quinta-feira, novembro 04, 2010

Os cristãos nos países islâmicos

Vaticano alerta para futuro incerto dos cristãos nos países islâmicos
Cardeal iraquiano assegura que a comunidade não quer deixar o país, apesar da violência
O presidente do Conselho Pontifício para a pastoral dos migrantes e itinerantes (CPPMI), do Vaticano, alertou para o risco de os cristãos deixarem definitivamente os países de maioria muçulmana.

D. Antonio Maria Veglió, arcebispo italiano, considera que o movimento migratório destas comunidades “parece irreversível”, assegurando, contudo, que a Santa Sé “não cessará de empenhar-se para que os cristãos permaneçam nas suas terras”.

“Os cristãos, e particularmente os jovens, em muitos países da área (Líbano, Síria, Iraque, Irão, Egipto, Líbia, Israel, Palestina) abandonam a sua pátria em grande número”, alerta.

Os efeitos da guerra e da situação social, económica e política no Oriente levam a uma “diminuição progressiva da presença cristã em todos aqueles países”.

“A precariedade aconselha os jovens cristãos a emigrarem e inserirem-se em diferentes contextos culturais e sociais, com todas as vantagens e infelizmente as desvantagens que daí derivam”, precisa D. Antonio Maria Veglió.

Para o Vaticano é preciso que a comunidade internacional ajude a resolver os problemas que estão na base desta fuga: “pobreza, violência, perseguição, injustiça, subdesenvolvimento e desemprego”.

O pedido é deixado poucos dias depois de um grupo de extremistas muçulmanos ter assassinado pessoas na catedral siro-católica de Bagdad, no Iraque.
O Patriarca Emmanuel III Delly, da comunidade caldeia, expressou asua vontade de permanecer no Iraque: "Somos os filhos deste país".

“Não temos medo da morte nem das ameaças", disse a mais importante figura do catolicismo iraquiano, comunidade com tradições que remontam ao início do Cristianismo.

Fonte: ecclesia

quinta-feira, outubro 07, 2010

Casamento ou comédia?

Muitos casam-se "na Igreja" mas NÃO "pela Igreja".
Vestem-se de gala, celebram o rito, mas NÃO recebem o "sacramento do matrimónio" porque estão fechados a ele, não há um atitude de abertura. Muitos nem sequer sabem que existe um sacramento e o que este significa, celebram - como muito - um "matrimónio civil" com velas, flores e música. Nada mais. Muitos é o que procuram, o adorno.
Esta REALIDADE leva-me a afirmar e a repetir que há muitissimos mais "matrimónios nulos" do que os que se solicitam e declaram. Um pinguin que comungasse receberia o sacramento da Comunhão? Não, porque não têm capacidade nem atitude, falta o sujeito válido, isto é, quantas vezes recebemos sacramentos como pinguins? E eu continuo a perguntar: Pode celebrar-se uma "matrimónio sacramental" (a católica) sem conhecer nem querer o sacra-mento? Estes "matrimónios sem sacramento" não deveriam ser admitidos nem reconhecidos pela Igreja, da mesma maneira que não se reconhece o "matrimónio civil".
Se existe falsidade, ignorância, inconsciência ou involuntariedade sobre a espiri-tualidade do sacramento, não há religião, não há sacramento, não pode haver matrimónio religioso. Quantos há que só se dão conta quando se sentem agarrados como coelhos numa inamovivel armadilha! E não porque se sintam atados pela outra parte, mas pela inflexibilidade e incompreensão das normas religiosas. Quantos fogem da institução eclesial e da sua rigidez para poder respirar! Que paradoxo doloroso!
Alguns objectarão que, ainda assim, o matrimónio é válido porque há um contrato objectivo e público. Pode. Mas então seria um simples "matrimónio civil" festejado numa Igreja. E muitas vezes nem isso porque, além de não existir o sacramento, falta a suficiente maturidade (vontade, liberdade e consciência) para que esse contrato seja válido. Pode casar-se uma criança de dez anos? Teóricamente não. No entanto, a minha experiência diz-me que há muitas "crianças" que se casam sem mais nada do que a força do costume, das carências ou do impulso biológico. Infelizmente, as leis (civis e religiosas) fixam-se na maturidade biológica e nem tanto na sicológica e espiritual. Assim fundam-se famílias como currais e não como lugares cristãos.
Quando surgem as rupturas, não se pode aplicar aos divorciados menor compreensão que a aplicada a estes "matrimónios de faz de conta" celebrados dentro duma Igreja. O rigor, a severidade e a maturidade devem exigir-se ANTES do casamento e não DEPOIS do reconhecimento do erro. Seria um disparate MANTER o matrimónio "formali-zado" entre uma rã e um corcodilo. E mais ainda querer NEGAR os "erros iniciais dos contraentes" com a culpabilização da religião.
A solução para os divorciados católicos (de boa fé) passa por facilitar o acesso à "declaração oficial de nulidade" (reconhecimento de erros básicos na origem) depois de um meditado e resumido "processo de consciência" e não através dos larguissimos trâmites processuais actuais à imitação da justiça civil. Com a actual estructura jurisdiccional da Igreja seria praticamente impossível atender o aumento de processos de nulidade.
A "nulidade matrimonial" não é uma questão de leis rigidas, inflamados advogados, armadilhas processuais, nem de dinheiro por baixo da mesa (as pessoas estão muito engañadas neste ponto porque as taxas eclesiásticas são mínimas). É uma "questão de consciência", de discernimento, de ver se houve liberdade, vontade e consciência suficientes ou um fatídico ERRO, uma pura comédia inconsciente. A missão da Igreja deveria ser AJUDAR a discernir em consciência se existiu ou não matrimónio. Mais do que um tema jurídico e processual é um tema sociológico e espiritual. Mais do que juizes e advogados deveriam intervir sociólogos e mestres espirituais.
Não se trata de fazer desaparecer os divórcios enchendo a manga com nulidades para todos. Trata-se de abrir os olhos à REALIDADE e compreender que muitos pessoas “casam-se” por um erro próprio ou induzido. Não parece justo que existam soluções mais fáceis para um assassino em série que se arrepende, do que para quem reconhece o ERRO de ter "formalizado" um casamento equivocadamente. Para o assassino arrependido, o perdão sem condições. Para o erróneamente casado que quer rectificar o seu erro e a sua vida, excomunhão perpetua. Não parece sequer lógico.
Este é um dos temas pendentes da Igreja que a herarquia conhece muito bem. Por isso eminentes vozes desta mesma herarquia pedem um Concilio para aprofundar e dar soluções a estes nossos irmãos que sofrem ao estarem "oficialmente" afastados. A nossa hierarquia também reconhece que a protecção do matrimónio e família católicos passa por proporcionar uma formação séria e profunda ANTES do casamento e uma assistência continuada DEPOIS.
Claro que uma coisa é ver os problemas e outra dar-lhes solução.
A lentidão dos nossos dirigentes é proverbial.

