmios cartões christmas da UNICEF .

Em linhas gerais, os cartões christmas de Unicef tem motivos que nos querem fazer esquecer o significado cristão do Natal e usam as receitas obtidas para promover o aborto.

Compra Cartões de Boas Festas
com iconografia e mensagens religiosas,
e se possível editadas por organizações católicas.
Assim matas vários coelhos de um tiro:
  • Não financias organizações pró-abortistas;
  • Crias um ambiente verdadeiramente "natalicio" na sociedade;
  • Se escolhes bem as mensagens envias uma imagem "catequética" inspirado nos textos evangélicos;
  • Ajudas económicamente a boas causas, como por exemplo, ordens religiosas, projectos de caridade cristãos, etc...

O Advento é o momento para aplicares esta opção, onde tens capacidade de decisão ou influência (no trabalho, nas organizações a que pertences, na família, na tua terra, etc...).

NÃO CONTRINBUAS PARA TIRAR O MENINO JESUS DA FESTA DO NATAL!!!

terça-feira, novembro 16, 2010

Angela Merkel: "Não há muito Islamismo mas pouco cristianismo"

A chanceler alemã, com enorme coragem, convida a reivindicar "particularmente a nossa tradição judaico-cristã". Assegura que a identidade alemã «significa acreditar na liberdade de religão, não só dentro das nossas fronteiras mas também para os cristãos em todo o mundo».
«Não temos muito islamismo na Alemanhã, mas pouco cristianismo», disse a cancheler Angela Merkel no seu discurso perante União Democrata Cristã (CDU). A frase arrancou um enorme aplauso no auditório, e marcou assim a distância, por um lado, para com aqueles que -como é o caso dos partidos de esquerda- continuam a apostar num «sociedade multicultural» e, por outro, para com aqueles que insistem em travar a entrada de imigrantes muçulmanos com receio de perder a identidade.

Merkel reiterou a sua convicção de que a fórmula multicultural «foi um fracaso», porque dificultou a integração de muitos imigrantes, particularmente os turcos, e pediu à CDU que não tenga medo de abrir o debate nacional «sobre os valores que nos guiam, e em particular sobre a nossa tradição judaico-cristã».

«Temos de fazê-lo com confiança, e seremos capazes de concretizar a coesão na nossa sociedade».

Angela Merkel não aposta em travões ou cuotas para a entrada de imigrantes na Alemanhã, mas pede que «quem vem respeite e reconheça a nossa identidad, ao mesmo tempo que conserva a sua».

A cancheler disse que essa identidade alemã «significa crer na liberdade de religião, não só dentro das nossas fronteiras mas também para os cristãos em todo o mundo», numa velada referencia aos recentes ataques que minoria cristã sofreu em diversos paises muçulmanos.


Realmente a chanceler têm razão:
  • Pouco cristianismo; quando deixamos que as minorias retirem os crucifixos dos espaços públicos;
  • Pouco cristianismo; quando não denunciamos as televisões e a imprensa por maltratarem os valores cristãos. Atrever-se-ia com Ala? Força!
  • Pouco cristianismo; quando chega o Natal e em vez dos simbolos religiosos, colocamos "pai natal";
  • Pouco cristianismo; quando os cristãos atiram pedras contra a própria Igreja;
  • Pouco cristianismo; quando deixamos a missa do domingo;
  • Pouco cristianismo; quando confundimos tolerância com renuncia à nossa identidade cristã;
    Realmente é pouco! Mesmo pouco cristianismo!

"Dos homens e dos deuses": fé e despojamento

Em 1996, sete monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância são raptados e assasinados em Tibhirine, aldeia aninhada na região argelina do Magrebe. É o culminar da escalada de violência que opõe o Grupo Islâmico Armado (GIA), extremista, ao governo que acusa de corrupto. O impacto deste horrível desaparecimento, cujos contornos exatos estão ainda por esclarecer, extende-se até aos nossos dias, levado agora ao cinema sob direção do realizador francês Xavier Beauvois.

A obra, reconhecida com o Grande Prémio do Festival de Cannes e merecedora da forte e comovida chuva de aplausos que encheram o Palais des Festivals na noite do passado 23 de maio, é uma extraordinária ode à fé, ao amor ao próximo e ao espírito de serviço que cumpre, em estilo e estrutura narrativa, o despojamento do seu sujeito.

