sábado, dezembro 30, 2006

"Aborta e ficas com o teu problema resolvido"

Li recentemente a este propósito a opinião de um autor que é assumidamente de esquerda e que afirma não compreender como pode alguém com essas convicções políticas, tradicionalmente defensoras da liberdade e dos direitos humanos, não ser contra o aborto. Catalogações à parte, portanto, há, porém, alguns aspectos que, a meu ver, não se pode deixar de referir a este propósito.
Em primeiro lugar, que a vida humana é um dom de Deus e um direito inalienável de qualquer ser humano. Esse direito não depende da vontade de cada qual, nem da apreciação que possamos fazer das situações concretas em que é gerado cada novo ser humano. O caminho que pode parecer mais simples (pelo menos para quem com ele pactua) não é, nesta como noutras situações, o melhor: o aborto não é solução para o que quer que seja, porque é SEMPRE um mal com que se pretende remediar outro mal (ou algo que parece sê-lo). A melhor solução que, sendo bastante exigente, é particularmente difícil de pôr em prática nos tempos que correm, em que há muito quem tenda a satisfazer sobretudo as suas necessidades e conveniências pessoais e se perdeu muito do respeito que a vida merece. Seria «atacar» as raízes do problema, apoiando por todos os meios ao nosso alcance as mulheres que se encontram em situações de angústia e desespero e às quais a nossa sociedadese limita demasiadas vezes a dar o conselho: «Aborta e ficas com o teuproblema resolvido».
Que o digam os milhares de mulheres que, todos os anos, são «empurradas» para este flagelo e que não conseguem conviver com a ideia do aborto que foram levadas a praticar. (A este propósito, são deveras elucidativos os depoimentos chocantes divulgados recentemente pela Associación de Víctimas del Aborto, em Espanha, um país onde o aborto atingirá proporções assustadoras).
E se é certo que é necessário combater o aborto clandestino e que não é solução condenar apenas as mulheres que o fazem, também é certo que as estatísticas que se conhecem indicam que a descriminalização não diminui nem o número de abortos, nem o sofrimento das mulheres que são levadas a praticá-los. Muito pelo contrário.
Em contrapartida, há meios legítimos de planeamento familiar, casais que querem adoptar, instituições de acolhimento e de apoio às mães que, apesar das dificuldades, querem, ainda assim, trazer os seus filhos ao mundo. E será decerto muito mais eficaz deitarmos mãos à obra da prevenção, apoiando as mulheres e as famílias, do que «sacudirmos a água do capote» e fornecermos apenas os meios «clinicamente correctos» (mas sempre muito pouco humanos) para abortar.
Acredito que qualquer ser humano tem uma missão neste mundo e que não nos cabe a nós, os que já cá estamos e tivemos a sorte de ser desejados, decidir se alguém deve ou não nascer com base nas nossas «previsões» do seu futuro.
  • Quantas crianças nascidas em meios carenciados não singraram bem na vida?
  • Quantos deficientes não foram oportunidade de aperfeiçoamento para os que com eles privaram?
  • Quantos meninos nascidos em berço de ouro, com tudo para serem felizes, não acabaram as suas vidas em becos sem saída, obesos que estavam de bens materiais, mas vazios de amor e propósitos para a sua existência?
  • Quem somos nós para decidir quais devem viver?

O futuro de cada um de nós depende de todos. A vida dos outros também é da nossa responsabilidade. A Deus cabe o dom da vida. A nós cabe-nos preservá-la desde a concepção (porque, em termos humanos, não existem, para mim, «amontoados de células»), apoiá-la, alimentá-la e enriquecê-la com base nos valores perenes que, de acordo com o projecto de Deus para a humanidade, fazem a felicidade do ser humano.

Tenho a sorte de ser mãe de quatro filhos, um dos quais deficiente mental, e de estar ciente de que as dificuldades que sempre implica o papel de mãe são, na medida em que me esforce por superá-las, bem como às minhas limitações, uma óptima oportunidade para me ir tornando um pouco melhor e contribuir para fazer mais felizes aqueles que me rodeiam.