Misericórdias: associações públicas ou privadas de fiéis?

Presidente da CEP defende autoridade da Igreja sobre as Misericórdias

D. Jorge Ortiga diz que o entendimento dos Bispos portugueses foi confirmado pelo Vaticano
Os bispos portugueses consideram que a classificação das Misericórdias como “associações públicas de fiéis” não é uma novidade, mas remonta a 1988, parecer que foi sucessivamente confirmado pelo Vaticano em 1992 e 2003.

Este enquadramento jurídico ficou mais explícito com a aprovação por parte da Conferência Episcopal de um Decreto Geral que consigna a natureza canónica (interna da Igreja Católica) daquele estatuto.

D. Jorge Ortiga reconhece que, em Portugal, as Misericórdias “sempre gozaram de privilégios e de dispensas concedidas pela autoridade eclesiástica dos Bispos diocesanos”.

Mas esta autonomia, adverte o prelado, “em caso algum pode pôr em causa os ‘elementos constitutivos essenciais’ das associações públicas de fiéis”, que “não podem ser transformadas, sub-repticiamente, em associações privadas de fiéis”.

Em 28 de Setembro, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, enviou um e-mail aos provedores das Misericórdias no qual recorda os fundamentos canónicos da legislação.

O texto realça que a autonomia das Misericórdias continua e que não são os bispos diocesanos a dirigi-las, dado que a eles cabe “apenas” a “tutela eclesiástica”, que não abrange o poder de aprovar as contas daquelas instituições, incumbência que cabe às suas assembleias gerais.

O presidente da Conferência Episcopal refere ainda que teve “vários encontros” com o presidente do Secretariado Nacional da UMP, Manuel de Lemos, nos quais reiterou que o Decreto não poderia ser negociado, embora houvesse abertura do episcopado para a constituição de uma Comissão Mista que regulamentasse a legislação, com vista a salvaguardar o “regime especial” das Misericórdias.

“O Sr. Dr. Manuel Lemos pretendia que fosse a Comissão Mista a elaborar uma decisão. Como esta já estava tomada desde 1988, para mim, bastaria explicitar um comportamento de comunhão e unidade eclesial sem perturbar a autonomia, o que esperamos venha a acontecer, através dum Regulamento a elaborar em breve”, escreve o arcebispo de Braga.

A legislação, sancionada pelo episcopado português em 23 de Abril de 2009 e confirmada pelo Vaticano em 17 de Junho deste ano, tem provocado a contestação pública do Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

Em comunicado divulgado esta Quarta-feira, as Misericórdias sublinham que “não aceitam” o Decreto que, segundo o seu entendimento, as converte em associações públicas de fiéis, tornando-as dependentes dos bispos, nomeadamente quanto à administração dos bens e intervenção na eleição dos dirigentes.