Com efeito, é-nos dado comungar a forma abnegada como uma comunidade de homens lida com uma realidade adversa para a qual não contribui senão com a sua vocação de amor e dádiva. Uma vocação reafirmada ao arrepio das pressões externas para abandonarem a aldeia que servem à sua sorte.

Sem ceder a tentações sensaciona-listas, Beauvois desvenda aos nossos olhos o dia-a-dia daquele pequeno mosteiro de Tibhirine, dos seus sete habitantes e da pacata população da aldeia local, induzindo progressi-vamente o adensar do contexto violento que involuntariamente envol-ve uns e outros.

Simples e acessível, a linguagem fílmica pretere o horror dos aconteci-mentos, trágicos, e da crescente violência, ao espírito com que aquela irmandade os enfrenta. Um espírito sustentado na sua extraordinária força e revitalizado na dúvida e fraqueza pela oração, pelo permanente desejo de união e comunhão, pelo tempo e oportunidade concedidos ao discernimento.

Mais que um nefasto episódio da história política ou religiosa, estamos perante uma obra que nos propõe um caminho, pela busca do verdadeiro sentido da vida: o que os sete monges sacrificados, na sua fé cristã, encontraram, e que Xavier Beauvois tão bem percorre, alumiando-o para crentes e não crentes.
“Dos Homens e dos Deuses” (122 minutos) estreou em Portugal na passada 5.ª feira, 11 de novembro.

domingo, novembro 14, 2010

Estado promove 233 funcionários

É um escândalo: o estado promove 233 funcionários antes da entrada em vigor do Orçamento para 2011. Vamos a correr rapidamente porque um salário de 3.000 euros nos espera!!! Realmente a crise é só para alguns!!!... Ainda esperava outra coisa dos vendedores de ilusões?!!!

segunda-feira, novembro 08, 2010

Tirem as vossas conclusões: quais os destaques da Imprensa?!!!


Milhares de pessoas aglomeram-se nas ruas de Barcelona no percurso do Papa até a Basílica da Sagrada Familia.

No segundo dia em Espanhaa e antes de consagrar a Basílica Sagrada Familia de Antoni Gaudí como basílica menor, Bento XVI reuniu-se brevemente com os Reis de Espanha num encontro privado.

No interior da basílica esperavam-no mais de 6.500 pessoas ye 1.100 concelebrantes entre cardenais, bispos e sacerdotes. Nas ruas próximas da Sagrada Família instalaram-se 36 ecrans gigantes para cerca de 250.000 pessoas seguiram a missa de consagração do templo.

O que é que alguma impressa destaca: 200 pessoas que protestaram em Santiago de Compostela e cerca de 2000 pessoas em Barcelona!!! Quais são os critérios, qual é a seriedade... Enganaram-se na visita a Portugal, pediram desculpa quando o Papa visitou o Reino Unido e insistem com os mesmo erros na visita a Espanha...

sexta-feira, novembro 05, 2010

«La Última Cima» coreana

O filme-documental sobre a vida do salesiano John Lee Tae-suk, já foi visto na Coreia por 120.000 espectadores e brevemente vai ser projectado nos Estados Unidos.

“Don’t Cry for Me Sudan” (Não chores por mim, Sudão) é um filme documental sobre a vida do padre John Lee Tae-suk, salesiano, que conseguiu ser visto na Corea por mais de 120.000 espectadores desde que se estreou nas salas de cinema em setembro de 2010. Trata-se de um verdadeiro êxito de bilheteira na Coreia, porque este filme não promovido como costume ser outros filmes. Durante o mês de novembro o filme chegará a Los Angeles, USA, e também foi enviado ao Festival Internacional do Cinema de Berlim, que decorrerá nos dias 10 a 20 de fevereiro.

O padre John Lee Tae-suk (1962-2010) era médico antes de se sentir chamado a entrar na Sociedade de São Francisco de Sales, os salesianos. Depois da ordenação sacerdotal em 2001, iniciou o seu trabalho como missionário em Tonj, numa pequena aldeia do Sul do Sudão, destruida pela guerra. Era o primeiro missionário coreano que chegava a este país. Era sacerdote, médico, professor, mecânico, músico… entregando todo a todos. Construiu um hospital e uma escola, e até organizou para os jovens uma banda de música. No dia 14 de Janeiro deste ano 2010 morreu de cancro de colon, invocando a São João Bosco.