Maria João Favila Vieira Carmona

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Incentivos à maternidade

O governo alemão que se debatia com uma baixíssima taxa de natalidade resolve, para inverter esta tendência, criar uma verdadeira política de promoção da maternidade a iniciar-se em 1 de Janeiro de 2007. A licença de maternidade pode chegar aos 14 meses com 2/3 do ordenado bruto para o progenitor.
Fantástico!
E em Portugal?
Bem em Portugal fecha-se maternidades para abrir clínicas de aborto. Referenda-se a Vida como se isto fosse aceitável.
Que tristeza!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Carta Aberta a quem vai votar Sim

Foi votada, na AR, a pergunta a colocar aos portugueses no próximo referendo ao aborto. A pergunta é: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

Existem, certamente, muitas pessoas que vão votar "Não" porque são insensíveis aos problemas sociais e humanos do aborto clandestino, tal como existem muitas pessoas que vão votar "Sim" porque são insensíveis ao direito à vida do feto. Não é a nenhuma dessas pessoas que esta carta se dirige porque essas pessoas não têm consciência moral a que se possa fazer apelo.

Esta carta é dirigida a todas aquelas pessoas que, repudiando a liberalização do aborto, estão a pensar votar "Sim" no referendo por razões humanitárias: aborto clandestino, situações dramáticas diversas. Pessoas sensíveis aos problemas dos outros e, portanto, de espírito suficientemente disponível para procurar soluções.

Se é o seu caso, perca alguns minutos do seu tempo a pensar comigo.

Vejamos os argumentos do Sim:

O problema do aborto clandestino em Portugal é dramático.
Ninguém o nega, mas esse drama é usado demagogicamente por aqueles que querem liberalizá-lo sem esclarecer muitos aspectos:
Esses abortos clandestinos são feitos em situações que a despenalização até às dez semanas iria evitar?
Quantos abortos clandestinos são realizados depois das dez semanas?
Quantos abortos clandestinos poderiam, na verdade, ter sido praticados no actual quadro legal?
As mulheres recorrem ao aborto clandestino porque ele é proibido ou porque têm medo de perder o anonimato se forem ao hospital?
Será que as campanhas pró-liberalização não têm contribuido para criar um clima de medo que leva as mulheres a evitar o hospital em situações em que o aborto seria autorizado?

A nossa lei é a mais restritiva da Europa.
É mentira
. É uma mentira descarada e desonesta. Quem argumenta isso, aproveita-se do facto de a maioria das pessoas não procurar informar-se sobre o assunto. A lei portuguesa é tão restritiva como a espanhola. É absolutamente igual.
Porque é que em Espanha se fazem abortos a pedido? Por duas razões:
  • A primeira é que em Espanha se criaram clínicas especializadas em abortos que têm equipas médicas multi-disciplinares destinadas, apenas, a assegurar que todos os casos previstos na lei se "encaixam" nos casos pedidos: à falta de melhor, a razão de carácter psicológico serve para tudo e é fácil de encobrir porque, eliminada a causa - a gravidez - é impossível averiguar a sua veracidade. Essas clínicas não rejeitam nenhum pedido (ou rejeitam o mínimo possível) porque vivem, precisamente, de fazer abortos.
  • Mas há outra razão: as portuguesas que recorrem a essas clínicas são, para todos os efeitos, estrangeiras. Um aborto realizado - ainda que fora do quadro legal espanhol - a uma estrangeira é virtualmente impossível de controlar. A estrangeira chega, no mesmo dia é observada, é passada a respectiva prescrição, é realizado o aborto, a estrangeira vai-se embora. Depois de passar a fronteira quem é que a vai procurar?... Fácil, não é? Ninguém se lembrou de fazer o mesmo do lado de cá para as espanholas abortarem fora do quadro legal deles...

O que se pretende é despenalizar e não liberalizar.
Outra mentira desonesta. Querem enganar quem? «Não é de graça, é mas é de borla?»... Se a pergunta diz, claramente «a pedido da mulher» isso significa que a mulher chega ao hospital ou à clínica, pede para fazer um aborto, fazem-lhe a ecografia para determinar o tempo de gestação e aborta. Mais nada. É aborto a pedido. Livre. Sem mais perguntas. Em estados de direito, tudo o que não é proibido é permitido. Portanto, se até às dez semanas o aborto não for proibido, passa a ser permitido. Isso é liberalizar. Tudo o resto são jogos de palavras.

Uma mudança na lei acabará - ou reduzirá drasticamente - os abortos clandestinos.
Não é possível saber. Era necessário saber qual o tempo de gestação médio dos abortos clandestinos para poder afirmar isso com segurança. Para além das dez semanas continuará a haver abortos clandestinos a menos que, mais dia, menos dia, queiram alargar o prazo para dez, doze, dezasseis... até que nenhum aborto seja clandestino, mesmo aos oito meses. Convençamo-nos: vai continuar a haver mulheres a recorrer ao aborto, faça-se o que se fizer .

5º Nenhuma mulher realiza um aborto de ânimo leve.
Isso não é, sequer, argumento. Há mulheres que espancam e matam os filhos e atiram bébés a lixeiras.