Para D. Jorge Ortiga, no entanto, "a praxe da Cúria Romana firmou-se na natureza pública das Misericórdias portuguesas pelos Decretos do Pontifício Conselho para os Leigos de 30.11.1992 e de 13.5.2003”, e no “mesmo sentido” seguiu a jurisprudência do Supremo Tribunal da Igreja Católica através de sentenças proferidas em 1999 e 2005”.

“Mediante esta interpretação ‘autêntica’ do Direito Canónico, feita pelo mais alto Tribunal da Igreja Católica, dúvidas não restam de que as Misericórdias portuguesas são associações públicas de fiéis”, assinala o documento.

As Associações públicas de fiéis são, de acordo com o Direito Canónico, as erectas pela competente autoridade eclesiástica (Santa Sé, Conferência Episcopal ou Bispo, consoante o respectivo âmbito de acção), tanto constituídas por iniciativa desta autoridade como pela dos fiéis.

Actualmente a UMP integra e coordena aproximadamente cerca de 400 Santas Casas de Misericórdia, em Portugal, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e apoia a fundação e recuperação de Misericórdias nos Países de Língua Portuguesa (Angola, São Tomé, Moçambique e Timor-Leste) e ainda nas comunidades de emigrantes.

Fonte: Agência Ecclesia

sexta-feira, outubro 01, 2010

Lei da Separação foi arma de arremesso contra a Igreja

As mudanças ocorridas sequência do 5 de Outubro de 1910 estenderam-se, naturalmente, à vida da Igreja. Ajudar a perceber esses dinamismos é um dos objectivos da obra “O Estado e a Igreja em Portugal no Início do Século XX. A Lei da Separação de 1911”, do Cónego João Seabra (Principia, 2009).

Em entrevista à Agência ECCLESIA, este especialista recorda que muitos sacerdotes foram presos e deportados para fora das suas paróquias. Bispos e padres foram espoliados dos Paços e casas paroquiais, muitas igrejas foram fechadas.

Sacerdote desde 1978, o Cónego João Seabra possui formação académica em Direito pela Universidade de Lisboa, em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e em Direito Canónico pela Universidade Pontifícia de Salamanca. A sua obra de doutoramento foi apresentada em Janeiro de 2008, na Faculdade de Direito Canónico da Universidade Pontifícia Urbaniana, sob o título “A Lei Portuguesa da Separação do Estado das Igrejas de 20 de Abril de 1911”.


Agência ECCLESIA (AE) – Que separação se verificou efectivamente com a legislação de 1911?

Cón. João Seabra (JS) – A situação jurídica da Igreja Católica antes de 1910 era a de uma Igreja oficial num Estado confessional. Isso tinha consequências: por um lado, de protecção à religião oficial do Estado; por outro, de pretensão do Estado de um poder concreto sobre a Igreja que se manifestava em muitas coisas – era o Rei que nomeava os Bispos, embora tivessem de ser aprovados pela Santa Sé (às vezes o governo não conseguia nomear os Bispos que queria, mas a Santa Sé nunca conseguia nomear um Bispo que o governo não quisesse), era o governo que nomeava os párocos e provia à sua sustentação, as paróquias eram circunscrições eclesiásticas e civis…

Havia uma mistura entre o Estado e a Igreja que, evidentemente, trazia grandes desvantagens para ambos. Nesse sentido, a Lei da Separação é de separação: os párocos deixavam de fazer parte das juntas de freguesia, de exercer funções civis na vida social e política, os Bispos deixavam de ser nomeados pelo Governo. O Papa pôde, quando houve condições propícias, nomear Bispos sem qualquer interferência do Estado.


AE – A Lei previa essa situação?

JS – Não é que a Lei da Separação deixasse fazer isso, mas porque não se respeitou o artigo 95.º, que autorizava que se mantivessem em funções cultuais os Bispos e párocos, nas catedrais e igrejas do Estado, mas que o novo Bispo ou o novo pároco tinha de apresentar um requerimento ao Ministério da Justiça para poder entrar em funções. É a não apresentação desse requerimento que consubstancia a verdadeira separação entre a Igreja e o Estado. Claro que o Estado fez a sua parte, não nomeando Bispos, mas cria um sistema onde mantinha o controlo sobre a nomeação dos mesmos. Esse controlo não se efectivou porque a Igreja não obedeceu a essa determinação, o que se repetiu em relação a inúmeros capítulos


AE – Que outros exemplos é possível dar?