Graças a este filme muitas pessoas, também não católicas, conheceram a vida deste grande missionário. A Sudan Youth Education Foundation, que costumava apoiar o padre Lee, viu como aumentavam drasticamente o numero dos donativos -de facto passaram de 3.000 para 10.000 os contribuintes fixos-, o que permitiu que se satisfizessem muitas necessidades básicas e sanitarias e se estejam a construir novos edificios para a escola e o hospital, e a banda de música voltou a tocar.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Os cristãos nos países islâmicos

Vaticano alerta para futuro incerto dos cristãos nos países islâmicos
Cardeal iraquiano assegura que a comunidade não quer deixar o país, apesar da violência
O presidente do Conselho Pontifício para a pastoral dos migrantes e itinerantes (CPPMI), do Vaticano, alertou para o risco de os cristãos deixarem definitivamente os países de maioria muçulmana.

D. Antonio Maria Veglió, arcebispo italiano, considera que o movimento migratório destas comunidades “parece irreversível”, assegurando, contudo, que a Santa Sé “não cessará de empenhar-se para que os cristãos permaneçam nas suas terras”.

“Os cristãos, e particularmente os jovens, em muitos países da área (Líbano, Síria, Iraque, Irão, Egipto, Líbia, Israel, Palestina) abandonam a sua pátria em grande número”, alerta.

Os efeitos da guerra e da situação social, económica e política no Oriente levam a uma “diminuição progressiva da presença cristã em todos aqueles países”.

“A precariedade aconselha os jovens cristãos a emigrarem e inserirem-se em diferentes contextos culturais e sociais, com todas as vantagens e infelizmente as desvantagens que daí derivam”, precisa D. Antonio Maria Veglió.

Para o Vaticano é preciso que a comunidade internacional ajude a resolver os problemas que estão na base desta fuga: “pobreza, violência, perseguição, injustiça, subdesenvolvimento e desemprego”.

O pedido é deixado poucos dias depois de um grupo de extremistas muçulmanos ter assassinado pessoas na catedral siro-católica de Bagdad, no Iraque.
O Patriarca Emmanuel III Delly, da comunidade caldeia, expressou asua vontade de permanecer no Iraque: "Somos os filhos deste país".

“Não temos medo da morte nem das ameaças", disse a mais importante figura do catolicismo iraquiano, comunidade com tradições que remontam ao início do Cristianismo.

Fonte: ecclesia

quinta-feira, outubro 07, 2010

Casamento ou comédia?