Quanto ao argumento do direito ao corpo, por exemplo, nem vou perder tempo com ele. Esta carta não se destina a quem acha que isso é argumento.

Resumindo e concluíndo, esta carta é um apelo às pessoas que pensam, que se preocupam com o seu semelhante mas que não se deixam levar por lamechices. Porque, convenhamos, há argumentos lamechas dos dois lados: desde as pobres "mártires" que abortam no vão de escada ao famoso e infeliz «Zézinho», tudo isso é areia para os olhos e só serve para desviar o assunto do essencial: liberalizar o aborto significa banalizá-lo e torná-lo um substituto da contracepção, uma forma de controlo de natalidade.

Se o "Sim" ganhar, o aborto clandestino não vai acabar, a penalização do aborto, a partir das dez semanas, vai continuar e continuará a haver julgamentos de mulheres. Por outro lado, a sociedade vai descansar sobre o assunto, as consciências vão ficar mais tranquilas e questões como a sexualidade responsável, a contracepção e a educação sexual vão passar para último plano da agenda política. Ao mesmo tempo, todo um conjunto de problemas se vão acumular aos que já existem: aspectos logísticos relacionados com os serviços públicos de saúde, listas de espera, etc.

Se o "Não" ganhar, ainda é possível fazer alguma coisa para diminuir o aborto clandestino. Campanhas de informação que expliquem às mulheres que não tenham medo de recorrer ao hospital ou ao seu médico de família e colocar o seu problema: há muitas situações em que o aborto pode ser realizado legalmente, designadamente aquelas relacionadas com aspectos psicológicos, que a actual Lei prevê.
As mulheres que recorrem ao aborto por desespero (e há situações terríveis que nem gosto de imaginar) terão a ajuda do médico e, se for justificável, o aborto será realizado dentro da lei.
As mulheres que recorrem ao aborto levianamente (também as há) continuarão a ser impedidas legalmente de o fazer. Qual é o problema?

Pense bem antes de pôr o "Sim" no dia do referendo. O "Sim" é irreversível. Ninguém vai pedir outro referendo, daqui a oito anos, se ganhar o "Sim". O "Sim" acaba com a discussão.

O "Não", bom... pela mesma lógica, o "Não" também deveria ser irreversível. Mas, principalmente, o "Não" é um incentivo a que se procurem outras soluções, mais dignas e mais humanas. O "Não" é um sinal de que os portugueses não se demitem das suas responsabilidades. O "Não" é um sinal claro de que queremos uma sociedade melhor, de que escolhemos o certo em detrimento do fácil.

O "Não" não é uma condenação a mulheres desesperadas. É uma mensagem de esperança em que é possível fazer melhor do isto. É possível resolver os problemas em vez de os ignorar e atirar o lixo para baixo do tapete.

Vote em consciência e com informação.
Se votar "Sim", tenha a consciência de que não está a ajudar ninguém, nem a evitar problemas a ninguém, nem a salvar a vida de ninguém. Está a poupar, isso sim, muitas dores de cabeça aos políticos e a ajudar o negócio das clínicas de aborto "a granel".

Se votar "Não" tenha consciência de que não estará a mandar mais mulheres para a prisão nem a condenar ninguém à morte. Estará, isso sim, a evitar a banalização do aborto e a contribuir para encontrar soluções.

Vote em consciência. Eu vou votar "Não" e tenho a consciência muito tranquila.

Maria Clara Assunção

O que dizem os médicos!

O director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Santa Maria, em Lisboa, e presidente do Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos, Luís Graça, admite ao CM que os hospitais não têm meios nem devem funcionar para fazer abortos por opção da mulher.
Os hospitais públicos não têm vocação para fazer interrupções de gravidezes. Existem para tratar os doentes. Além disso, não temos meios nem recursos para poder acorrer a esses casos e também não vou deixar de operar uma mulher com um tumor nos ovários para dar prioridade a outra mulher que não está doente, mas que quer abortar e não pode entrar em lista de espera.”
Aquele responsável diz não retirar o direito da mulher em abortar:

A mulher pode ter esse direito, mas terá de suportar os custos, tal como já o faz no privado. Não devem ser os contribuintes a pagar.”