JS – Na Lei da Separação, o culto está entregue a umas comissões que o Ministério da Justiça controla, mas a Igreja recusou aceitar as “cultuais”. Os párocos ficam todos estipendiados numa lista nacional de pensões, a funcionar no Ministério das Finanças, mas recusaram-se a receber essas pensões. Há muitas coisas na Lei que tornariam a Igreja completamente submetida ao Estado e só não ficou assim porque adoptou uma prática de desobediência civil, de resistência activa e passiva. O decreto de Moura Pinto, em 1918, no governo de Sidónio Pais, acabou por dar forma jurídica à situação de facto, que se tinha criado.


AE – A questão de fundo nunca foi, então, a exigência do regresso a um estatuto anterior?

JS – É muito importante para compreender o conflito que aconteceu perceber que a Igreja, os Bispos, não pretendiam a manutenção do estatuto da religião de Estado – embora pudesse haver, entre os Bispos, algum mais idoso ou mais ligado à monarquia que achassem que o melhor era ter a Igreja ligado ao Estado -, não era essa a mentalidade dominante. Aparecem mesmo antes da publicação da lei várias pessoas a desejar a separação, mas que fosse o reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja, com respeito pela liberdade eclesiástica, não uma escravização da Igreja ao Estado.


AE – Pode haver tendência para desvalorizar o impacto real da Lei da Separação na vida da Igreja?

JS – Como escrevo no meu livro, a maior parte das pessoas que se referem à essa lei nunca a leu. Dos que a viram e folhearam, a maior parte viu os primeiros quatro artigos: liberdade, separação, que ninguém pode perseguir por causa de convicções religiosas, a República não reconhece nenhum culto. A maioria fecha a lei no artigo 4.º, pensando que os conflitos do passado devem ter sido culpa da intolerância da Igreja, mas não é disso que se trata. Trata-se de uma lei de perseguição religiosa, uma perseguição feroz, violenta, que fez sofrer muitíssimo Bispos e padres, que prejudicou a evangelização e que tinha como objectivo, consciente e assumido, a extinção do catolicismo.


AE – Esta agressão externa acabaria por promover a unidade no interior da Igreja...

JS – Nós não devemos iludir-nos com os efeitos da perseguição: as perseguições fazem mal, a Igreja ficou muito mal-tratada na perseguição republicana. Dezenas de casas religiosas foram extintas, algumas congregações que se tinham restaurado com muita dificuldade, a seguir ao Liberalismo, não mais voltaram e perdeu-se um património eclesiástico muito grande que nunca foi devolvido inteiramente- o que implicou durante o século XX um esforço hercúleo de construção, sacrificando gerações de padres. Perdeu-se também muita vida católica associativa.

Claro que se ganhou uma certa unidade, porque havia dispersão do episcopado e alguma divisão no clero. A perseguição uniu os Bispos, deu-lhes hábitos de confronto, de unidade e de entreajuda, ensinou-lhes uma lealdade recíproca e uma unidade com o Santo Padre. A ajuda do Papa – concreta, também em dinheiro para ajudar a manter a vida da Igreja – foi importante para consolidar essa unidade.

Os Bispos do constitucionalismo monárquico, por outro lado, não eram propriamente pastores dos seus padres, mas figuras públicas. Durante a perseguição, os Bispos vieram a revelar-se grandes pastores, pensemos em D. Manuel Vieira de Matos, D. António Barbosa Leão, o Cón. Manuel Luis Coelho da Silva, que depois foi Bispo de Coimbra, o Cón. José Alves Matoso, depois Bispo da Guarda. Homens que foram realmente líderes dos seus padres.

AE – Neste conflito com os republicanos, os Bispos sacrificam a questão do património por causa de outros valores que consideram mais importantes...

JS – A Lei da Separação espoliava a Igreja, mas concedia gratuitamente, em utilização, as igrejas e catedrais que fossem necessárias para o culto - embora todos os bens da Igreja passassem para o Estado -, cinco seminários (Braga, Porto, Coimbra, Évora e Lisboa, em São Vicente de Fora – note-se que ali não funcionava um seminário desde 1905) e concedia aos Bispos e padres a utilização de paços e casas paroquiais que fossem necessárias para a habitação. Também é verdade que dizia que era apenas o estritamente necessário, mandando ocupar a outra parte por serviços públicos, e não assegurava vivedoria aos sucessores.

Ainda assim, poderia ter-se tido como prioridade salvar essa parte do património, mas para manter na posse dos Bispos e dos párocos essas partes dos paços episcopais e das casas paroquiais que a Lei da Separação lhes concedia, a lei punha como condição que os eclesiásticos não tivessem incorrido na pena de privação dos benefícios materiais concedidos pelo Estado.