Muitos casam-se "na Igreja" mas NÃO "pela Igreja".
Vestem-se de gala, celebram o rito, mas NÃO recebem o "sacramento do matrimónio" porque estão fechados a ele, não há um atitude de abertura. Muitos nem sequer sabem que existe um sacramento e o que este significa, celebram - como muito - um "matrimónio civil" com velas, flores e música. Nada mais. Muitos é o que procuram, o adorno.
Esta REALIDADE leva-me a afirmar e a repetir que há muitissimos mais "matrimónios nulos" do que os que se solicitam e declaram. Um pinguin que comungasse receberia o sacramento da Comunhão? Não, porque não têm capacidade nem atitude, falta o sujeito válido, isto é, quantas vezes recebemos sacramentos como pinguins? E eu continuo a perguntar: Pode celebrar-se uma "matrimónio sacramental" (a católica) sem conhecer nem querer o sacra-mento? Estes "matrimónios sem sacramento" não deveriam ser admitidos nem reconhecidos pela Igreja, da mesma maneira que não se reconhece o "matrimónio civil".
Se existe falsidade, ignorância, inconsciência ou involuntariedade sobre a espiri-tualidade do sacramento, não há religião, não há sacramento, não pode haver matrimónio religioso. Quantos há que só se dão conta quando se sentem agarrados como coelhos numa inamovivel armadilha! E não porque se sintam atados pela outra parte, mas pela inflexibilidade e incompreensão das normas religiosas. Quantos fogem da institução eclesial e da sua rigidez para poder respirar! Que paradoxo doloroso!
Alguns objectarão que, ainda assim, o matrimónio é válido porque há um contrato objectivo e público. Pode. Mas então seria um simples "matrimónio civil" festejado numa Igreja. E muitas vezes nem isso porque, além de não existir o sacramento, falta a suficiente maturidade (vontade, liberdade e consciência) para que esse contrato seja válido. Pode casar-se uma criança de dez anos? Teóricamente não. No entanto, a minha experiência diz-me que há muitas "crianças" que se casam sem mais nada do que a força do costume, das carências ou do impulso biológico. Infelizmente, as leis (civis e religiosas) fixam-se na maturidade biológica e nem tanto na sicológica e espiritual. Assim fundam-se famílias como currais e não como lugares cristãos.
Quando surgem as rupturas, não se pode aplicar aos divorciados menor compreensão que a aplicada a estes "matrimónios de faz de conta" celebrados dentro duma Igreja. O rigor, a severidade e a maturidade devem exigir-se ANTES do casamento e não DEPOIS do reconhecimento do erro. Seria um disparate MANTER o matrimónio "formali-zado" entre uma rã e um corcodilo. E mais ainda querer NEGAR os "erros iniciais dos contraentes" com a culpabilização da religião.
A solução para os divorciados católicos (de boa fé) passa por facilitar o acesso à "declaração oficial de nulidade" (reconhecimento de erros básicos na origem) depois de um meditado e resumido "processo de consciência" e não através dos larguissimos trâmites processuais actuais à imitação da justiça civil. Com a actual estructura jurisdiccional da Igreja seria praticamente impossível atender o aumento de processos de nulidade.
A "nulidade matrimonial" não é uma questão de leis rigidas, inflamados advogados, armadilhas processuais, nem de dinheiro por baixo da mesa (as pessoas estão muito engañadas neste ponto porque as taxas eclesiásticas são mínimas). É uma "questão de consciência", de discernimento, de ver se houve liberdade, vontade e consciência suficientes ou um fatídico ERRO, uma pura comédia inconsciente. A missão da Igreja deveria ser AJUDAR a discernir em consciência se existiu ou não matrimónio. Mais do que um tema jurídico e processual é um tema sociológico e espiritual. Mais do que juizes e advogados deveriam intervir sociólogos e mestres espirituais.
Não se trata de fazer desaparecer os divórcios enchendo a manga com nulidades para todos. Trata-se de abrir os olhos à REALIDADE e compreender que muitos pessoas “casam-se” por um erro próprio ou induzido. Não parece justo que existam soluções mais fáceis para um assassino em série que se arrepende, do que para quem reconhece o ERRO de ter "formalizado" um casamento equivocadamente. Para o assassino arrependido, o perdão sem condições. Para o erróneamente casado que quer rectificar o seu erro e a sua vida, excomunhão perpetua. Não parece sequer lógico.
Este é um dos temas pendentes da Igreja que a herarquia conhece muito bem. Por isso eminentes vozes desta mesma herarquia pedem um Concilio para aprofundar e dar soluções a estes nossos irmãos que sofrem ao estarem "oficialmente" afastados. A nossa hierarquia também reconhece que a protecção do matrimónio e família católicos passa por proporcionar uma formação séria e profunda ANTES do casamento e uma assistência continuada DEPOIS.
Claro que uma coisa é ver os problemas e outra dar-lhes solução.
A lentidão dos nossos dirigentes é proverbial.

Misericórdias: associações públicas ou privadas de fiéis?

Presidente da CEP defende autoridade da Igreja sobre as Misericórdias

D. Jorge Ortiga diz que o entendimento dos Bispos portugueses foi confirmado pelo Vaticano
Os bispos portugueses consideram que a classificação das Misericórdias como “associações públicas de fiéis” não é uma novidade, mas remonta a 1988, parecer que foi sucessivamente confirmado pelo Vaticano em 1992 e 2003.

Este enquadramento jurídico ficou mais explícito com a aprovação por parte da Conferência Episcopal de um Decreto Geral que consigna a natureza canónica (interna da Igreja Católica) daquele estatuto.