terça-feira, dezembro 26, 2006

Bispo católico é candidato a presidente no Paraguai

Fernando Lugo, bispo emérito da Diocese de S. Pedro, renunciou ao seu estado clerical para candidatar-se às presidenciais de 2008. “Pediram-me que lidere um projecto e hoje, 25 de Dezembro, tomo oficialmente a decisão de me colocar ao serviço do povo do Paraguai através da política”, afirmou.
O até agora Bispo com trabalho reconhecido no centro do país a favor da população, anunciou a sua decisão numa mensagem aos cidadãos lida em casa dos seus pais, em Encarnação. O prelado prescinde do seu estado clerical para se dedicar à causa pública
“A decisão não foi fácil, mas não posso negar que é satisfatória”, disse Lugo vai liderar o projecto que pretende derrotar o Partido Colorado, no poder desde 1947
O Vaticano não apoiou esta decisão e tinha mesmo ameaçado punir Lugo com a suspensão de todas as suas actividades religiosas como bispo.
Fonte: Ecclesia

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Mensagens de Natal dos Bispos Portugueses

• O Natal como a grande Festa da Vida (Algarve)
• A vivência do Natal é um hino à Vida (Lamego)
• Natal é a realização de uma Promessa (Porto)
• O Natal é hora de Deus e dom da vida (Aveiro)
• Natal, festa da vida (Beja)
• «Ele está no meio de nós» (Angra)
• «O Presépio, lição de vida, de amor e de paz» (Guarda)
• Natal é solidariedade (Viana)
• Em louvor da Vida (Coimbra)
• O Natal é solidariedade (Braga)
• Que prenda para Jesus? (Setúbal)
• «Vim para que tenham vida» (Portalegre-Castelo Branco)
• “Natal” significa nascimento (Ordinariato Castrense)
• Um novo humanismo (Vila Real)
• Saborear o valor e o sentido da vida (Viseu)
• Feliz Natal! (Santarém)
A Jessy deixou um comentário interessante. Desculpa por citá-lo aqui, mas acho que deve estar um pouco mais visível:

O que vai ser referendado é pura e simplesmente se uma mulher tem o "direito" de matar uma vida...A Lei actual, em meu entender é justa, abrange as situações dramáticas. Há vários meios a disposição da mulher para não engravidar, até a "pílula do dia seguinte", só fica grávida, nesta altura do campeonato, quem quer ou não tá nem aí... porque, com o dinheiro dos meus impostos, e do de todos os portugueses, fecham-se maternidades e vão se abrir sítios para matar????? Porque????
Pondo a religião de lado e olhando para a ética, onde está a justiça??em promover a morte??
Para mim é isto que está em causa.
Porque não lutamos para que este país dê condições as famílias para educarem e terem os seus filhos?
Porque não nos mobilizamos para isso? Promover a natalidade, dar condições as famílias???
Aborto, não obrigado, é a cultura da morte, do descartável. Nós não somos descartáveis...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O ABORTO: uma questão religiosa ou uma questão civilizacional?

VEJAMOS COMO SE PROCESSA O DESENVOLVIMENTO HUMANO:
Cada um dos gametas (espermatozoide e óvulo) têm 23 cromossomas.
No momento da fecundação, a junção destes dois gametas forma o zigoto, com 46 cromossomas, que contêm todo o código genético, original e irrepetível da pessoa humana.
Cerca de 30 horas depois da fertilização o zigoto divide-se em dois blastómeros, que continuam a divir-se de 20 em 20 horas até atingir 64 células (mórula) que se transforma em blástula (as 64 células formando uma esfera oca cheia de líquido) que nidifica no útero.
Inicia-se nessa altura a fase embriónica que dura até à 8ª semana da gravidez, durante a qual se dá a neurogénese a organogénese e a miogénese. Por volta da 6ª semana já há actividade cerebral, o coração já bate, o embrião já é capaz de movimentos e forma-se os olhos.
A partir da 8ª semana começa a fase fetal durante a qual a pessoa se vai desenvolvendo até ao momento do nascimento 38 semanas depois das fecundação.

Não concordando com o aborto, pergunto porquê a escolha das 10 semanas em vez das 8 semanas?

Para acompanhar o desenvolvimento humano aqui: The Visible Embryo e o filme da National Geographic: In The Womb.


O que podemos dizer é que qualquer limite é relativo, como foi dito: no tempo dos romanos o infanticídio era legítimo. Porém, quero acreditar que a humanidade caminha para um desenvolvimento civilizacional cada vez maior. Todos sabemos o desenvolvimento dos direitos humanos e o seu constante alargamento. Então, porque é que não se alarga a proteção jurídica ao ser humano desde a sua geração, porque o seu código genético está completo.


Por outro lado o ser humano nunca está completamente formato, cada dia da sua vida tráz novos acrescentos à sua pessoa.
E, mais uma vez digo, esta não é uma questão religiosa, mas sim uma questão civilizacional.