Ora, isso significava que os Bispos e padres que não aceitassem as cultuais, que não aceitassem as pensões perdiam, necessariamente, o paço episcopal e a casa paroquial. Isso é uma coisa muito pesada: quando os Bispos fazem a sua pastoral, em 1911, dizendo que não se podem aceitar as cultuais, sabem que vão ficar sem paço episcopal; quando os párocos obedecem à pastoral do Bispo, sabem que vão perder a casa paroquial – estamos a falar de homens de idade, que vivem há 30 anos numa casa ampla, confortável, que têm lá o pai e a mãe e que ficam sem casa de um dia para o outro. Isto aconteceu de Norte a Sul do país, para não ceder na libertas ecclesiae, na liberdade de Igreja.

O que estava em causa era uma forma de governo eclesial contrária à doutrina da Igreja e uma forma de remuneração do clero que o punha sujeito ao Estado. Para não aceitar estas duas coisas, para não abdicar da liberdade, a Igreja abdicou do património.


AE – Tratava-se mais de uma lei de sujeição do que de separação?

JS – A separação quer dizer coisas diferentes. Normalmente usamos a expressão para nos referirmos ao sistema norte-americano, onde desde o primeiro instante houve jamais uma religião de Estado. Esta separação é acompanhada por um grande respeito pela experiência religiosa, pelo reconhecimento da individualidade e da existência das comunidades. Neste sentido, a doutrina católica foi aceitando que um Estado estivesse separado da Igreja, nesta situação, e ficou configurada com Leão XIII, com a doutrina da tolerância, do ralliement.

A segunda lei da separação relevante, que é a lei brasileira (1890), que também surgiu num momento de convulsão política, reconhecia a personalidade jurídica da Igreja, a validade do casamento católico para efeitos civis, mantinha integralmente o património eclesial.

Havia muitas modalidades jurídicas, nos vários sistemas, de leis de separação nas quais a Igreja não era perseguida. O modelo de Afonso Costa é o modelo da separação francesa, que é uma lei de sujeição da Igreja ao Estado.

Por isso vale a pena perceber bem o que quer dizer a separação, porque nós imitamos a França, em pior. Nos EUA, quando foi assinada a Declaração de Independência, em Filadélfia, o Mayor da cidade deu uma festa, que incluía uma mesa com comida kosher, para que todos os judeus pudessem vir. Quando, uns anos depois, Napoleão quis estender o regime da Concordata a todas as religiões, convocou uma reunião com os membros do Grande Rabinato de Paris e a reunião foi marcada para o Sábado.

Estes dois episódios dão a diferença do que quer dizer a separação: num caso, o Estado respeita a natureza da experiência religiosa, deixa que as religiões sejam como são; no caso francês, o Estado impõe uma sua maneira de ver o mundo – a ética republicana de que agora tanto se fala – e as religiões têm de se sujeitar à visão que o Estado tem da religião, porque o Estado sabe como é que as religiões devem ser, ele é que diz como é que se organizam. Esta foi a mentalidade em que Afonso Costa pegou, transformando a Lei da Separação numa lei de perseguição à Igreja.


AE – É importante perceber essa mentalidade, observar a realidade a partir da vivência própria dos inícios do século XX?

JS – Nós temos dificuldade em perceber até que ponto é que o anticlericalismo ideológico parecia legítimo aos republicanos. Para eles era absolutamente claro que a religião era uma coisa má, portanto proibir, perseguir e dificultar a religião era uma questão cívica, não havia nada contra a liberdade em impedir a superstição, como eles diziam. É como se a promoção da religião fosse uma actividade ilícita, que devia ser combatida por todos os meios e todos os meios eram legítimos.


AE – Mas essa leitura escapa às análises que se fazem sobre esta matéria?

JS – Afonso Costa e a República não pretendiam separar-se da Igreja, pretendiam dominar a Igreja e esse seu intento falhou completamente. Basta ler da pena de Brito Camacho, um homem insuspeito, um republicano de sempre, que fez parte do governo provisório e votou a Lei da Separação. No decreto de Moura Pinto (1918), que reviu a Lei da Separação, há um longo relatório de Brito Camacho, que faz aí um juízo da lei – é um juízo intrarepublicano, não um juízo eclesiástico, de um inimigo da Igreja -, afirmando que a mesma foi feita para impor sectariamente uma leitura do que é a religião, contra a liberdade, que impunha à Igreja uma forma jurídica completamente incompatível com a sua natureza. Isso tinha provocado um problema social gravíssimo em Portugal que importava ao legislador republicano resolver.

Opiniões contrárias a isto nascem da ignorância, da falta de informação ou da deliberação ideológica. Oliveira Marques, que é um homem que sabe o que escreve, diz que a Lei da Separação é o acto mais revolucionário da República, porque a Igreja ficava sujeita ao povo como nunca estivera ao longo da história. Sem o dizer, mostra claramente que ele também tem consciência que é uma lei contra a Igreja, não para a separação, de uma forma ordeira e pacífica.