D. Jorge Ortiga reconhece que, em Portugal, as Misericórdias “sempre gozaram de privilégios e de dispensas concedidas pela autoridade eclesiástica dos Bispos diocesanos”.

Mas esta autonomia, adverte o prelado, “em caso algum pode pôr em causa os ‘elementos constitutivos essenciais’ das associações públicas de fiéis”, que “não podem ser transformadas, sub-repticiamente, em associações privadas de fiéis”.

Em 28 de Setembro, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, enviou um e-mail aos provedores das Misericórdias no qual recorda os fundamentos canónicos da legislação.

O texto realça que a autonomia das Misericórdias continua e que não são os bispos diocesanos a dirigi-las, dado que a eles cabe “apenas” a “tutela eclesiástica”, que não abrange o poder de aprovar as contas daquelas instituições, incumbência que cabe às suas assembleias gerais.

O presidente da Conferência Episcopal refere ainda que teve “vários encontros” com o presidente do Secretariado Nacional da UMP, Manuel de Lemos, nos quais reiterou que o Decreto não poderia ser negociado, embora houvesse abertura do episcopado para a constituição de uma Comissão Mista que regulamentasse a legislação, com vista a salvaguardar o “regime especial” das Misericórdias.

“O Sr. Dr. Manuel Lemos pretendia que fosse a Comissão Mista a elaborar uma decisão. Como esta já estava tomada desde 1988, para mim, bastaria explicitar um comportamento de comunhão e unidade eclesial sem perturbar a autonomia, o que esperamos venha a acontecer, através dum Regulamento a elaborar em breve”, escreve o arcebispo de Braga.

A legislação, sancionada pelo episcopado português em 23 de Abril de 2009 e confirmada pelo Vaticano em 17 de Junho deste ano, tem provocado a contestação pública do Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Em comunicado divulgado esta Quarta-feira, as Misericórdias sublinham que “não aceitam” o Decreto que, segundo o seu entendimento, as converte em associações públicas de fiéis, tornando-as dependentes dos bispos, nomeadamente quanto à administração dos bens e intervenção na eleição dos dirigentes.

Para D. Jorge Ortiga, no entanto, "a praxe da Cúria Romana firmou-se na natureza pública das Misericórdias portuguesas pelos Decretos do Pontifício Conselho para os Leigos de 30.11.1992 e de 13.5.2003”, e no “mesmo sentido” seguiu a jurisprudência do Supremo Tribunal da Igreja Católica através de sentenças proferidas em 1999 e 2005”.

“Mediante esta interpretação ‘autêntica’ do Direito Canónico, feita pelo mais alto Tribunal da Igreja Católica, dúvidas não restam de que as Misericórdias portuguesas são associações públicas de fiéis”, assinala o documento.

As Associações públicas de fiéis são, de acordo com o Direito Canónico, as erectas pela competente autoridade eclesiástica (Santa Sé, Conferência Episcopal ou Bispo, consoante o respectivo âmbito de acção), tanto constituídas por iniciativa desta autoridade como pela dos fiéis.

Actualmente a UMP integra e coordena aproximadamente cerca de 400 Santas Casas de Misericórdia, em Portugal, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e apoia a fundação e recuperação de Misericórdias nos Países de Língua Portuguesa (Angola, São Tomé, Moçambique e Timor-Leste) e ainda nas comunidades de emigrantes.

Fonte: Agência Ecclesia

sexta-feira, outubro 01, 2010

Lei da Separação foi arma de arremesso contra a Igreja

As mudanças ocorridas sequência do 5 de Outubro de 1910 estenderam-se, naturalmente, à vida da Igreja. Ajudar a perceber esses dinamismos é um dos objectivos da obra “O Estado e a Igreja em Portugal no Início do Século XX. A Lei da Separação de 1911”, do Cónego João Seabra (Principia, 2009).

Em entrevista à Agência ECCLESIA, este especialista recorda que muitos sacerdotes foram presos e deportados para fora das suas paróquias. Bispos e padres foram espoliados dos Paços e casas paroquiais, muitas igrejas foram fechadas.