Já agora, em vez de o estado apostar criar condições para abortar livremente, porque não apostar em criar condições para que as mulheres não precisem de abortar?
Eu não quero que uma mulher vá para a prisão por fazer um aborto, mas também não quero que um feto, que se tornará numa pessoa, seja morto apenas porque não é conveniente.

A vivência do Natal é um hino à Vida

Celebramos o nascimento de Jesus, que recria a nova humanidade, redimida pela magnanimidade de Deus, comunicando-lhe, neste mistério da Incarnação, a Sua própria Vida.

A vivência do Natal é um hino à Vida.


Que o seja de um modo decidido e generoso, o Natal de 2006, optando, por um lado, sem ambiguidades pela vida humana e defendendo-a de forma inequívoca desde a concepção até à morte; e procurando, por outro, tornar mais humano o viver de todos, eliminando injustas assimetrias e discriminações, com gestos de solidariedade, de tolerância e de perdão.
São estes os votos que formulo, desejando a todos os diocesanos santas festas de Natal.
D. Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, Bispo de Lamego

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A legalização do Aborto terá efeitos retroactivos? Que pena...

"Tal como no referendo anterior, a sociedade portuguesa mobiliza-se para discutir a questão do aborto, rotulada de interrupção voluntária da gravidez para que, creio, todos percebam melhor. Uns, os que já nasceram, não têm problemas em ser a favor do «sim», a favor de uma lei que sabem nunca os atingir. Os outros, os do «não», onde me incluo, não querem para os outros o que não querem para eles. Ou seja, se eu tive direito à vida… todos os outros devem ter o mesmo direito.

A tudo isto acresce que defender o «sim» é a mais pura e paradigmática forma de cobardia. Ou seja, se a sociedade não consegue dar condições de vida (aos pais, mas sobretudo às mães), então mate-se quem não tem direito de defesa.
Noutro patamar, seria mais ou menos como a sociedade não ter capacidade para combater o roubo de carros e, para resolver a questão, decidisse legalizar essa actividade, descriminalizando os autores.

Eu sei que, para muitos socialistas, sociais-democratas, comunistas e afins é mais fácil dizer a uma mãe que pode e deve abortar do que lhe dar condições de dignidade que lhe permitam criar o filho. Para mim isso é cobardia e aceitação da falência de uma sociedade solidária e digna.
Por isso: Aborto? Não, Obrigado!
(Se calhar, já que a legalização do aborto não tem efeitos retroactivos – é pena! -, a melhor forma de nos vermos livres de futuros políticos medíocres como os que agora proliferam por aí seria votar «sim». Mesmo assim… voto «Não»).
Fonte: Orlando Castro in Alto Hama:

Aborto: cirurgia prioritária?!!!

Palavra de Correia de Campos:
A interrupção voluntária da gravidez (IVG) passou a integrar a lista de cirurgias prioritárias, de forma a que seja concretizada no espaço de duas semanas, depois do pedido ser formalizado, tal como está previsto na lei. Se não for possível o hospital realizar a intervenção nesse prazo, a mulher deverá ser encaminhada para o sector privado. A novidade está na inclusão do aborto na lista de cirurgias prioritárias e urgentes, como acontece com os portadores de doenças graves.Resposta tem de ser dada em duas semanas e privados farão as intervenções que hospitais não puderem.
Vai uma aposta sobre quantas intervenções é que vão "sobrar" para os privados?

Aborto impede 7 mil nascimentos de meninas por dia na Índia

Sete mil bebés meninas deixam de nascer por dia na Índia por causa de abortos selectivos depois de exames para determinar o sexo do feto, afirmaram hoje estimativas do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância.

DIGA SIM À VIDA

VISITE este interessante blog: http://digasimvida.blogspot.com/

terça-feira, dezembro 19, 2006

Cristo é a medida de todos os tempos.

A maior tarefa de cada sacerdote
em cada tempo,
é encontrar, dia após dia, o seu “hoje”sacerdotal no “hoje” de que fala a Carta aos Hebreus.

Este “hoje” de Cristo está presente em
toda a história – no passado e no futuro do mundo,
de cada homem e de cada sacerdote.

«Jesus Cristo é sempre o mesmo,
Ontem e hoje e para toda a eternidade». (Hb 13,8)

Portanto,se o nosso “hoje” humano e sacerdotal
estiver inserido no hoje de Jesus Cristo,
não existe o perigo de vir a ser de “ontem”, isto é, ultrapassados…

João Paulo II, Dom e Mistério