AE – A celebração do Centenário da República é uma oportunidade para abordar em profundidade este episódio da história da Igreja?

JS – Há uma certa tendência na historiografia da Igreja para contar a história tentando perceber a posição do adversário. Conta sempre a história das perseguições como se nós, no fundo, tivéssemos alguma culpa, porque nós é que nos explicámos mal. É uma ideia de que se nós nos explicarmos bem, eles vão perceber. O problema da perseguição à Igreja não é uma questão de mal-entendidos. Quando não se parte desse pressuposto, não se percebe nada.

Fonte: Agência Eclesia

sexta-feira, setembro 24, 2010

SUGESTÕES: Como cortar na despesa e não aumentar impostos

  • Acabar com obras megalomanas: TGV; aeroporto...
  • Acabar com a grande maioria das empresas públicas e municipais;
  • Acabar com os governos civis;
  • Cortar nas reformas douradas;
  • Cortar nas viaturas de serviço e despesas de deslocação dos mais ricos...
  • Reduzir para metade o número de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia...
  • REDUZIR de 230 deputados para 100;
  • Reduzir equipas ministerias;
  • Extinguir a maioria dos institutos públicos (1520 !!!);
  • Reduzir o número de gestores e chefes;
  • Pôr os que recebem o rendimento mínimo a trabalhar...

E TANTAS OUTRA COISAS QUE PODEM acrescentar...

O jogador católico Sneijder: heroi dentro e fora de campo

O médio holandês assistiu a um acidente de viação e ajudou prontamente no auxílio à sinistrada, abandonando o local apenas quando chegou a ambulância.

A história heróica do atleta do Inter de Milão, considerado o melhor médio da última edição da Liga dos Campeões e candidato ao prémio de melhor jogador do Mundo da FIFA, vem esta sexta-feira relatada em vários órgãos de comunicação.

O médio do Inter conduzia pelas ruas de Milão e viu uma vespa cair no asfalto molhado.

“Estava no chão e logo fui ajudada por um casal que rapidamente pegou no telemóvel e chamou a ambulância. Depois chegou um jovem com um fato-de-treino do Inter que perguntou se precisava de ajuda. Ficou sempre perto de mim e só então percebi que esse jovem era o Sneijder, que só abandonou o local quando fui para o hospital. Ele foi impecável! Não esperava tanta gentileza de alguém que até não tinha qualquer obrigação de ficar comigo”contou a protagonista do acidente, Elisabetta Savazzi, de 29 anos.

A jovem, fã do Inter “desde pequena”, revelou ainda que o médio de 26 anos contou-lhe alguns detalhes da sua vida na cidade italiana: “Enquanto esperámos pela ambulância ele falou de como se sente bem em Milão e nunca recusou os pedidos de quem passava para tirar fotografias ou dar autógrafos. É um exemplo dentro e fora de campo”, acrescentou.
Fonte: Sapo

segunda-feira, setembro 20, 2010

Uma multidão acompanha o Papa na visita ao Reino Unido

O PAPA NO REINO UNIDO: "Chegou, viu e conquistou uma nação" (título do jornal The Herald)


"PEOPLE POWER" - o poder das pessoas que ajudaram a mudar as prioridades mediáticas.
Foram as pessoas e o entusiasmo com que reagiram à presença do seu líder espiritual que ajudaram a mudar a imagem do Papa e o tratamento mediático que lhe foi dado, particularmente a nível televisivo.

O clima de festa, o peso das palavras de Bento XVI e a capacidade de abordar directamente temas previsivelmente delicados, como os abusos sexuais de menores ou a relação entre religião e secularismo foram apostas que deram os seus frutos.




Alguns jornais falavam das palavras serenas de um Papa que “encantou muitos” ou da “grande coragem moral” com que enfrentou os temas mais quentes, podendo por isso deixar o país “com um sorriso nos lábios”.

sexta-feira, setembro 17, 2010

A repressão dos católicos em Inglaterra

Desde os tempos de Henrique VIII, como todos sabemos, os católicos de Inglaterra foram perseguidos e reprimidos. A exclusão social a que eram sujeitos só à relativamente pouco tempo é foi abrandando.
Na época vitoriana, os católicos não podiam ocupar nenhum cargo público, de facto nos condados onde os católicos eram 100% dos votantes tinham que escolher um representante anglicano, fosse ou não natural dessas partes. O primeiro membro católico do parlamento só foi eleito nos anos 60.
Suponho que para os ingleses a visita do papa e a tomada de posição de algumas figuras publicas ou idolos a favor da fé católica lhes traga alguns remorsos de consciência.