Sacerdote desde 1978, o Cónego João Seabra possui formação académica em Direito pela Universidade de Lisboa, em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e em Direito Canónico pela Universidade Pontifícia de Salamanca. A sua obra de doutoramento foi apresentada em Janeiro de 2008, na Faculdade de Direito Canónico da Universidade Pontifícia Urbaniana, sob o título “A Lei Portuguesa da Separação do Estado das Igrejas de 20 de Abril de 1911”.


Agência ECCLESIA (AE) – Que separação se verificou efectivamente com a legislação de 1911?

Cón. João Seabra (JS) – A situação jurídica da Igreja Católica antes de 1910 era a de uma Igreja oficial num Estado confessional. Isso tinha consequências: por um lado, de protecção à religião oficial do Estado; por outro, de pretensão do Estado de um poder concreto sobre a Igreja que se manifestava em muitas coisas – era o Rei que nomeava os Bispos, embora tivessem de ser aprovados pela Santa Sé (às vezes o governo não conseguia nomear os Bispos que queria, mas a Santa Sé nunca conseguia nomear um Bispo que o governo não quisesse), era o governo que nomeava os párocos e provia à sua sustentação, as paróquias eram circunscrições eclesiásticas e civis…

Havia uma mistura entre o Estado e a Igreja que, evidentemente, trazia grandes desvantagens para ambos. Nesse sentido, a Lei da Separação é de separação: os párocos deixavam de fazer parte das juntas de freguesia, de exercer funções civis na vida social e política, os Bispos deixavam de ser nomeados pelo Governo. O Papa pôde, quando houve condições propícias, nomear Bispos sem qualquer interferência do Estado.


AE – A Lei previa essa situação?

JS – Não é que a Lei da Separação deixasse fazer isso, mas porque não se respeitou o artigo 95.º, que autorizava que se mantivessem em funções cultuais os Bispos e párocos, nas catedrais e igrejas do Estado, mas que o novo Bispo ou o novo pároco tinha de apresentar um requerimento ao Ministério da Justiça para poder entrar em funções. É a não apresentação desse requerimento que consubstancia a verdadeira separação entre a Igreja e o Estado. Claro que o Estado fez a sua parte, não nomeando Bispos, mas cria um sistema onde mantinha o controlo sobre a nomeação dos mesmos. Esse controlo não se efectivou porque a Igreja não obedeceu a essa determinação, o que se repetiu em relação a inúmeros capítulos


AE – Que outros exemplos é possível dar?

JS – Na Lei da Separação, o culto está entregue a umas comissões que o Ministério da Justiça controla, mas a Igreja recusou aceitar as “cultuais”. Os párocos ficam todos estipendiados numa lista nacional de pensões, a funcionar no Ministério das Finanças, mas recusaram-se a receber essas pensões. Há muitas coisas na Lei que tornariam a Igreja completamente submetida ao Estado e só não ficou assim porque adoptou uma prática de desobediência civil, de resistência activa e passiva. O decreto de Moura Pinto, em 1918, no governo de Sidónio Pais, acabou por dar forma jurídica à situação de facto, que se tinha criado.


AE – A questão de fundo nunca foi, então, a exigência do regresso a um estatuto anterior?

JS – É muito importante para compreender o conflito que aconteceu perceber que a Igreja, os Bispos, não pretendiam a manutenção do estatuto da religião de Estado – embora pudesse haver, entre os Bispos, algum mais idoso ou mais ligado à monarquia que achassem que o melhor era ter a Igreja ligado ao Estado -, não era essa a mentalidade dominante. Aparecem mesmo antes da publicação da lei várias pessoas a desejar a separação, mas que fosse o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja, com respeito pela liberdade eclesiástica, não uma escravização da Igreja ao Estado.


AE – Pode haver tendência para desvalorizar o impacto real da Lei da Separação na vida da Igreja?

JS – Como escrevo no meu livro, a maior parte das pessoas que se referem à essa lei nunca a leu. Dos que a viram e folhearam, a maior parte viu os primeiros quatro artigos: liberdade, separação, que ninguém pode perseguir por causa de convicções religiosas, a República não reconhece nenhum culto. A maioria fecha a lei no artigo 4.º, pensando que os conflitos do passado devem ter sido culpa da intolerância da Igreja, mas não é disso que se trata. Trata-se de uma lei de perseguição religiosa, uma perseguição feroz, violenta, que fez sofrer muitíssimo Bispos e padres, que prejudicou a evangelização e que tinha como objectivo, consciente e assumido, a extinção do catolicismo.


AE – Esta agressão externa acabaria por promover a unidade no interior da Igreja...

JS – Nós não devemos iludir-nos com os efeitos da perseguição: as perseguições fazem mal, a Igreja ficou muito mal-tratada na perseguição republicana. Dezenas de casas religiosas foram extintas, algumas congregações que se tinham restaurado com muita dificuldade, a seguir ao Liberalismo, não mais voltaram e perdeu-se um património eclesiástico muito grande que nunca foi devolvido inteiramente- o que implicou durante o século XX um esforço hercúleo de construção, sacrificando gerações de padres. Perdeu-se também muita vida católica associativa.

Claro que se ganhou uma certa unidade, porque havia dispersão do episcopado e alguma divisão no clero. A perseguição uniu os Bispos, deu-lhes hábitos de confronto, de unidade e de entreajuda, ensinou-lhes uma lealdade recíproca e uma unidade com o Santo Padre. A ajuda do Papa – concreta, também em dinheiro para ajudar a manter a vida da Igreja – foi importante para consolidar essa unidade.

Os Bispos do constitucionalismo monárquico, por outro lado, não eram propriamente pastores dos seus padres, mas figuras públicas. Durante a perseguição, os Bispos vieram a revelar-se grandes pastores, pensemos em D. Manuel Vieira de Matos, D. António Barbosa Leão, o Cón. Manuel Luis Coelho da Silva, que depois foi Bispo de Coimbra, o Cón. José Alves Matoso, depois Bispo da Guarda. Homens que foram realmente líderes dos seus padres.

AE – Neste conflito com os republicanos, os Bispos sacrificam a questão do património por causa de outros valores que consideram mais importantes...

JS – A Lei da Separação espoliava a Igreja, mas concedia gratuitamente, em utilização, as igrejas e catedrais que fossem necessárias para o culto - embora todos os bens da Igreja passassem para o Estado -, cinco seminários (Braga, Porto, Coimbra, Évora e Lisboa, em São Vicente de Fora – note-se que ali não funcionava um seminário desde 1905) e concedia aos Bispos e padres a utilização de paços e casas paroquiais que fossem necessárias para a habitação. Também é verdade que dizia que era apenas o estritamente necessário, mandando ocupar a outra parte por serviços públicos, e não assegurava vivedoria aos sucessores.

Ainda assim, poderia ter-se tido como prioridade salvar essa parte do património, mas para manter na posse dos Bispos e dos párocos essas partes dos paços episcopais e das casas paroquiais que a Lei da Separação lhes concedia, a lei punha como condição que os eclesiásticos não tivessem incorrido na pena de privação dos benefícios materiais concedidos pelo Estado.

Ora, isso significava que os Bispos e padres que não aceitassem as cultuais, que não aceitassem as pensões perdiam, necessariamente, o paço episcopal e a casa paroquial. Isso é uma coisa muito pesada: quando os Bispos fazem a sua pastoral, em 1911, dizendo que não se podem aceitar as cultuais, sabem que vão ficar sem paço episcopal; quando os párocos obedecem à pastoral do Bispo, sabem que vão perder a casa paroquial – estamos a falar de homens de idade, que vivem há 30 anos numa casa ampla, confortável, que têm lá o pai e a mãe e que ficam sem casa de um dia para o outro. Isto aconteceu de Norte a Sul do país, para não ceder na libertas ecclesiae, na liberdade de Igreja.

O que estava em causa era uma forma de governo eclesial contrária à doutrina da Igreja e uma forma de remuneração do clero que o punha sujeito ao Estado. Para não aceitar estas duas coisas, para não abdicar da liberdade, a Igreja abdicou do património.


AE – Tratava-se mais de uma lei de sujeição do que de separação?

JS – A separação quer dizer coisas diferentes. Normalmente usamos a expressão para nos referirmos ao sistema norte-americano, onde desde o primeiro instante houve jamais uma religião de Estado. Esta separação é acompanhada por um grande respeito pela experiência religiosa, pelo reconhecimento da individualidade e da existência das comunidades. Neste sentido, a doutrina católica foi aceitando que um Estado estivesse separado da Igreja, nesta situação, e ficou configurada com Leão XIII, com a doutrina da tolerância, do ralliement.