Wayne Rooney é impedido de falar da sua fé em público

Um funcionário da Associação de Futebol de Inglaterra calou o avançado Wayne Rooney, quando era entrevistado sobre a sua fé católica.

Nos últimos dias, Rooney foi fotografiado com um rosário durante os treinos da sua equipa e numa entrevista, um periodista preguntou-lhe porque é que o trazia.

Rooney, de origem irlandesa, respondeu: «Eu tenho desde os meus quatro anos e vós não vedes os meus treinos. Obviamente não o posso usar durante os jogos. É a minha religião».
Quando os jornalistas queriam fazer uma nova pergunta sobre a sua fé, o chefe de relações públicas da AF, Mark Whittle, interrumpeu a Rooney dizendo «Não falamos sobre religião».

Segundo informou o jornal The Sunday Times, a algum tempo o futebolista, revelou que «poderia ter sido sacerdote» porque disfrutou muito da sua educação religiosa que recibeu em criança.

quinta-feira, setembro 16, 2010

SURPREENDENTE: uma multidão acolhe Bento XVI na Escócia

Hoje, contra todas as expectativas da imprensa, Bento XVI presidiu a uma missa multitudinaria no Bellahouston Park de Glasgow, Escocia. Ainda acreditamos nalguma comunicação social?!!!

Fixemos algumans das coisas mais importantes que disse:
  • “A religião é garantia de autêntica liberdade e respeito”.
  • A sociedade actual necessita de vozes claras que proponham o nosso direito a viver".

Bento XVI ALERTA para as formas agressivas de secularismo

"Hoje em dia, o Reino Unido esforça-se para ser uma sociedade moderna e multicultural. Que possa, nesse nobre desafio, manter sempre o respeito pelos valores tradicionais e pelas expressões da cultura que as formas mais agressivas de secularismo não estimam nem mesmo toleram".

"Que não deixe desaparecerem os fundamentos cristãos que sustentam essas liberdades".

"Nunca esqueçam como esquecer deus, a religião e a virtude da vida pública conduzem a uma visão truncada do homem e da sociedade".

Bento XVI também se dirigiu aos 'media' britânicos que criticam o conservadorismo do Papa, afirmando que têm "uma responsabilidade mais pesada que a maioria dos outros 'media' e uma maior oportunidade para promover a paz entre as nações, o desenvolvimento integral dos países e a propagação dos verdadeiros direitos humanos".

Na mesma intervenção, o Papa referiu-se ao processo de paz da Irlanda do Norte, afirmando que Londres e Dublin "fizeram nascer uma resolução pacífica do conflito", encorajando "todos os que estão envolvidos nele a continuarem a caminhar corajosamente para uma paz justa e duradoura".

Fonte: DD

terça-feira, agosto 10, 2010

Os sacerdotes rejuvenescem quando se reformam

Os sacerdotes dedicam toda a sua vida ao serviço de Deus e aos fieis. Nunca deixam de estar disponíveis, porém também eles envelhecem.
Que fazem os sacerdotes quando se reformam?
A que é que dedicam o seu tempo?
Quem cuida deles? Onde vivem? O seu serviço à Igreja continua.

Pensemos e recordemos aqueles sacerdotes que durante muitos anos dedicaram toda a sua vida aos outros. Eles também envelhecem, mas nunca deixam de estar ao nosso serviço.
  • Antonio Sancho, um sacerdote reformado, com setenta e sete anos, apesar de está numa cadeira de rodas, transparece uma tremenda alegria de espírito e apresenta-se disponivel para todo aquele que queira falar e rezar con ele.
  • Florencio Díaz, tem oitenta e seis anos, está doente mas sente-se muito feliz e adaptado à casa. Com as suas limitações dá-nos generosamente o seu testemunho. Humildemente diz que cada pessoa tem a sua vida e que compreende que com o trabalho diário seja complicado para alguns colegas encontrar o momento adequado para acompanhar e partilhar con eles um pouco do seu tempo. O seu testemunho é uma mostra de dar sem esperar nada em troca.
  • Tomás Correas, dedicou toda a sua vida à Pastoral do povo. É um artista. Tomás cria quadros sobre o cobre com fogo em cada ano realiza uma exposição. Aos oitenta anos está estupendamente, têm uma vitalidade maravillosa e contagia-nos com a sua alegría. O seu quarto un estudio de pintura que irradia vida e luz.

O que fazemos e como tratamos aqueles sacerdotes que dedicaram a sua vida à Igreja...

Fazemos melhor do que a sociedade faz com os reformados ou tratamo-los como um peso para a sociedade e para a Igreja?

Porque é que que alguns sacerdotes rejuvenescem quando se reformam?

terça-feira, julho 13, 2010

Divórcio pode ser contagioso

Se tem amigos que se separaram, então tem 75% de hipóteses de tal também lhe acontecer

Pesquisadores da Brown University entrevistaram mais de 12 mil pessoas para apurar as causas do divórcio e deduziram que o efeito dominó é um dos principais impulsionores.

Rose McDermott, responsável pelo estudo, afirma que os divórcios são contagiosos e espalham-se pelos círculos familiares, sociais e profissionais.

“Os resultados vão além da relação íntima pessoa-a-pessoa e sugere um efeito pessoa-a-pessoa-a-pessoa”, afirmou McDermott. Ou seja, o amigo pode influenciar o seu marido.

Estatisticamente existe um aumento de 75% de hipóteses de um divórcio quando uma das duas pessoas do casal teve contacto com alguém que se divorciou.

No caso do “amigo do amigo”, o aumento é de 33%, mas se for “amigo do amigo do amigo” já não há influência possível, revela o estudo.

13 de Julho de 2010
Fonte: Sapo.pt

segunda-feira, julho 12, 2010

Rendimento mínimo ou a outra treta que lhe chama agora

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca havia reprovado um aluno antes, mas uma vez, reprovou uma turma inteira.
Esta classe em particular tinha insistido que um regime igualitário realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".
O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência igualitária nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas de avaliação nas provas.".

Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma, e portanto seriam "justas" porque iguais. Isso quis dizer que todos iriam receber as mesmas notas, o que significou que ninguém iria ser reprovado. Isso também quis dizer que obviamente ninguém iria receber um "20"...
Depois das primeiras avaliações saírem foi feita a média e todos receberam "13". Nesta altura quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram felizes da vida com o resultado.
Quando a segunda prova foi feita os alunos preguiçosos continuaram no seu ritmo, pois que acreditavam que a média da turma continuaria a beneficiá-los. Já os alunos aplicados, entenderam que também eles teriam direito a baixar o ritmo, agindo contra a sua própria natureza.
Resultado, a segunda média das avaliações foi " 8". Ninguém gostou. Depois da terceira prova, a média geral acabou por descambar e voltou a descer para o "5".
As notas nunca mais voltaram aos patamares mais altos, mas inversamente, as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações e inimizades que passaram a fazer parte daquela turma.
No final das contas, ninguém se sentia obrigado a estudar para beneficiar o resto da sala.
Resultado: Todos os alunos chumbaram naquela disciplina... porque todos eram «iguais».
O professor explicou que a experiência igualitária tinha falhado porque ela se traduziu na desmotivação dos participantes. Preguiça e mágoa foi o resultado. "Quando a recompensa é grande", disse, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós".
"É impossível levar o pobre à prosperidade através de acções que punam os mais afortunados pela prosperidade. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, obriga a que outra pessoa deva trabalhar sem receber. O governo não pode «dar» a alguém aquilo que tira a outro alguém. Quando metade de uma população começa a entender a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustenta-la, e quando esta outra metade entende que não vale a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a." (Adrian Rogers, 1984)

segunda-feira, julho 05, 2010

La conversión al catolicismo de Wesley Sneijder, el héroe nacional holandés

Fue hace sólo un mes, y por amor. El capitán de la nueva "naranja mecánica" se bautizó en Milán poco antes de partir para Sudáfrica.


Suyo fue el centro que el defensa brasileño introdujo Felipe Melo en su propia portería, y suyo el cabezazo que supuso la remontada ante Brasil este viernes: 2-1, y Holanda se metía en semifinales del Campeonato del Mundo de Fútbol, donde se enfrentará a Uruguay.

Wesley Sneijder se ha convertido con este gol y medio en el nuevo héroe nacional de los tulipanes, que ven cómo vuelve a acercarse el sueño de elevar la Copa Jules Rimet dos veces truncado, en 1974 ante Alemania y en 1978 ante Argentina.

Pero hace sólo un mes, el capitán del equipo holandés había logrado una victoria aún mayor: su conversión al catolicismo. Y ha sido por amor. Desde el año pasado es novio de Yolanthe Cabau van Kasbergen, actriz, presentadora y modelo holandesa nacida en Ibiza de padre español, y que convenció a su novio de bautizarse.

Lo hizo a finales de junio en Milán, en una ceremonia privada. Ella le ha regalado un rosario que él lleva siempre en el cuello, y el centrocampista del Inter, por su parte, está feliz con su decisión: «Fui a misa una vez junto a mis compañeros, y en su forma de tomar parte en ella sentí una fuerza y una confianza que me turbaron». Animado por Yolanthe, se inscribió en los cursos de catecismo para adultos hasta el día de recibir el sacramento, pocas fechas antes de la partida del equipo hacia Sudáfrica.

El capitán neroazzurro, Javier Zanetti, conocido por su condición de católico practicante, estuvo también en todo momento junto a Sneijder para dar este paso decisivo en su vida.