A segunda lei da separação relevante, que é a lei brasileira (1890), que também surgiu num momento de convulsão política, reconhecia a personalidade jurídica da Igreja, a validade do casamento católico para efeitos civis, mantinha integralmente o património eclesial.

Havia muitas modalidades jurídicas, nos vários sistemas, de leis de separação nas quais a Igreja não era perseguida. O modelo de Afonso Costa é o modelo da separação francesa, que é uma lei de sujeição da Igreja ao Estado.

Por isso vale a pena perceber bem o que quer dizer a separação, porque nós imitamos a França, em pior. Nos EUA, quando foi assinada a Declaração de Independência, em Filadélfia, o Mayor da cidade deu uma festa, que incluía uma mesa com comida kosher, para que todos os judeus pudessem vir. Quando, uns anos depois, Napoleão quis estender o regime da Concordata a todas as religiões, convocou uma reunião com os membros do Grande Rabinato de Paris e a reunião foi marcada para o Sábado.

Estes dois episódios dão a diferença do que quer dizer a separação: num caso, o Estado respeita a natureza da experiência religiosa, deixa que as religiões sejam como são; no caso francês, o Estado impõe uma sua maneira de ver o mundo – a ética republicana de que agora tanto se fala – e as religiões têm de se sujeitar à visão que o Estado tem da religião, porque o Estado sabe como é que as religiões devem ser, ele é que diz como é que se organizam. Esta foi a mentalidade em que Afonso Costa pegou, transformando a Lei da Separação numa lei de perseguição à Igreja.


AE – É importante perceber essa mentalidade, observar a realidade a partir da vivência própria dos inícios do século XX?

JS – Nós temos dificuldade em perceber até que ponto é que o anticlericalismo ideológico parecia legítimo aos republicanos. Para eles era absolutamente claro que a religião era uma coisa má, portanto proibir, perseguir e dificultar a religião era uma questão cívica, não havia nada contra a liberdade em impedir a superstição, como eles diziam. É como se a promoção da religião fosse uma actividade ilícita, que devia ser combatida por todos os meios e todos os meios eram legítimos.


AE – Mas essa leitura escapa às análises que se fazem sobre esta matéria?

JS – Afonso Costa e a República não pretendiam separar-se da Igreja, pretendiam dominar a Igreja e esse seu intento falhou completamente. Basta ler da pena de Brito Camacho, um homem insuspeito, um republicano de sempre, que fez parte do governo provisório e votou a Lei da Separação. No decreto de Moura Pinto (1918), que reviu a Lei da Separação, há um longo relatório de Brito Camacho, que faz aí um juízo da lei – é um juízo intrarepublicano, não um juízo eclesiástico, de um inimigo da Igreja -, afirmando que a mesma foi feita para impor sectariamente uma leitura do que é a religião, contra a liberdade, que impunha à Igreja uma forma jurídica completamente incompatível com a sua natureza. Isso tinha provocado um problema social gravíssimo em Portugal que importava ao legislador republicano resolver.

Opiniões contrárias a isto nascem da ignorância, da falta de informação ou da deliberação ideológica. Oliveira Marques, que é um homem que sabe o que escreve, diz que a Lei da Separação é o acto mais revolucionário da República, porque a Igreja ficava sujeita ao povo como nunca estivera ao longo da história. Sem o dizer, mostra claramente que ele também tem consciência que é uma lei contra a Igreja, não para a separação, de uma forma ordeira e pacífica.

AE – A celebração do Centenário da República é uma oportunidade para abordar em profundidade este episódio da história da Igreja?

JS – Há uma certa tendência na historiografia da Igreja para contar a história tentando perceber a posição do adversário. Conta sempre a história das perseguições como se nós, no fundo, tivéssemos alguma culpa, porque nós é que nos explicámos mal. É uma ideia de que se nós nos explicarmos bem, eles vão perceber. O problema da perseguição à Igreja não é uma questão de mal-entendidos. Quando não se parte desse pressuposto, não se percebe nada.

Fonte: Agência Eclesia